sexta-feira, 23 de novembro de 2018

BOLSONARO NÃO DECEPCIONA!! DEPOIS DA "JUSTISSA" TEREMOS A "EDUCASSÃO"


OLAVO DE CARVALHO ESCOLHEU O MINISTRO DA EDUCASSÃO
O olavismo passou de piada a doutrina oficial 
Por Bernardo Mello Franco, no Globo
Jair Bolsonaro correu o risco de acertar na escolha do ministro da Educação. Mozart Ramos tinha 
currículo para o cargo. Ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco, hoje diretor do Instituto 
Ayrton Senna, conquistou respeito no meio privado e na academia. Sua indicação parecia boa demais 
para ser verdade. E era.
O educador foi vetado pela bancada evangélica, aliada do presidente eleito. “Somos totalmente 
contra o nome dele”, resumiu o deputado Sóstenes Cavalcante. Ele participou da comitiva que foi do 
Congresso ao CCBB, quartel-general do futuro governo, para torpedear a nomeação que já era dada 
como certa.
A pressão funcionou. Ontem Bolsonaro cancelou a reunião que selaria a escolha de Ramos. Em seu 
lugar, recebeu o procurador Guilherme Schelb. As credenciais do novo ministeriável eram 
desconhecidas. Em poucos minutos, o enigma se desfez: ele havia virado propagandista do projeto 
Escola Sem Partido.
Sem deixar a Procuradoria, Schelb se tornou um ativista de rede social. No Facebook, sustenta que 
há um complô para “doutrinar” e “erotizar” criancinhas nas escolas. Entre seus alvos, estão a 
ministra Cármen Lúcia, a atriz Fernanda Lima e o ex-presidente Barack Obama.
É uma militância lucrativa. Ele mantém um site para agendar palestras e vender o curso on-line 
“Família educa, escola ensina”. Um lote de cartilhas sai por R$ 1.700. O pastor Silas Malafaia 
apoiou sua nomeação com entusiasmo. “Esse é o cara!”, vibrou, no Twitter.
O lobby evangélico bateu na trave. À noite, Bolsonaro anunciou a nomeação de Ricardo Vélez 
Rodríguez. Apresentou-o como “filósofo autor de mais de 30 obras, atualmente professor emérito da 
Escola de Comando e Estado-Maior do Exército”. Esqueceu de apontar o pai da indicação: o 
ideólogo e polemista Olavo de Carvalho.
O guru ultraconservador já havia emplacado o trumpista Ernesto Araújo nas Relações Exteriores. 
Agora apadrinha o ministro da Educação, que repete suas teses reacionárias com a vantagem de não 
usar palavrões. O olavismo passou de piada a doutrina oficial de governo. Parece ser a hora de 
adaptar um lema de outros tempos: “Chega de intermediários, Olavo para presidente!”.
Os tarados “ensinadores”
Por Fernando Brito
O Sr. Jair Bolsonaro diz que “quem ensina sexo é papai e mamãe. Escola é lugar de se aprender 
matemática, física e química para que no futuro tenhamos um bom empregado, um bom patrão”.
Ainda que seja curiosa esta definição de educação que reduz a sua finalidade a formar “bons 
empregados e bons patrões”, é aterrorizante o que se está lendo sobre a indicação do futuro Ministro 
da Educação. 
Parece que, afinal, agora, a escola vai “ensinar sexo”.
Depois de ouvir a vida inteira sobre os problemas da educação, desde a infância, com pais 
professores de escolas públicas, acabo de descobrir que sexo é a “disciplina” escolar mais importante 
e problemática de nosso ensino.
Ficou evidente o mal-estar com o descarte de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton 
Senna, depois que Viviane Senna ter se exposto publicamente como candidata a patrocinadora de 
uma solução para a o Ministério da Educação, pelo fato de não ter sido considerado “de direita o 
suficiente” pelo “bolsonarismo-raiz” 
Tão grotesco quanto está sendo a “badalação pública” de que o escolhido para o cargo é um 
procurador que integra a “Associação Nacional de Juristas Evangélicos” e que vende livros e cursos 
pela internet supostamente contra “abusos” doutrinários nas escolas.
Incrível, ainda mais, porque em tempos em que qualquer pré-adolescente tem, na internet, trilhões de 
imagens que fazem os quadrinhos de Carlos Zéfiro parecerem livrinhos inocentes. 
O sujeito é defensor da lógica miúda de que quem educa é a família, a escola apenas faz o papel de 
ensinar, mecanicamente. Um bobagem mesquinha que, em primeiro lugar, ignora que a maioria dos 
pais e mães pobres brasileiros mal têm meios e convívio com os filhos – saem às seis da manhã para 
trabalhar e chegam às oito da noite, estourados, sem condição senão de comer e dormir – e eles 
próprios tiveram, em geral, péssima formação educacional. 
Aliás, perguntem lá ao capitão Bolsonaro ou ao general Mourão se as escolas militares que 
frequentavam não educavam para valer, e na dureza… 
Mesmo “de molho” como ando, não é possível assistir quieto a esta vergonha, que só pode ser 
produto de mentes taradas, imundas sob seus mantos de “portadores da moral”. 
O país de Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire não merece ter sua educação reduzida a isso. 
Aliás, segundo a “teoria” do tal procurador, Guilherme Schelb, como “família educa e escola 
ensina”, não precisamos de educadores. Só de ensinadores. 
Adestradores de pobres.

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