sexta-feira, 4 de maio de 2018

BOTOX DOOU R$ 875 PARA DELEGADO QUE ATACOU ACAMPAMENTO PRO LULA



A campanha de 2014 do senador Álvaro Dias (Podemos), hoje candidato à Presidência, doou R$ 875 
em recursos estimáveis para a campanha do delegado Gastão Schefer Neto, 45, então candidato a 
deputado federal pelo PR. À época, Dias integrava o PSDB.
Delegado da Polícia Federal, Schefer quebrou, na manhã desta sexta (4), o equipamento de som 
utilizado por apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso na Superintendência 
da Polícia Federal em Curitiba (PR).
Recursos estimáveis são receitas recebidas diretamente pelos candidatos ou partidos, por bens ou 
serviços prestados, mensuráveis em dinheiro, mas que não são doações financeiras. É o caso de 
alguém que doa, por exemplo, gasolina para ser utilizada na campanha eleitoral.
Em 2014, Schefer conseguiu cerca de 23 mil votos e se tornou suplente. Ele já foi diretor da ADPF-
PR (Associação dos Delegados da Polícia Federal do Paraná).
Após o ataque ao acampamento Lula Livre, o delegado teria dito que estava nervoso e com 
dificuldades para dormir. Ele mora na rua Franco Giglio, na região da Polícia Federal.
Na prestação de contas de sua campanha, Schefer avaliou sua casa em R$ 80 mil. Em sites de venda 
de imóveis, as casas no local variam de R$ 200 mil a R$ 3 milhões.
Em seu perfil no Facebook, o delegado faz “check-in” em uma igreja batista e curte a página do Papa 
Francisco. Ele também segue páginas da pistola taurus 938, de um clube de tiro, da campanha do 
armamento, de uma empresa de venda de armas, do exército e do Partido Militar Brasileiro.
Entre os grupos que participa, estão “Curitiba contra o PT”, “Pena de morte sim” e “A nossa 
bandeira não é vermelha”.
Na esfera política, o delegado gosta da atual governadora Cida Borghetti (PP), de seu marido 
Ricardo Barros (PP), ex-ministro da saúde, do ex-governador Beto Richa (PSDB), do deputado 
federal Marco Feliciano (PSC) e do presidenciável Flávio Rocha (PRB).
No mundo artístico, Schefer é fã do cantor Lobão e do apresentador Danilo Gentili.
Em entrevista a uma rádio em 2014, o delegado defendeu o armamento do “cidadão de bem”, 
evocando Hitler nos argumentos.
“Hitler foi um dos primeiros a fazer desarmamento da população. Tirando as armas da população 
fica fácil de pegar e atacar, fazer o que quiser”, disse.
Questionada por jornalistas, a Polícia Federal disse que o ataque ocorreu fora da PF e que não tem 
relação com o cargo do delegado. “Problemas decorrentes de morar na vizinhança, nada a ver com 
PF. Eventual apuração cabe à PC [Polícia Civil].”
A Polícia Militar, no entanto, diz que os envolvidos foram encaminhados à PF, que teria assumido a 
ocorrência.
A organização do acampamento Lula Livre, por sua vez, já afirmou que registrará ocorrência na 4ª 
DP.

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