quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

GLOBO DEMITE PAULO NOGUEIRA BATISTA JR POR CRITICAR ATAQUE DA PF À UFSC


Depois de fazer duras críticas à Polícia Federal e ao governo de Michel Temer em sua coluna 
semanal em O Globo, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. soube que o jornal deixaria de 
publicar sua coluna; no texto, ele denunciava outra perseguição do governo Michel Temer, 
dando nomes aos bois inclusive, de quem o destituiu do cargo de Vice-Presidente do Banco de 
Desenvolvimento dos BRICS.

Jornalistas Livres - Depois de fazer duras críticas à Polícia Federal e ao governo de Michel Temer 
em sua coluna semanal em O Globo, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. ouviu do departamento 
de RH do jornal que, devido à linha editorial seguida pelo autor, o jornal deixaria de publicar sua 
coluna. Na publicação ele denunciava outra perseguição do governo Michel Temer, dando nomes aos 
bois inclusive, que o destituiu de forma traiçoeira do cargo de Vice-Presidente do Banco de 
Desenvolvimento dos BRICS, o qual ajudou a fundar, e depois de servir ao Brasil por mais de 10 
anos como representante junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional).
Quem revela essa história é um grupo de voluntários que criou um evento chamado “Precisamos 
Falar Sobre o Fascismo”, que acontece mensalmente no Rio de Janeiro, reunindo intelectuais e 
psicanalistas interessados na defesa dos direitos humanos e no combate ao discurso de intolerância e 
ódio.
Premonitoriamente, a última edição do evento, ocorrida segunda-feira (11/12), foi intitulada 
“Mordaça”, e Paulo Nogueira Batista Jr. teve a oportunidade de se aprofundar no tema que abordou 
em sua coluna em O Globo sobre as perseguições políticas nas instituições públicas. No dia seguinte 
ele foi demitido.
Leia a Nota de Solidariedade escrita pelo coletivo Precisamos Falara Sobre o Fascismo.
Ao longo do ano de 2017 realizamos uma série de debates intitulado: Precisamos Falar Sobre o 
Fascismo.
O projeto se originou da necessidade do enfrentamento a práticas e discursos que tinham a 
intolerância e o ódio e, consequentemente, a aniquilação à diferença como motor.
Assim, vocalizamos pontos nodais que se acirraram e, em alguns momentos, atualizaram- se 
violentamente. A pretensão de erigir o modelo homem-branco, heterossexual e burguês nos fez falar 
de nossa história escravocrata e racista, do extermínio das etnias indígenas, dos que estão à margem 
do processo produtivo, dos relegados à indigência social e excluídos da lógica do capital, dos fora da 
normatividade sexual e de suas pretensas expressões degeneradas. Enfim, as diferenças foram 
convocadas à fala.
No nosso último debate, enfrentamos as Mordaças de nossos dias.
Estavam lá falas e corpos interditados pela lógica hegemônica vigente. Um de nossos convidados foi 
o economista Paulo Nogueira Batista Júnior, que viveu recentemente não um processo de demissão, 
mas uma cassação, em toda truculência que esta palavra significa . Sua destituição do cargo de Vice-
Presidente do Banco de Desenvolvimento dos BRICS foi urdida por um governo que se alçou ao 
poder através de espúrias negociações, que são evidenciadas à luz do dia.
Se fosse legítima sua demissão, já que demissões são possíveis, por que Paulo foi cerceado em seu 
direito de defesa? Por que lhe foi negado acesso e comunicação aos seus colegas e funcionários e até 
mesmo a sua sala e ao local em que trabalhava? Por que sua presença causava tanto mal-estar e 
inquietude?
Antes de sua participação no debate, Paulo faz um relato direto e esclarecedor no jornal O Globo, 
onde mantinha coluna desde seus tempos como representante do Brasil junto ao FMI. Há nomes e 
sobrenomes em seu relato. Esta trama sórdida foi detalhada e aprofundada em sua fala no nosso 
debate.
Mas não se rasga a mordaça. Ao contrário, afirma-se a palavra interditada em um retorno à violência 
