
Ex-chefe do tráfico deu entrevista sobre a INTERVENSSÃO no RJ... E diz que Temer deveria
(...) Nem foi coroado dono da Rocinha em 2004 após a morte do dono do morro Luciano Barbosa da
Ao falar sobre a situação do Rio, Nem fica em silêncio por um momento. Em seguida, dispara:
(...) Apesar de admitir que “não é santо”, para ele as autoridades “com o apoio da grande mídia”
(...) Mesmo pessimista, Nem não acredita na vitória do candidato Jair Bolsonaro, deputado federal
estar preso! Quá, quá, quá!
O Blog reproduz trechos da entrevista do traficante Nem da Rocinha ao El País:
O Blog reproduz trechos da entrevista do traficante Nem da Rocinha ao El País:
(...) Nem foi coroado dono da Rocinha em 2004 após a morte do dono do morro Luciano Barbosa da
Silva, vulgo Lulu. Seu reinado durou até a prisão, em 2011, e é tido pelos moradores e até por alguns
policiais como um período de relativa tranquilidade no local. Usando a corrupção em detrimento da
violência para se manter no controle, aos poucos Nem se tornou um dos traficantes mais populares
da comunidade. "Até hoje perguntam pra minha mãe quando eu volto pra lá!", brinca. "Como se no
dia em que eu sair da prisão eu voltarei pro tráfico". A hipótese é prontamente descartada. "Não
quero mais nada com isso, quero ficar com meus filhos, poder ir pra praia, pro teatro, aproveitar a
vida". (...)
De dentro de sua cela abafada o ex-traficante ficou sabendo com atraso e sem muita surpresa da
intervenção federal no Rio de Janeiro. “Não acho que vá dar em nada. Os problemas do Rio não se
resolvem com Exército ou polícia”, diz. De acordo com ele, tropas federais já ocuparam
parcialmente a Rocinha por duas vezes durante sua gestão na favela, sem nenhum resultado concreto.
“Você acha que não tem corrupção no Exército? Eu me lembro que alguns militares falavam pros
nossos soldados: ‘poxa, não fica com fuzil na rua não, esconde isso porque depois a gente leva
bronca do sargento”, diverte-se. Para Nem a intervenção é “mais do mesmo”, apenas outra ação
com “finalidade eleitoreira”.
Ao falar sobre a situação do Rio, Nem fica em silêncio por um momento. Em seguida, dispara:
“Você acha que os políticos não sabem como resolver o problema da violência?”. Em instantes
responde à própria pergunta. “O problema é que eles sabem que não serão reeleitos se fizerem isso.
Sabem que isso exige um investimento em educação e políticas sociais que não têm retorno na urna,
no curto prazo, mas que é algo para o médio prazo, para daqui a dez ou 15 anos. A preocupação
maior é o mandato, não é resolver nada”, desabafa.
(...) Apesar de admitir que “não é santо”, para ele as autoridades “com o apoio da grande mídia”
usam o traficante “da favela, negro e pobre” como bode expiatório, quando na verdade ele seria
apenas parte de uma engrenagem mais complexa. “E o helicoca? Quem foi preso? E o filho da
desembargadora?”, questiona, referindo-se a dois episódios recentes ocorridos no país envolvendo
traficantes brancos e de classe média. O primeiro foi a apreensão, em 2013, do helicóptero da família
do senador Zezé Perrella (PDT), que é próximo de Aécio Neves (PSDB), no Espírito Santо com
quase meia tonelada de cocaína. O segundo diz respeito à libertação (em tempo recorde) no final de
2017 de Breno Fernando Solon Borges, de 38 anos, filho de uma desembargadora que foi preso com
130 quilos de maconha e várias munições de uso restrito das forças armadas.
Sobre o atual presidente Michel Temer, do MDB, ele é taxativo: “Golpista né? Rasgaram a
Sobre o atual presidente Michel Temer, do MDB, ele é taxativo: “Golpista né? Rasgaram a
Constituição. ‘Tem que manter isso aí’ [referência à gravação sobre a suposta compra do silêncio
de Eduardo Cunha]... É uma piada. O cara deveria estar preso, imagina quanto dinheiro não rolou
pra comprar o apoio dos deputados e senadores que apoiaram o impeachment...”
(...) Mesmo pessimista, Nem não acredita na vitória do candidato Jair Bolsonaro, deputado federal
saudoso dos tempos da ditadura militar que lidera algumas pesquisas de opinião. “Eu não acho que o
brasileiro vai fazer igual o pessoal fez nos Estados Unidos, e eleger um cara como o Trump”, diz. O
ex-traficante afirma não votar há mais de década, mas se pudesse, seu voto seria do ex-presidente
Lula. “Ele fez muito por quem mais precisava, pelos mais pobres. Eu pude acompanhar na Rocinha.
Gente que trabalhava pra mim vinha pedir pra sair do tráfico e ir trabalhar nas obras do PAC
[Processo de Aceleração do Crescimento]”, relembra Nem. (...)
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