quarta-feira, 13 de setembro de 2017

JOÃO PAULO A DIRCEU:​ AINDA HÁ TEMPO!


Vá em frente! O artigo de João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, uma 
carreira brilhante, interrompida pelo "domínio do fato" do mensalão (o do PT, porque, o do 
PSDB, o Presidente Joaquim Barbosa fez questão de enviar aos juízes dos Inconfidentes, em 
Vila Rica):

Camarada Zé Dirceu

Vivemos tempos sombrios!
Hoje, mais uma vez, você caminhará na direção de seus algozes.
Provavelmente eles não olharão em seus olhos. As meninas de suas íris terão brilho e encararão a 
toga amarrotada de vergonha.
Eles, juízes de uma causa só, olharão de esgueiro para as câmeras de TV e disfarçadamente fecharão 
suas pálpebras avermelhadas pela injustiça. Mas se manterão falsamente firmes.
E você empurrará o cabelo para trás e lembrará da bandeira do Brasil, da estrela do PT e do dia 
primeiro de janeiro de 2003. Você não abaixará sua cabeça!
Você será culpado por sonhar um Brasil para seu povo. Por organizar um partido que mudou a 
história do país e por um governo que devolveu aos trabalhadores o lugar de sujeito na história.
Você será declarado perigoso porque foi altivo, estabeleceu relações solidárias e companheiras e 
soube juntar gente para formar coletivo e andar por caminhos abertos pelas próprias mãos.
Escreverão com caneta vermelha que tu és um transgressor desde muito jovem. Que não respeitou a 
ordem, que pegou em armas e consolidou um pensamento de solidariedade entre os povos.
Será acusado de ter amizade com os sem terra, de formar dirigentes partidários, de ser companheiro 
dos sindicalistas e defender as mulheres os negros e a comunidade LGBT.
É causador de uma vitória espetacular chamada Lula, de construir um governo com a cara do Brasil 
real e implantar programas revolucionários para o momento do país.
Será incriminado por gostar da juventude e reconhecer nela o vigor das mudanças.
Camarada Zé Dirceu, és meu companheiro de muitos anos. Carregamos muitas bagagens. Brigamos, 
divergimos, mas o resultado foi sempre a soma. Fizemos planos, tabelamos e muita coisa deu certo.
Sofremos a solidão da cela, o desterro das ruas, a frieza de quem ficou e a amargura dos dias sem sol. 
Mas não desanimamos nem nos entregamos. Nos escoramos uns nos outros.
Agora assisto o seu caminhar para um julgamento já definido e não posso fazer nada. A impotência 
aflige todos nós. Sei das razões políticas para tal ato, mas a alma entristece em ver você pagar mais 
uma vez por todos nós.
Fique tranquilo, camarada: seus filhos sentirão orgulho de você!
Seus amigos e companheiros falarão de você com brio e dignidade!
É claro que ainda existem recursos para serem usados. É claro que é possível retardar o processo 
para fazer justiça. 
Mas, consumando a condenação, sei que muita gente gostaria de dividir com você o cumprimento da 
sentença.
Entendo, não é possível.
Então leve nossas memórias e cultive a esperança. Ainda há tempo.
No mais, com altivez e repetindo a crença no amanhã, digo: vá em frente, camarada Zé Dirceu. Nos 
encontraremos onde estiver um brasileiro lutando por justiça, solidariedade e igualdade.
Abraços
João Paulo

O preço do silêncio

do Psicanalistas pela Democracia
Hoje percebemos o quão caro nos custou o silêncio e o abandono do companheiro Zé Dirceu e de todos os outros às “instituições” que - naquele momento e como agora - diziam estar em pleno funcionamento. Não percebíamos, então, a serviço de quem funcionavam.
Quando nos deparamos com o espetáculo grotesco que foi o julgamento da AP 470, televisionado e comentado 24 horas por dia, com interpretações teratológicas da “Teoria do Domínio do Fato”, do absurdo de uma ministra da Suprema Corte condenar sem provas mas embasada "na literatura jurídica"  um homem à perda da sua liberdade, privando-o do convívio com sua família, impondo o silêncio de suas ideias e de sua participação política no país. Chocadas, nos perguntamos onde estava o Direito, a Justiça e que tipo de instituição era aquela que expressamente condenava inocentes.
Esperamos ouvir os gritos e protestos daqueles que se dizem operadores do Direito, das ditas instituições e organismos que falam em nome da defesa da lei e da Constituição. Nada escutamos, apenas o silêncio da omissão e da covardia. Poucos foram aqueles que se ergueram diante da tirania do Judiciário que cometeu um falso processo, deturpando conceitos jurídicos, negando provas de inocência  e o direito de defesa .
Iniciava-se na AP 470 - e no silêncio diante do arbítrio do Judiciário - o processo de mais um golpe de Estado no Brasil. Desta vez, porém, sem tanques de guerra contra a população, mas com os velhos aliados de togas da oligarquia predatória do país.
Tentaram destruir o homem, que foi abandonado por muitos de seus companheiros. Mas a lealdade deste homem é ao povo brasileiro, à luta pela igualdade social e pelo desenvolvimento do país. Por isso, Zé Dirceu não se enverga, luta pela causa dos mais humildes, possui a honra e a dignidade que só os heróis têm.
Poucos são os seres humanos como Zé Dirceu, desprovidos de egoísmos e pequenos sentimentos mesquinhos. Sua força na luta e altivez da sua honra são muitas vezes confundidas com arrogância: é o preço que tão nobre caráter paga por dedicar sua vida a lutar por um Brasil mais justo.
Já nós, o povo brasileiro, pagamos um alto preço por nosso silêncio, por nossa omissão!
Nosso país é surrupiado, nossas riquezas e futuro estão sendo roubados! Enquanto isso, continuamos a assistir o espetáculo grotesco desse Judiciário, que condena líderes valorosos sem prova e dá prêmios a homens criminosos.
O resultado do silêncio diante dos arbítrios do Judiciário na AP 470 e na Lava-jato foi a instituição de uma ditadura disfarçada, na qual estamos todos sujeitos à tirania de inúmeras togas e, consequentemente, a uma insegurança jurídica jamais vista.
Exigir que o TRF4 meramente aplique a lei ao julgar o recurso de Zé Dirceu se converte em ato revolucionário, diante da ditadura das togas que enclausuram nossas lideranças em falsos enredos jurídicos, em masmorras do silêncio e encarceram seus corpos.
Por um ato revolucionário!
Exige-se a aplicação correta da lei e da Constituição deste país para que seja declarada a absolvição de Zé Dirceu!
Giselle Mathias, advogada, Brasília
Denise da Veiga Alves, advogada, Brasília
Cleide Martins, , Brasília
Andréa Matos, química, Rio de Janeiro
Vera Lúcia Santana Araújo, advogada, Brasilia
Maria Lúcia de Moura Iwanow, professora, Brasília

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