quarta-feira, 8 de junho de 2016

PORQUE O TOSCO ROBERTO (JETÂO) FREIRE E UM FERRENHO DEFENDOS DO INTERINO TEMER


Freire, uma das nadegas de Zé Bolinha 

por : Jose Cassio

Roberto Freire (PPS-SP) é um dos mais empolgados defensores de Michel Temer e de José Serra.
O deputado federal é uma espécie de comprovação didática de dois clássicos da vida pública 
nacional: o de que a esquerda por aqui é uma farsa e que por trás de toda e qualquer representaç
ão popular no país existe, sim, um mandatário cuidando de interesses particulares, responsável por 
apontar o dedo para os adversários e projetar neles os “próprios defeitos” – para usar uma máxima 
psicanalítica consagrada por Freud.
Roberto Freire, como conhecemos em São Paulo, é uma invenção tosca de Serra.
A prova que faltava para mostrar que o ministro interino mente quando diz que a pasta das Relações 
Exteriores está a “serviço do Brasil e não das conveniências de um partido político e de seus aliados”.
Se não foi por conveniência, que motivo levou Serra a abrir as portas dos conselhos das estatais da 
prefeitura de São Paulo, e depois do governo do Estado, para entregar a Freire e seus apaniguados – 
o atual ministro interino da Defesa, Raul Jungmann, entre eles – sinecuras diversas entre os anos de 
2005 e 2010? Espírito público?
Note como Serra e Freire repetem à exaustão o falso discurso de que o PT aparelha a administração e 
incha a máquina pública com nomeações partidárias, mas não se importam em manter as próprias 
aparências.
Como o interino das Relações Exteriores, Freire nada mais é que o retrato fiel desse descompromisso.
Desde o golpe militar, em 1964, ele convive numa boa com os governos de plantão – exceção do 
último período sob Lula e os dois mandatos de Dilma.
O exemplo mais recente é a sua aproximação com Temer.
Antes mesmo de o presidente interino lograr êxito no golpe, Freire já mexia os pauzinhos na 
tentativa de garantir uma vaga no ministério.
Num artigo na semana passada, chegou a dizer que “o novo governo transmite confiança à sociedade 
no momento em que deixa clara sua tolerância zero contra denúncias ou suspeitas de malfeitorias”.
Prosseguiu lembrando Itamar Franco.
“Seguindo o exemplo virtuoso dele, que também assumiu a Presidência após um processo de 
impeachment, Temer afastou dois ministros flagrados em gravações telefônicas em que conversavam 
com investigados na Operação Lava Jato. Ao contrário dos tempos do lulopetismo, o presidente 
demonstra que não haverá qualquer contemporização em relação a auxiliares envolvidos em 
suspeições”.
Freire cumpre atualmente, na condição de suplente, seu segundo mandato como deputado federal por 
São Paulo.
Mesmo procurando com lupa, você não vai encontrar nada relevante que tenha feito pelo Estado. 
Talvez venha daí a sabedoria popular de tirar-lhe 60 mil votos em quatro anos – de mais de 120 mil 
em 2010, recuou para míseros 62 mil na tentativa de reeleição em 2014.
Aos 74 anos, esse período de suplência é provavelmente o último do ex-comunista no Congresso.
Em 2018, certamente não terá pique para uma nova tentativa por São Paulo, tampouco fará sentido 
voltar para seu Estado de origem, Pernambuco, para candidatar-se novamente.
Será o fim daquilo que se convencionou chamar em Brasília de a era da “bancada da madrugada”, o 
verdadeiro papel ao qual Freire sempre se prestou: de dia se diz oposição e de noite negocia no 
escurinho do governo.
Tem sido assim desde 1970, no horror da ditadura, quando Médici o nomeou procurador do Incra 
(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).
Imagina só: um advogado de apenas 28 anos, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e um 
dos organizadores das primeiras ligas camponesas da zona da Mata, nomeado por Médici para um 
cargo importante no órgão responsável por barrar a reforma agrária.
Dois anos mais tarde, sempre no PCB e no Incra de Médici, candidatou-se a prefeito de Olinda pelo 
MDB, mas acabou derrotado.
Em 74, elegeu-se deputado estadual com 22 mil votos e, quatro anos depois, numa condição sui 
generis, conquistou o seu primeiro mandato na Câmara dos deputados, em dobradinha com Pedro 
Mansueto de Lavor, um então padre conservador do interior – o ateu Freire pedia voto para o padre 
na capital, enquanto Lavor corria o trecho no interior para garantir apoios ao tradicional 
representante do PCB.
Seguidamente reeleito, Freire foi deputado constituinte em 1986 pelo PCB, aliado de primeira hora 
do governo Sarney, no qual foi integrante de uma comissão parlamentar na antiga União Soviética.
Entretanto, Freire desgarrou-se do grupo e passou o tempo todo passeando por Moscou, já que tinha 
uma filha morando na capital russa. Ainda assim, não abriu mão todas as diárias a que tinha direito.
Nas eleições de 1989, quando Collor venceu, Freire fez papel de bom moço e recebeu financiamento 
de um aliado de Sarney — o ex-deputado Roberto Cardoso Alves, o Robertão.
Como esse dinheiro não havia aparecido na prestação de contas da campanha, Robertão alegou que 
fez a doação em bois para um churrasco. Claramente uma história para boi dormir. O fato é que 
Freire foi o único que não atacou Sarney.
No mais, Freire, além de ser o presidente partidário mais longevo do país, numa clara conotação de 
que o PPS é o seu meio de vida, é apenas mais um político profissional disposto a ficar do lado de 
quem lhe dá mais (Serra que o diga).
Encara a política como jogo – o que não é surpreendente para alguém viciado em carteado que vive 
no Conrad Punta del Este, um luxuoso resort localizado no Uruguai – onde, para evitar dar na vista, 
se hospeda com o nome de João Pereira, aproveitando que seu nome de batismo é Roberto João 
Pereira Freire.
Bem, contanto que não use dinheiro público, Freire pode, sim, transferir seus joguinhos para lá.
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