sábado, 13 de outubro de 2018

CHEGA DE PICUINHAS!! A HISTORIA NÃO É FEITA PELOS CAPRICHOS DOS HOMENS


POR FERNANDO BRITO 
Leio muita bobagem – parte delas bem intencionadas, até – que atribuem o drama que atravessamos
aos “caprichos” de Lula em querer manter-se candidato e de não ter reconhecido que Ciro seria 
candidato mais bem sucedido na disputa.
Outros dizem que “faltou autocrítica” ao PT pelos desvios de conduta de alguns de seus integrantes, 
numa visão de um imaginário “leninismo católico”, numa visão de que o arrependimento produziria 
a epifania da verdade e a conversão às boas políticas.
Não nego nem a uma nem a outra atitudes importância na política, mas jamais as vejo quando 
distancio o olhar para o panorama histórico.
A presença de alguém como Jair Bolsonaro como símbolo e líder da direita brasileira não é um 
acidente provocado pela “teimosia” de Lula ou porque alguns picaretas do PT e de outros partidos 
abocanharam dinheiros públicos.
Bolsonaro é um produto, antes de tudo, da degradação da elite brasileira, que não consegue mais 
produzir valores minimamente civilizados capazes de sustentar o seu “não-projeto” para o país, o 
qual se resume, faz tempo, apenas na predação de nossas riquezas e do fruto do trabalho de nosso 
povo, na qual buscam ser os gerentes do entreposto.
Ou, no que, em uma palavra, se reduziu a economia: “O Mercado”.
As extensões burocráticas desta elite, as classes médias ligadas à burocracia estatal e privada 
sofreram, igual, este processo de degradação. E isso se expressa, com clareza solar, em todos os 
campos da cultura: literatura, música, arte em geral, nos símbolos de valor e inserção social, seja no 
consumo mais amplo, sejam nos ícones de indumentária, pertencimento coletivo, seja nos caminhos 
de identificação de valor dos indivíduos.
Tudo isso aconteceu, não apenas do período dos governos petistas, mas nos anteriores, especialmente 
na década de 90, em todos os campos – desde os mais altos, com a substituição dos capitães de 
indústria pelos “gestores de capitais” quanto no caldeirão da cultura social.
Há alguns anos, nele se jogou o ingrediente final, aquele que “engrossou o caldo”: a judicialização 
do país, criando os tribunais da inquisição que legitimaram a mídia para promover suas fogueiras de 
reputação, que levaram de roldão toda a camada dirigente da política, inclusive aqueles que lhes 
riscaram os fósforos.
Foram para o poste em meio às chamas com o monstro que ajudaram a criar.
O drama do Brasil não foi criado pela esquerda, pelo PT ou por seus erros, mas por um processo que, 
afinal, na aliança entre mídia e judiciário encontrou a forma de empalmar o poder, ainda que com a 
mais tosca de suas criaturas.
Este é o ponto central, o resto – inclusive as opções políticas de cada corrente política que, em tese, 
deveriam fluir naturalmente no confronto de 2° turno – é apenas o confeito deste bolo fétido.
São longas digressões que se deve fazer e isso não cabe no momento de combate final de duas 
semanas contra o triunfo do fascismo. Mas é importante para que não se caia num processo de 
autofagia que nos imobilize na luta.
É tudo o que querem nossos adversários, que forjaram a sólida aliança da mediocridade com o 
fanatismo.
De nós não esperem sejamos cúmplices nisso. Vamos chamar, chamar, chamar até ficarmos roucos 
todos os que têm, conosco, o dever de partilhar esta luta de salvação do Brasil.

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