sábado, 13 de outubro de 2018

Frente de Evangélicos reafirma repúdio a Bolsonaro: Não representa os cristãos


Do Facebook da Frente
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito reafirma sua posição contra a candidatura de 
Bolsonaro, reconhecendo suas propostas e falas incoerentes com a mensagem de Jesus Cristo, e 
incoerentes com a construção de uma democracia participativa, com garantias de direitos e promoção 
da justiça.
As propostas de Bolsonaro representam a barbárie, onde a violência será estabelecida como 
ferramenta de controle.
Nós, os crentes que compomos a Frente de Evangélicos, não reconhecemos nossa fé nessas bases.
A nossa fé nos faz crer no amor e na transformação.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito é um movimento, 
nascido no meio cristão evangélico, com os objetivos de promover a justiça social, a defesa de todos 
os direitos garantidos pela constituição brasileira (direitos civis, políticos, sociais, econômicos, 
culturais, etc.) e pela legislação internacional de direitos humanos, enfrentar quaisquer violações de 
direitos humanos, lutando pela garantia do Estado Democrático de Direito.
A Frente surge em um momento de grande crise, aflição, angústia e incitação ao ódio, vividos pela 
nação brasileira, com ataques frontais ao pleno exercício da democracia. A ausência de serenidade e 
cautela nestes momentos críticos tem despertado muita preocupação e teme-se que o acirramento 
provocado pela ruptura democrática venha custar mais vidas humanas.
Conquanto tenha-se entre os membros desse movimento, como em todo o universo evangélico, as 
mais diversas opiniões políticas, ideológicas e opções partidárias, há em comum a defesa da 
tolerância, da paz e da justiça, conforme a orientação das Escrituras Sagradas. Deseja-se, nesta 
Frente, se posicionar a respeito dessas questões e acontecimentos.
Todos os membros desta Frente declaram que:
• como cristãos, rejeitamos e denunciamos com veemência a corrupção, a iniquidade, a impunidade e 
o ataque ao Estado Democrático de Direito. Esses desvios fazem com que o pão não esteja na mesa 
do pobre, e deixem os enfermos e os órfãos desamparados.

• entendemos que a corrupção e a impunidade têm sido problemas endêmicos na sociedade 
brasileira. E que a indignação de todos nós contra isso é justa e profética. Contudo, rejeitamos 
igualmente toda indignação pecaminosa que suplante o ordenamento jurídico, que aja com 
parcialidade e dissemine o ódio e o desejo de vingança entre os brasileiros.

• somos favoráveis a que todos, em quaisquer posições que ocupem ou de quaisquer camadas da 
sociedade, denunciados na forma da lei por possíveis crimes, sejam investigados e julgados. Porém, 
só se faz justiça civil pela aplicação rigorosa e exclusiva da lei. Não concordamos que os ritos 
necessários para o juízo legal sejam adulterados apenas para atender ao clamor público.

• rejeitamos a postura midiática tendenciosa com divulgações editadas dos processos investigativos. 
Essa prática irrefletida apenas tem promovido dias de aflição e angústia para os brasileiros, além de 
propagar o ódio e a intolerância com quem pensa de forma diferente sobre a condução dos processos. 
Por isso, nós pedimos à nação, e em especial aos nossos irmãos em Cristo, muita cautela e 
serenidade, e que o desejo de justiça não nos torne injustos.

• exigimos respeito ao voto. Toda eleição é uma convocação e um embate entre eleitores, e o voto é o 
suporte da legitimidade. Se a escolha dos eleitores corre o risco de ser invalidada, tem de haver um 
processo segundo o ordenamento jurídico, logo, isso tem de ocorrer de forma isenta e sob o império 
da Lei. O mandato outorgado pelo povo, por meio do voto, não pode ser levianamente questionado.

• rejeitamos todo ódio. O ódio, constatado muitas vezes nos discursos de figuras públicas, incita a 
violência e isso, segundo a nossa fé, é diabólico e não pode ser admitido entre os que constituem a 
Igreja do Senhor Jesus em solo brasileiro. Cabe a todo cristão a tarefa de ter paz com todos, seja em 
serviço ao próximo, seja em tolerância com quem pensa diferente, sendo capaz de amar e interceder 
por seu oponente. Intercessão que, rogamos, seja feita por nossa nação.

• defendemos que as investigações devam continuar. Que as provas sejam coletadas e os
responsáveis sejam arguidos pelos tribunais, conforme o estabelecido nas leis brasileiras. Que não
haja privilégios para qualquer pessoa investigada, independente de posição ou partido político. Que
essas investigações não sejam parciais e seletivas, usando assim uma balança injusta.

• sabemos que os gritos de “crucifica-o” são motivados, muitas vezes, por gente mal intencionada e 
isso pode nos trair e nos levar a julgamentos precipitados. Entendemos que condenar alguém, antes 
que todo o processo investigativo seja concluso, antes que se dê amplo direito de defesa, e antes que 
um tribunal dê sua sentença final, constitui um perigoso precedente para que quaisquer poderes, seja 
o Executivo, o Legislativo ou o Judiciário, excedam os seus limites constitucionais.

• defendemos a democracia como valor inexorável da Nação e não aceitaremos que nada possa 
interferir no Estado de Direito. Queremos que a institucionalização seja observada e que prevaleça a 
serenidade necessária para que o estado democrático seja preservado.

• reiteramos que “a voz” das ruas deve ser ouvida, mas o limite é a Constituição Brasileira. Cremos 
que todos devem ser investigados, mas dentro das garantias constitucionais. Que o voto e a escolha 
da maioria devem ser honrados, como reza a lei. Cabem às instituições, designadas 
democraticamente para tal, a garantia do Estado de Direito, a fim de que quaisquer cidadãos tenham 
seus direitos respeitados.
Para tanto permaneceremos em vigília e em orações e exercendo nosso papel de sal e luz nessa 
sociedade.
Que o Senhor nos faça instrumentos da sua paz e da sua justiça.

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