
O prefeito de Santarém, Nélio Aguiar abrindo o evento
O seminário traz conhecimentos sobre o modelo da Economia Social e Ambiental de Mercado
para um grupo de tomadores de decisão, políticos e especialistas na região amazônica para
analisar os desafios da região e identificar propostas de soluções.
Na semana de 19/06 a 23/06, em Alter do Chão, ocorreu o Workshop “Modelo Econômico para a
região Amazônia: contribuições para a economia social e ambiental de mercado”, promovido pela
região Amazônia: contribuições para a economia social e ambiental de mercado”, promovido pela
Fundação Konrad Adenauer — KAS e sua organização parceira, o Projeto Saúde e Alegria — PSA.
Ao longo da última década, o Brasil vivenciou um período significativo de desenvolvimento
econômico e social. No entanto, ingressou nos anos recentes em uma profunda crise econômica e
política. Desigualdades sociais e econômicas tremendas permanecem até hoje. Somando a isso, ainda
há todo um desafio em torno da luta contra as mudanças climáticas e no gerenciamento sustentável
dos seus recursos naturais abundantes, entre os maiores do planeta.
Neste cenário a região Amazônica se torna o palco de todas estas contradições. Com vistas a
contribuir com o despertar de caminhos para superação desse momento difícil, com atenção à
importância e potencialidades da região, o seminário traz a experiência alemã com o modelo da
Economia Social e Ambiental de Mercado, que, segundo defende a fundação, combina a eficácia do
mercado com justiça social e permite assim um desenvolvimento econômico, social e
ambientalmente sustentável. Contudo, esse modelo ainda é pouco conhecido por boa parte das
instituições acadêmicas e na prática.
O seminário traz um conhecimento aprofundado sobre o tema para um grupo seleto de tomadores de
decisão, políticos e especialistas na região amazônica com o objetivo de analisar os desafios
específicos da região e identificar propostas de soluções.
No primeiro dia do evento, Jan Woischnik, representante no Brasil da KAS, apresentou o trabalho da
No primeiro dia do evento, Jan Woischnik, representante no Brasil da KAS, apresentou o trabalho da
fundação e juntamente com o coordenador do Projeto Saúde e Alegra, explicou o objetivos do
seminário. O prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, também prestigiou o evento.

Jan Woischni, representante da KAS
Jan Woischnik explicou que a KAS é uma fundação política, que atua apoiando projetos

Jan Woischni, representante da KAS
Jan Woischnik explicou que a KAS é uma fundação política, que atua apoiando projetos
socioambientais, mas principalmente compartilhando conhecimentos sobre políticas públicas de seu
pais.
Caetano contou que a KAS foi uma das primeiras fundações a apoiar o PSA num período de crise no
Caetano contou que a KAS foi uma das primeiras fundações a apoiar o PSA num período de crise no
país após o Governo Collor. A partir deste apoio o projeto ganhou força e se estruturou com ações
voltados para o desenvolvimento sustentável das comunidades ribeirinhas onde atua. E que a relação
foi sempre de diálogo e compartilhamento de conhecimentos mútuos.
Foi nesse sentido que surgiu a proposta do evento, para colaborar no debate sobre o desenvolvimento
Foi nesse sentido que surgiu a proposta do evento, para colaborar no debate sobre o desenvolvimento
da Amazônia. “Muitas vezes o debate gira apenas em torno da crítica ao atual modelo econômico
vivido no pais, que repercute em boa parte negativamente na Amazônia, gerando alto impacto
ambiental e baixo retorno social, mas pouco se discute a modelo de economia que queremos. Ao
mesmo tempo é preciso olhar com novas lentes, não se trata de copiar modelos de outros países, mas
de aprender com eles” explicou Caetano.

Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria
Em seu artigo feito para o evento, Caetano afirma que se “por um lado, a Amazônia supre o Brasil e
o Planeta com produtos florestais, agropecuária, minérios, energia, além de serviços ecossistêmicos
fundamentais para a regulação climática— estima-se que ela contribui com aproximadamente 20%
de toda água que flui dos continentes para os oceanos e que suas árvores evaporam diariamente 20
bilhões de água doce que seguem regiões afora nas forma de rios voadores, evitando a aridez e
garantindo terras férteis… Por outro lado, tais riquezas não se converteram em benefícios concretos
para o amazônida. Mesmo com avanços nas últimas duas décadas, quase metade dos seus habitantes
continua vivendo abaixo da linha de pobreza”.

Para explicar o conceito de economia social e ambiental de mercado, a KAS convidou Marcus
Marktanner, professor Associado de Economia e Gerenciamento de Conflitos Internacionais,
da Universidade Estadual de Kennesaw.
Para ele o conceito da Economia Social de Mercado busca equilibrar a liberdade no mercado com o
desenvolvimento social equitativo. Surgiu entre as guerras mundiais, quando o país vivenciou a
Grande Depressão, e se constatou que o capitalismo sem interferência governamental foi
considerado falho, causando mais danos do que benefícios. Ao mesmo tempo, o socialismo e o
fascismo estavam em ascensão. O conceito foi desenvolvido como um sistema econômico que visa
evitar o totalitarismo dos dois. O objetivo principal era aprender com os erros do capitalismo livre de
interferências governamentais e corrigir os fracassos do mercado livre para que a liberdade do
mercado e o desenvolvimento social equitativo possam caminhar lado a lado. Ele defende que
“embora a Economia Social de Mercado tenha sido desenvolvida na Alemanha para a Alemanha pós-
Segunda Guerra Mundial, ela não é um modelo alemão. É mais como um carro alemão que foi
desenvolvido e montado na Alemanha, com muitos componentes de todo o mundo e que pode ser
dirigido em todas as estradas do mundo”.
Ao logo do evento os participantes vão poder compartilhar informações e conceitos em busca de
novos paradigmas para pensar a economia na Amazônia. Para começar os debates, foi proposto o
tema: a “Amazônia real e ideal: Desafios para um modelo econômico sustentável e includente”. Os
participantes discutiram em grupos sobre quais são os principais entraves, as principais
potencialidades e quais seriam os caminhos entre o real e o ideal para alcançá-lo.
Em seguida, uma mesa mediada pelo jornalista Dal Marcondes, da Envolverde, profundou o assunto,
Em seguida, uma mesa mediada pelo jornalista Dal Marcondes, da Envolverde, profundou o assunto,
com a participação dos convidados Caio Magri (Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade
Social), Vitor Leal (Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário), Joaquim Belo (CNS —
Conselho Nacional das Populações Extrativistas) e Joci Aguiar (GTA — Rede Grupo de Trabalho
amazônico).

Vitor Leal, Joci Aguiar, Caio Magri, Dal Marcondes e Joaquim Belo
O evento que terminou com o dia de Campo na Resex Tapajós Arapiuns trouxe o inicio de um ciclo de novas discussões que possam esboçar e nortear diretrizes, reflexões, caminhos e propostas para as políticas econômicas e socioambientais rumo a um modelo de desenvolvimento includente, harmônico e sustentável para a Amazônia e seus povos.

Vitor Leal, Joci Aguiar, Caio Magri, Dal Marcondes e Joaquim Belo
O evento que terminou com o dia de Campo na Resex Tapajós Arapiuns trouxe o inicio de um ciclo de novas discussões que possam esboçar e nortear diretrizes, reflexões, caminhos e propostas para as políticas econômicas e socioambientais rumo a um modelo de desenvolvimento includente, harmônico e sustentável para a Amazônia e seus povos.
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