segunda-feira, 20 de junho de 2016

TEMER E A PERSEGUIÇÂO AOS INDÍGENAS



Jornal GGN – Em artigo para o Blog da Boitempo, o historiador e cientista político Luiz Bernardo Pericás fala sobre a crescente perseguição às comunidades indígenas no breve período do governo interino de Michel Temer. Dilma ficou devendo muito nessa questão. Seu governo foi o que menos reconheceu terras indígenas desde a redemocratização. Mesmo assim, a avaliação dos povos originários é que com a Temer a situação vai piorar.
Isso porque o interino tem em seu governo antagonistas históricos das causas indígenas. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, trata os protestos de movimentos sociais como “atos de guerrilha”. E já mandou avisar que está revendo as demarcações de terras que foram feitas nos últimos dias antes do afastamento de Dilma Rousseff pelo Senado.
Além dele, o ex-ministro interino do Planejamento, Romero Jucá, tem projeto de lei tramitando no Senado com o objetivo de simplificar o licenciamento ambiental, inclusive para obras de mineração. “Hoje, mais de 50% da superfície ianomâmi está requisitada por mineradoras. A filha de Jucá, sócia majoritária da Boa Vista Mineração, teve 90.000 hectares requeridos”, recordou Bernardo Pericás.
Para ele, a bancada ruralista no Congresso se sente muito a vontade com Temer. Entre eles, o deputado federal Luís Carlos Heinze, que incitou colegas fazendeiros à violência contra os tupinambá da Bahia. Ele afirmou que está “trabalhando para desmontar a farsa da questão indígena” e que “agora, com o novo ministro da Justiça”, se empenharão para “mudar a direção da Funai”.


ATIRARAM PARA MATAR


Jornal GGN - No último dia 16, dois dias após ao ataque a indígenas da etnia Guarani e Kaiowa, no Mato Grosso do Sul, uma comitiva de deputados que integram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal colheu relatos sobre a brutalidade dos fazendeiros contra o comunidade que tentava retomar uma propriedade demarcada pelo governo federal no início do ano com ocupação.
Segundo a apuração da comitiva, os fazendeiros, acompanhados de pistoleiros profissionais e centenas de caminhonetes, "atiraram para matar". "Os conflitos ocorreram na aldeia Ivu/Amambaipeguá, a 20 km da cidade de Caarapó, onde índios procedem ao que chamam de retomada, processo em que ocupam terras habitadas por suas etnias no passado. O ataque resultou na morte do agente de saúde indígena Clodiode Rodrigues Souza, de 20 anos, e em mais cinco feridos, incluindo uma criança atingida na barriga", publicou a Agência Câmara.
A comitiva foi composta pelos deputados Padre João (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e Zeca do PT (PT-MS). A passagem dos parlamentares pelo hospital que acolheu os feridos constatou que, àquela altura, a polícia ainda não havia comparecido ao local para investigar os crimes, o que foi classificado como um "comportamento diferente do padrão" por funcionários da instituição.
"De acordo com as vítimas, quem participou do ataque foi um fazendeiro chamado Virgílio. Conforme relatam, no dia anterior Virgílio foi, acompanhado por policiais do Departamento de Operações de Fronteira, da Polícia Militar, e da Polícia Federal, tentar convencer os indígenas a sair das terras ocupadas. Como não houve acordo, asseguram que ele jurou voltar para resolver do meu jeito", publicou a Câmara.
Ainda de acordo com a Câmara, Eliezer Benotes relatou que os fazendeiros “atiraram sem piedade, não para assustar, mas para matar”, além de queimaram uma oca, motos e todos os pertences indígenas, que depois enterraram em valas, como constataram os deputados.
A líder da comunidade Valdelice Veron reforça não ter se tratado de confronto, embora poucas armas tenham sido encontradas em posse de indígenas. “É ataque dos pistoleiros a mando dos latifundiários, somos perseguidos por sermos indígenas, mas não vamos recuar, porque essa terra é de nós, Kaiowá e Guarani”, sentenciou.
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