quinta-feira, 11 de outubro de 2018

RAIO X: PRISÃO PERPÉTUA, CAÇA AOS COMUNISTAS E AOS MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHEÇA A BANCADA DE BOLSONARO NA CÂMARA



O BRASIL TEM um bloco de extrema-direita para chamar de seu,
independentemente de quem vencer as eleições para presidente.
Ele é composto por deputados como Márcio Labre, do PSL do Rio de Janeiro. 
Labre é pouco conhecido, mas já amealhou 35 mil inscritos em seu canal no 
Youtube. “Já considerei tomar o poder por força bruta, mas me convenci a 
dar mais uma chance para a democracia agora nessas eleições de 2018”, disse 
ele num de seus vídeos, ao pedir voto para os eleitores. Ele defende uma nova 
Constituição na qual partidos e movimentos comunistas serão proibidos, com 
adoção do regime de trabalhos forçados como cumprimento de pena e prisão 
perpétua.
Labre disse também que formará “uma força-tarefa no sentido de garantir a 
governabilidade ao nosso futuro presidente e comandante, Jair Bolsonaro”.
Ao seu lado, estarão deputados, a grande maioria eleita para seu primeiro 
cargo eletivo, que defendem “respaldo jurídico” para que policiais matem sem 
serem punidos, castração de estupradores, classificação de movimentos sociais 
como terroristas, redução de maioridade penal (em alguns casos, até para 14 
anos), adoção da prisão perpétua no país, proibição de partidos políticos de 
esquerda, entre outras políticas que, até há alguns anos, a maioria tinha 
vergonha de expressar.
‘A onda conservadora, antes de
mais nada, é da sociedade.’

No novo Congresso, acabou a vergonha. Se um Marcos Feliciano, o pastor e 
deputado federal, incomodava muita gente, agora prepare-se para uma invasão 
de Felicianos (e não necessariamente pastores). Essas propostas dos agora 
deputados eleitos estão bem desenhadas em PDFs, cards no Facebook e vídeos 
espalhados pelo Youtube. Mais de 7,9 milhões de brasileiros votaram 
diretamente nos 52 candidatos que o PSL, o partido outrora nanico de Jair 
Bolsonaro, conseguiu eleger. É a segunda maior bancada da nova Câmara, 
perdendo apenas para o PT, que tem 56. Ainda há os bolsonaristas espalhados 
por outros partidos, também eleitos. A onda conservadora, antes de mais nada, 
é da sociedade.
O que torna essa enxurrada de parlamentares conservadores potencialmente 
perigosa para as futuras leis do Brasil é que não se trata de um amontoado de 
despreparados, que poderiam ceder ao fisiologismo. Nada indica que esse 
grupo de deputados do PSL esteja com sangue nos olhos para roubar. A 
motivação é, até indicação em contrário, ideológica. Retrógrada, violenta, 
eventualmente rasa, mas ainda assim, com propósito real.
Uma parte considerável desses bolsonaristas convictos, na verdade, é de 
parlamentares com potencial para fazer uso eficaz da tribuna e das comissões 
internas da Câmara ao longo dos próximos quatro anos, pelo menos. É bom 
lembrar: Feliciano ganhou notoriedade e ojeriza da esquerda ao bater pé para 
presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, tradicionalmente 
presidida por representantes do campo progressista. Alguns desses seguidores 
de Bolsonaro eventualmente poderão até mesmo virar ministros. São policiais, 
militares das Forças Armadas, empresários, comunicadores. Em comum entre 
eles, um conservadorismo declarado, numa intensidade nunca vista antes.
O conservadorismo de direita não está apenas no PSL. O DNA de Bolsonaro e 
seu partido de aluguel está presente num amplo espectro de partidos. Para citar 
alguns mais evidentes: Pastor Marco Feliciano (Podemos), Onyx Lorenzoni 
(DEM), Kim Kataguiri (DEM). Mas há também outros ainda desconhecidos da 
maior parte do público e que saíram das urnas com votação esmagadora em 
seus estados e chegarão à Câmara com moral – e de mãos dadas com 
Bolsonaro. É o caso, por exemplo, do Sargento Fahur, da Polícia Militar 
Rodoviária. Foi o mais votado no Paraná, filiado ao PSD. Mas ele já afirmou:
“Eu sou Bolsonaro presidente do Brasil, independente do partido que eu 
esteja”. Ele só não disputou pelo PSL por uma razão estratégica no Paraná.