do silêncio coagido.
Paulo Nogueira Batista Júnior teve sua palavra cassada novamente pelo referido jornal, sem 
justificativas sustentáveis. Sua coluna não será mais publicada!
Foi descartado, reduzido ao silêncio desejado.
Sabemos que os bois sempre tem nome e Paulo não vai dizê-los sozinho.
Sem medo ou mordaças, estamos com ele!
Precisamos Falar, Resistir e agir sobre o Fascismo.
Reprodução da Coluna de Paulo Nogueira Batista Jr em O Globo (08/12/2017)
Barbárie
Poucas coisas são mais importantes no Brasil hoje do que apurar o ocorrido na UFSC
O estado de direito, as garantias individuais, o amplo direito à defesa, a proteção contra o abuso de 
autoridade, a presunção de inocência — tudo isso é como o ar que se respira, a água que se bebe. Só 
nos damos conta da sua importância vital quando nos são retirados.
O Brasil parece caminhar a passos largos para um estado de exceção, em que prevalecerá o arbítrio, a 
truculência, o desrespeito aos direitos humanos. A barbárie avança a olhos vistos. Nos últimos dias, 
tivemos um ataque à Universidade Federal de Minas Gerais — episódio que parece fazer parte de 
uma ofensiva contra as universidades públicas.
Mais uma vez, assistimos ao abuso da prisão coercitiva do reitor e de professores da universidade, 
uma humilhação desnecessária e ilegal. Mais uma vez, integrantes do Poder Judiciário e da Polícia 
Federal se aliaram à mídia para fazer operação espalhafatosa e arbitrária de combate à corrupção. 
universidade para expor professores à execração pública.
Ainda pior foi o que aconteceu há pouco tempo em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa 
Catarina. Prenderam o reitor Luiz Carlos Cancellier, sob a acusação de que ele estava obstruindo 
investigações. A mídia se encarregou de jogar o seu nome na lama, como corrupto e responsável por 
desvio de imensas somas. Na prisão, foi submetido a humilhações. Depois de solto, foi proibido de 
entrar na universidade.
O trabalho na universidade era sua vida. Poucos dias depois, o reitor Cancellier atirou-se do alto de 
um shopping em Florianópolis. No bolso, trazia o bilhete: “A minha morte foi decretada quando me 
baniram da Universidade!!!”. Poucas coisas são mais importantes no Brasil hoje do que apurar o 
ocorrido na Federal de Santa Catarina e punir os responsáveis pelo abuso de poder.
O caso do reitor Cancellier me tocou particularmente, leitor. É que há algumas semelhanças com o 
que eu mesmo vivenciei. Também sofri recentemente um processo administrativo irregular e 
arbitrário que levou a meu afastamento da vice-presidência no Banco do Brics em Xangai. Dou 
nome aos bois. A iniciativa foi de alguns integrantes do governo brasileiro, nomeadamente do 
presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, acolitado por Marcello Estevão, um assessor 
irresponsável e bisonho do Ministro da Fazenda. Acusaram-me, sem base, de quebrar o código de 
conduta, em alguns artigos publicados nesta coluna. Acusaram-me, também sem qualquer base, de 
ter assediado moralmente um funcionário brasileiro, um certo Sergio Suchodolski, cuja demissão 
havia recomendado por desempenho pífio no período probatório.
Depois, acusaram-me, sem provas, de obstruir investigações. Negaram-me o direito de defesa. Fui 
condenado em uma reunião de diretoria, que ocorreu pelas minhas costas, quando estava em viagem 
de trabalho. Meus funcionários foram instruídos a não fazer qualquer contato comigo. Fui proibido 
de entrar no banco, e minha sala foi lacrada.
Mas, enfim, poderia ter sido pior. Estou vivo, com saúde, próximo à família, aos amigos e aos 
correligionários. E disposto a fazer minha parte, por pequena que possa ser, na luta contra a maré 
ascendente da barbárie.
Paulo Nogueira Batista Jr. é economista e foi vice-presidente do Novo Banco de 
Desenvolvimento e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países.

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