quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Equador concede nacionalidade a Assange, refugiado na embaixada do país em Londres


Com a identidade e o passaporte equatorianos, Assange passa a ter os mesmos direitos dos 
cidadãos do país, mas documentos não impedem que ele seja preso caso saia da embaixada.

Com Ansa - O governo do Equador confirmou nesta quinta-feira (11/01) que concedeu 
nacionalidade ao fundador do site Wikileaks, Julian Assange. A informação havia sido divulgada 
nesta terça (10/01) pelo jornal local El Universo. 
Segundo a chanceler equatoriana María Fernanda Espinosa, que deu uma entrevista coletiva à 
imprensa nesta quinta, o próprio australiano requisitou a documentação e o processo se iniciou no dia 
12 de dezembro. O jornal já havia afirmado que o australiano tem uma cédula equatoriana com um 
"código correspondente à província de Pichincha" e recebeu um passaporte do país no dia 21 de 
dezembro do ano passado.
Assange está refugiado na Embaixada do Equador em Londres há mais de cinco anos e é protegido 
pelas autoridades do país para não ser preso por denúncias de estupros feitas por duas mulheres na 
Suécia. As acusações foram arquivadas, mas o medo do australiano é acabar detido assim que deixar 
a sede da embaixada.
O temor do fundador do Wikileaks, que revelou milhares de documentos secretos dos Estados 
Unidos, é que a acusação seja uma "desculpa" para extraditá-lo para os EUA, onde responderia por 
vazar dados sigilosos.
Com a identidade e o passaporte equatorianos, Assange passa a ter os mesmos direitos dos cidadãos 
do país, mas os papeis não impedem que ele seja preso caso saia da embaixada.
Situação 'insustentável'
Ainda ontem, antes da revelação do jornal, Espinosa afirmou em coletiva de imprensa que a situação 
de Assange é "insustentável" do ponto de vista humano e que está planejando uma "mediação" para 
encontrar uma solução.
De acordo com ela, o mediador poderia ser "tanto um terceiro país como uma personalidade". Quito 
deseja que o Reino Unido dê um "salvo-conduto" para que Assange possa sair da nação sem ser 
preso.
Hoje, Espinosa lembrou que qualquer movimento de Assange para fora da embaixada em Londres 
precisa ser discutida antes com o governo britânico. “Gostaríamos que viesse, mas qualquer 
movimento do asilado [Assange] fora da embaixada é algo que se deve acordar com o Reino Unido”, 
disse.
Por sua vez, a Grã-Bretanha rejeitou reconhecer o "status diplomático" de Assange, que teria sido 
oferecido pelo Equador, informou um porta-voz do Foreign Office. De acordo com o representante, o 
país sul-americano havia feito a proposta para resolver o caso do australiano. Para Londres, ele só 
poderá sair do local "se decidir enfrentar a lei". 
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