O que está se desenhando é uma reformatação da lógica organizacional da 
Câmara. Os partidos já não tinham fronteiras claras entre si. Agora, com 30 
partidos elegendo representantes, a fragmentação partidária e a polarização do 
país deixa mais claro que as votações serão muito mais ideológicas do que 
disciplinadamente guiadas pelos comandos de líderes partidários. As votações 
respeitarão mais os interesses setoriais do que as legendas em si. Em especial, 
a bancada BBB (bala, bíblia e boi): os defensores da linha dura na área da 
segurança pública, os religiosos/evangélicos e os ruralistas. Eles estão 
espalhados por diferentes partidos. Segundo o Diap (departamento 
Intersindical de Assessoria Parlamentar), a Câmara atual tem 233 
parlamentares alinhados a um desses três grupos – ou seja, 45% da Câmara. 
Ainda não há números fechados a partir da votação de domingo, mas é de se 
imaginar que esse percentual irá aumentar a ponto de garantir a maioria 
absoluta da Câmara.
O regimento interno da Câmara dos Deputados prevê a formação dos 
chamados blocos parlamentares”. Na prática, eles unem diversos partidos sob 
o comando de um único líder – o que facilita o encaminhamento de votações, a 
definição de prioridades de pauta e a interlocução com o Executivo. Não será 
surpresa se o PSL trouxer para um arranjo mais institucional partidos menores 
que já estão timidamente na sua órbita. Nem que seja como laboratório para a 
criação de um novo partido – como já foi ventilado pela Folha de S.Paulo após 
as declarações formais de apoio de ruralistas e de evangélicos à candidatura de 
Bolsonaro. Com a cláusula de barreira, o volume do PSL tende a aumentar até 
o início do ano, com a migração de conservadores eleitos por partidos nanicos 
de direita que ficarão politicamente inviabilizados a partir de agora.
O tamanho do PSL importa. A Câmara tem 25 comissões 
permanentes atualmente. Elas são divididas por temas. É por elas, dependendo 
do tema, que cada projeto passa antes de chegar ao plenário. Num eventual 
governo Bolsonaro, pelo tamanho da bancada garantida até a posse, o PSL 
provavelmente terá diretamente o controle da Comissão de Constituição e 
Justiça (a mais importante, por onde passam todos os projetos) e de ao menos 
duas outras comissões. O bloco conservador também terá força suficiente para 
encaminhar CPIs (Comissões Parlamentares de Inquéritos) e fazer uma espécie 
de caça às bruxas. Basta um terço das assinaturas da Câmara. A bancada do 
conservadorismo mais clássico já tem 45% da Casa.
Fotos: Reprodução
O Exército Bolsonarista
O discurso raivoso do Sargento Fahur, o mais votado no Paraná, faz um
sucesso tremendo nas redes sociais (sua página no Facebook tem mais de 2,9
milhões de curtidas). Seus posts incluem anátemas civilizados
como “vagabundo é cacete no lombo e bala no rabo”. O Paraná é um bastião
do novo conservadorismo brasileiro. É de lá também que virá para a Câmara o 
jornalista Paulo Martins, um jovem de 37 anos e que adota um dos 
discursos mais radicais da direita brasileira. É filiado ao PSC e ganhou R$ 1 
milhão da direção nacional do partido para sua campanha, sinal de que era 
aposta 
A tropa de choque de Bolsonaro no Paraná é formada também por outros dois 
rapazes de 27 anos, potenciais gladiadores do combate à esquerda ‘depravada’ 
nos salões de Brasília. Esses são do PSL mesmo, “bolsonaristas de raiz”. São 
eles Felipe Francischini, filho de Fernando Francischini, delegado da Polícia 
Federal e um dos artífices da campanha de Bolsonaro (e eleito deputado 
estadual), e Filipe Barros, advogado que se define sem tergiversações: “Sou 
conservador, de direita, defendo a redução do estado, o liberalismo econômico 
e a iniciativa privada (tão desvalorizada no nosso país). Defensor da vida, da 
família e das crianças”. Ele vem de Londrina, onde é vereador, para Brasília.
A juventude é um traço marcante dessa nova bancada fiel a Bolsonaro. A 
média de idade dos eleitos pelo PSL é de 45 anos. Em 2014, a Câmara eleita 
naquele ano tinha média geral de 51 anos. A tendência é de uma era 
conservadora pelas próximas eleições. Mesmo que Fernando Haddad vença, os 
conservadores farão uma oposição intensamente ideológica. Com a vitória de 
Bolsonaro, além de tudo os parlamentares de direita poderão ter a chance de 
ganhar experiência administrativa no governo federal.
A juventude é um traço marcante dessa nova bancada fiel a 
Bolsonaro. A média de idade dos eleitos pelo PSL é de 45 anos.
