O advogado Ubirajara Bentes, presidente da Subseção de Santarém da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), denuncia um policial militar por ameaça de morte enquanto um advogado exercia sua
profissão. O sargento Gildson, do Grupo Tático Operacional (GTO), junto com dois cabos, teriam
sacado armas e ameaçado o presidente e o advogado Kleber Raphael Machado durante uma
ocorrência na delegacia de Polícia Civil no município.
O conflito teria acontecido na última sexta-feira (09), por volta de 17h. Um advogado foi contratado
O conflito teria acontecido na última sexta-feira (09), por volta de 17h. Um advogado foi contratado
pela família de um cliente que havia sido preso em flagrante. Ao chegar à Delegacia, o advogado viu
o sargento da PM agredindo fisicamente o suspeito, e foi até o militar para pedir que ele parasse com
as agressões. Imediatamente, o militar começou a gritar com o advogado, desrespeitando suas
prerrogativas profissionais. Em certo momento, o sargento Gildson dos Santos Soares sacou sua
arma de trabalho e teria dito "Se tu abir a boca mais uma vez, eu dou dois tiros no teu peito".
Quando a situação fugia do controle, o delegado de plantão levou o advogado ameaçado até sua sala,
em outro andar da delegacia, e ligou para o presidente da OAB em Santarém. "Cheguei ao local com
a Comissão de Defesa de Prerrogativas. Liguei para o comando da PM e eles mandaram o oficial de
dia do Batalhão da PM. Em seguida, o major que comanda o GTO também chegou à delegacia. O
sargento agressor alegava que o advogado estava preso por desacato, mas isso não existe. É
inconstitucional", conta Ubirajara Bentes.
Depois de se reunir com o delegado e definir o que seria feito em relação à ameaça, Kleber Raphael
Depois de se reunir com o delegado e definir o que seria feito em relação à ameaça, Kleber Raphael
Machado e Ubirajara Bentes desceram, indo em direção à saída do prédio. Contudo, foram
impedidos pelos policias do GTO. "Eles correram e esse sargento se posicionou na minha frente,
com o fuzil perto do meu peito. Ele disse que ia ter que ser feita uma ocorrência, mesmo depois do
delegado nos liberar. Ele e um outro cabo também ficaram evitando nossa saída! Somente quando o
major que comanda o GTO gritou com eles foi que eles baixaram as armas e liberaram a passagem,
mas eu não tenho dúvidas que eles iriam atirar", conta o presidente da OAB em Santarém.
A OAB-PA se manifestou com uma nota de repúdio publicada em seu site, assinada pelo presidente
estadual, Alberto Campos. "Todo e qualquer agente público deve respeitar a advocacia, o que
repudiamos todas as opressões e violações ao pleno exercício profissional, garantido
constitucionalmente, o que não se verificou neste episódio em Santarém", diz a nota. Em vídeo
publicado nas redes sociais, Campos afirma que entrou em contato com o secretário de Estado de
Segurança Pública e Defesa Social do Pará, Luiz Fernandes Rocha e com o comandante-geral da
Polícia Militar, coronel Hilton Benigno, solicitando o afastamento imediato do sargento Gildson e
teve seu pedido atendido. " A OAB pará não irá descansar enquanto este senhor não for
definitivamente afastado do convívio social para se reeducar", conta o presidente Alberto Campos.
Em nota, a PMPA informou que, segundo relatos preliminares dos militares envolvidos, Kleber
Em nota, a PMPA informou que, segundo relatos preliminares dos militares envolvidos, Kleber
Raphael Machado "teria desacatado os policiais e obstruído o trabalho enquanto tentava liberar os
acusados junto à autoridade policial". Na manhã deste sábado, 10, os policiais militares registraram
boletim de ocorrência contra o advogado. Da mesma forma, a PM já adotou medidas para esclarecer
as circunstâncias dos fatos por meio de sindicância. Apesar do que o presidente da OAB disse, a PM
ressalta que nenhum policial militar envolvido no caso foi afastado da Corporação e eles continuam
desenvolvendo suas atividades, porém internamente.
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