quarta-feira, 21 de novembro de 2018

ALÉM DE INVESTIGADO POR FALCATRUAS, O DEMO MENDETTA É ACUSADO DE PARTICIPAR DE ATAQUES DE FAZENDEIROS A ÍNDIOS


Mandetta, que vai dirigir a Funasa como ministro, estava em ataque de fazendeiros que 
resultou na morte de um índio. Em uma das ofensivas, houve uma morte, fato que Mandetta 
expurgou de sua biografia.
Escolhido para ministro da Saúde da gestão Bolsonaro, o deputado federal do DEM (MS) Luiz
Henrique Mandetta foi apresentado aos brasileiros hoje como “ortopedista” e “pediatra”, com 
credenciais como médico brilhante com formação nos Estados Unidos – sem nenhuma menção que 
ele faz parte do núcleo duro dos parlamentares que detestam os indígenas.
No seu currículo na Wikipedia Mandetta expurgou sua participação numa volante de fazendeiros e 
jagunços contra os índios guarani-caiovás da reserva Marangatu, em 2015, que resultou na morte de 
um indígena, Simão Vilhalva (foto), na cidade de Antonio João (MS).
No novo governo, Mandetta vai ter sob sua responsabilidade a Funasa, órgão do ministério 
encarregado de atender justamente as comunidades indígenas.
Antes do ministério cair no colo dele, seu maior destaque como deputado federal foi participar de 
uma grande escaramuça contra os guarani-caiovas em Antônio João.
A área em disputa era a reserva Marangatu, que a Funai reconhece como indígena mas que espera 
demarcação na Justiça desde 1999.
Em agosto de 2015, um bando de 40 índios, a maioria mulheres e crianças, anunciou que marcharia 
de sua reserva para ocupar uma área contigua, a sede da fazenda da presidente do Sindicato Rural de 
Antonio João, Roseli Ruiz.
Combativa, ela conclamou os vizinhos para atacar os guaranis, impedir a invasão ou retomar o 
imóvel, qualquer das opções valendo.
Mandetta participava da reunião preparatória ao ataque aos caiovás, no Sindicato Rural, na manhã do 
sábado 29 de agosto.

O impasse continua na Justiça. Cacique Loretito e família na cova do guerreiro Simeão, morto 
em ataque de fazendeiros (Foto: Cris Loff).
A reunião tinha cerca de 60 fazendeiros.
Durante o encontro veio a notícia de que a casa de Ruiz era o alvo da marcha e que seria ocupada por 
índios que estariam se dirigindo para lá.
Armados, tripulando uma frota de camionetes fora de estrada, os fazendeiros e seus jagunços foram 
enfrentar os supostos invasores.
O confronto foi rápido e os índios debandaram, com um morto e alguns feridos. Do lado dos 
brancos, não houve vítimas.
O futuro ministro participou do entrevero, ao lado dos fazendeiros.
Não foi possível comprovar se ele estava armado ou se disparou contra os índios, mas mesmo assim 
ele teve um papel importante no embate: foi a maior autoridade a servir de testemunha em favor dos 
fazendeiros.
Nos dias seguintes à escaramuça, Mandetta disse que o índio morto “não estava flácido” o suficiente 
para ter sido morto na hora do confronto – inocentando os fazendeiros.
Usando sua expertise médica, ele afirmou que o corpo do índio que os guaranis carregavam como 
vítima do confronto da fazenda estaria duro demais, indicando que teria sido morto pelos próprios 
índios, que usaram o cadáver como instrumento de propaganda de sua causa.
Para dar seu testemunho, já na Câmara Federal, o médico Mandetta disse que viu o corpo a “uns 20 
ou 25 metros de distância”.
Simão Villhalva está enterrado a 100 metros da sede da fazenda, em área indígena.
Até hoje a polícia não identificou o autor do crime. 

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