Dentro do PSL, vale destacar também a catarinense Caroline de Toni, de 34
anos. Advogada, ela mesmo se define como “olavete” – uma referência ao
filósofo e bastião do conservadorismo extremo brasileiro, Olavo de Carvalho.
No seu currículo, a presidência do MBL em Chapecó (SC) e a fundação do
Movimento Liberal Conservador. Entre suas propostas de campanha estão as
já “normais” criminalização do MST e fim de demarcação de novas terras 
indígenas. Mas também “abolir financiamento público de jornais, emissoras, 
paradas gay, carnaval”. Originalidade ela tem.
Há também os radicais mais toscos. Bolsonaro arrastou para o Congresso 
algumas figuras que prometem fazer parte do folclore da Câmara. Se 
considerarmos que Joice Hasselmann e Alexandre Frota são já hours concours 
nessa seção e dispensam apresentações, o mesmo não pode ser dito de Nelson 
Barbudo e Tio Trutis. Ambos vêm do centro-oeste, do mundo fantástico do 
agro: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, respectivamente. Barbudo é, de fato, 
barbudo. Se Nelson Ned Previdente (sim, esse é o nome real dele) repetir em 
plenário o tipo de discurso que faz para seus 45 mil inscritos no canal do 
Youtube e que o levou a ser o mais votado do Mato Grosso, ficará marcado 
não apenas pela retórica zombeteira às esquerdas e à mídia, mas também pelo 
seu chapéu indefectível. Já Trutis é um bem radical, bronco, sem qualquer 
qualificação outra que não sua retórica. Esta foto diz tudo.
Outro da ala radical do PSL, se é que dá para dividir as coisas dessa maneira, é 
o mineiro Cabo Junio Amaral. Tem 31 anos apenas, mas já está há 11 na 
Polícia Militar. Deu tempo de criar o “Direita Minas” e decidir que valeria a 
pena concorrer a deputado federal defendendo, entre outras coisas, 
tipificação do comunismo como crime, o trabalho forçado de presos e o fim 
das audiências de custódia (em que presos em flagrante são levados a um juiz 
para avaliação de eventuais maus tratos).
Fotos: Reprodução
Coturnos na Câmara
As forças policiais e militares estão em peso na tropa pesselista. Dos 52
eleitos, 20 são policiais ou integrantes das Forças Armadas – entre eles, três 
delegados da Polícia Federal, dois generais e um coronel do Exército. Um dos 
policiais é Daniel Silveira, eleito pelo Rio de Janeiro. Passou batido no 
episódio protagonizado por ele, da destruição da placa em homenagem a 
Marielle Franco, mas o rapaz de 35 anos é policial militar. Apesar dos 
músculos bem trabalhados, não deverá ter força para protagonizar a dinâmica 
do novo Congresso. Foi eleito na rabeira, pelo quociente eleitoral.
Em São Paulo, vale citar a eleição do Coronel Tadeu. Da Polícia Militar, 
Marcio Tadeu Anhaia de Lemos é parceiro de negócios do Major Olímpio, 
eleito senador e um dos principais coordenadores da campanha de Bolsonaro. 
Tadeu e Olimpio escreveram juntos dois livros.
Há dois generais entre os eleitos pelo PSL – 
algo inédito na Câmara. 
Com a aura militarista de seu governo, não poderiam faltar deputados de farda
nobre. Há dois generais entre os eleitos pelo PSL – algo inédito. São espécies
de generais Mourão do Congresso. Um deles é Elieser Girão Monteiro Filho.
Eleito pelo Rio Grande do Norte, o General Girão já foi secretário de
segurança no próprio RN e também em Roraima. Uma de suas propostas é
reduzir a maioridade penal para 14 anos e rever o Estatuto da Criança e do
Adolescente como um todo.
O outro general bolsonarista que estará circulando pelo plenário da Câmara é 
Roberto Sebastião Peternelli Júnior, conhecido como General Peternelli. 
General desde 2006, ele já comandou diversas unidades do Exército. Já foi 
também secretário-executivo do Gabinete de Segurança Institucional. Seu 
currículo não para aí. Um post em seu Facebook defendeu diretamente 
intervenção militar para tirar Dilma Rousseff do poder. Depois, disse que sua 
conta tinha sido invadida. Mas ele odeia “comunistas”. Sob Temer, foi 
indicado para presidir a Funai, mas, devido a suas posições contrárias aos 
interesses indígenas, sua nomeação não foi confirmada.
Fotos: Reprodução
Ministeriáveis
O exército de Bolsonaro tem também alguns nomes com perfil de ministro.
