
Consistência? Político declarou em programa de TV em 1999 que sonegaria o que fosse
"possível"; dez anos depois bens de Bolsonaro multiplicaram (Foto Fabio Rodrigues
Pozzebom/Agência Brasil)
Jornal GGN - Em entrevista a um programa na TV Bandeirantes, em 1999, já no seu terceiro mandato como deputado federal, Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse que uma coisa que fazia e aconselhava era sonegar "tudo que for possível", arrematando: "Se puder, não pago (imposto) porque o dinheiro vai pro ralo, pra sacanagem. Prego sobrevivência. Se pagar tudo o que o governo pede, você não sobrevive".
E parece que há consistência no que o presidenciável disse há cerca de 16 anos, observando sua vida pessoal como político. Uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo no domingo (7) revelou que o patrimônio de Bolsonaro passou de R$ 10 mil, logo quando iniciou a carreira política em 1998, para R$ 1,7 milhão em 2017, sem contar o número de imóveis em nome dele e dos seus três filhos que exercem mandato que passou de dois lotes de terra em Resende (interior do Rio) para 13 imóveis com valor de mercado de R$ 15 milhões boa parte em pontos valorizados do Rio como Urca e Barra da Tijuca. A reportagem mostra, ainda, que muitos foram registrados com valor abaixo do mercado se destacando uma casa em condomínio à beira-mar na Barra comprada por R$ 580 mil, reformada e depois de quatro meses vendida para Bolsonaro por R$ 400 mil, ou seja, com perda de 31% para a última dona.
A multiplicação de bens da família Bolsonaro chama a atenção, também, considerando o rendimento do presidenciável que recebe atualmente salário bruto de R$ 33,7 mil como parlamentar (líquido de R$ 24 mil) e um soldo como capitão da reserva de cerca de R$ 5.600 brutos.
Nesta segunda, a Folha traz uma nova matéria destacando que apesar de ter um imóvel em nome próprio em Brasília, o deputado recebe auxílio-moradia da Câmara, assim como seu filho Eduardo Bolsonaro (PSC-SP). O apartamento da família de dois quartos e 69 m² foi adquirido em 1998 e ficou pronto no início de 2000, mas Bolsonaro recebe o benefício público desde outubro de 1995 até hoje, ininterruptamente. Enquanto que, Eduardo, recebe o auxílio moradia desde fevereiro de 2015, quando tomou posse do mandato como deputado federal pela primeira vez.
O auxílio moradia é pago de duas formas, ou em espécie, sem o parlamentar apresentar recibo, mas com desconto de 27,5% sobre o Imposto de Renda recolhido, ou por meio de reembolso após apresentar recibo de aluguel ou gasto com hotel em Brasília. A família Bolsonaro utiliza a primeira forma, ou seja, o desconto no IR, recebendo cada um, R$ 3.083 por mês. Até dezembro de 2017, portanto, os Bolsonaros embolsaram R$ 730 mil, já descontado o imposto.
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