São nomes, que, independente de discordâncias ideológicas, vale acompanhar 
trabalho e o destino político que terão nos próximos meses e anos. Heitor 
Freire, por exemplo, é do Ceará – região onde Bolsonaro ainda não conseguiu 
uma inserção relevante. Ao mesmo tempo em que exibe diplomas de 
universidades nos Estados Unidos e na Inglaterra e mais de 15 anos de 
experiência no mercado financeiro, tendo trabalhado, entre outros, para o 
BankBoston e HSBC, Freire traz também consigo o manual de bolso do 
conservador brasileiro: é favorável a uma lei antiterrorismo que inclua o MST 
e o MTST como organizações terroristas, a revogação do estatuto do 
desarmamento, entre outros.
No campo policial, o Delegado Marcelo Freitas, eleito por Minas Gerais, 
chega ao Congresso com uma carreira construída desde 2002 na Polícia 
Federal. Recentemente, esteve na lista tríplice da corporação para substituir 
Leandro Daiello Coimbra na direção geral da PF. Freitas é também professor 
na Academia Nacional de Polícia. Vindo de um colégio eleitoral forte como 
Minas Gerais, tem perfil para ministro da Justiça ou mesmo para o comando 
de comissão importante na área de segurança pública.
O que pode pesar contra ele é que trata-se de um caso interessante de 
hibridismo conservador dentro do PSL. Ao mesmo tempo em que defende 
“repressão qualificada” e “valorização do direito de defesa”, ele quer 
descriminalizar o usuário de drogas. Ao mesmo tempo em que prega a revisão 
da regra atual de reajuste do salário mínimo, ele defende “oferecer renda para 
quem não tem emprego, seguindo modelos da Finlândia, Canadá e partes dos 
Estados Unidos”.
Outro “moderado” nos quadros do PSL é Luiz Lima, ex-nadador. Eleito pelo 
Rio de Janeiro, capital nacional do esporte, não seria surpresa ele ocupar o 
ministério desse setor. Ele inclusive já trabalhou na pasta, mas saiu criticando 
“política viciada”. Lima pode ser o rosto adequado para um eventual esforço 
de relações públicas do governo Bolsonaro. Faz parte do movimento 
RenovaBR, aquele do Luciano Huck, e pode ser a ponte de Bolsonaro junto a 
esse grupo (Lima é um dos dois únicos filiados ao PSL entre os 133 ‘líderes’ 
do grupo). Entre os doadores de sua campanha está Abílio Diniz, dono do 
grupo Pão de Açúcar.
Daniel Freitas, segundo mais votado em Santa Catarina, também merece 
atenção. Vereador em Criciúma, ele já trabalhou no departamento comercial da 
RBS (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul) e assessorou o secretário de 
Comunicação Social de Santa Catarina. Sua especialidade é a organização de 
eventos. Tem inclusive empresa nesse ramo. Um posto na equipe de 
Comunicação Social do governo não seria uma surpresa – inclusive pela 
dívida de gratidão que Bolsonaro tem com Santa Catarina, o estado que mais 
lhe deu votos proporcionalmente em todo o Brasil.
também para Carlos Jordy, vereador de Niterói e que chega à Câmara com 36 
anos, uma oratória bastante segura e um discurso supostamente bem 
embasado para sustentar sua opção conservadora. Sua formação é em hotelaria 
e turismo, mas trabalhou durante um tempo considerável na área de licitações 
contratos públicos – inclusive no governo federal, mas como concursado. Só 
entrou para a política em 2016. Jordy se define como “conservador cultural”, 
citando A Política da Prudência, de Russell Kirk, um dos livros de cabeceira 
da turma que surfa essa onda de conservadorismo no Brasil.
Na tropa bolsonarista, há ainda o seu “quase vice”, o príncipe Luiz Philippe de 
Orleans e Bragança. Espera-se alguma recompensa maior para ele, que vá 
além do direito de circular para cima e para baixo no Congresso e seus anexos. 
Já andei bastante por lá, e aquilo cansa. Não deve ser algo digno para um 
príncipe, convenhamos.

Um comentário:

Unknown disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk vcs, são loucos mesmo, porque que só agora vcs, estão prevendo o futuro? Porque não preveram, que no governo do Lula e do PT, íamos, passa por 16 longos anos de terror. E só agora vem fazer redação de alienamento em uma única ideologia, a verdade é que vcs, não tem moral de falar sobre dignidade ou moral famíliar e princípios de valores, vcs, são loucos e acham que isso é normal, bando de mentirosos. O Brasil ou nos brasileiros precisamos de uma nova realidade essa que vcs, defendem esta falida... Falida... Falida.