quinta-feira, 16 de junho de 2016

E EIS QUE A GLOBO JATO RESVALA NO ROLA BOSTA... SERÁ QUE VEM AO CASO Dr MORO?


Qual a origem do dinheiro da revista dele?

por : Paulo Nogueira

E eis que a Lava Jato resvala em Reinaldo Azevedo, através de Luiz Carlos Mendonça de Barros, um 
dos homens fortes de FHC na economia.
Sergio Machado citou Mendonça de Barros em sua delação. Mendonça de Barros, coordenador da 
campanha de reeleição de FHC, teria providenciado 4 milhões de reais — em dinheiro da época — 
para que Aécio financiasse 50 candidatos a deputados federais que lhe permitissem virar depois 
presidente da Câmara.
Mais ou menos na mesma época, Mendonça de Barros estava montando uma revista chamada 
Primeira Leitura, em que Reinaldo Azevedo foi uma figura capital.
De onde veio o dinheiro para o lançamento da revista? De sobras de campanha?
É uma pergunta interessante e pertinente.
Em 2004, Mendonça de Barros deixou a revista, que nunca chegou a decolar nem em público e nem 
em prestígio. Ele provavelmente cansou de colocar dinheiro — fosse dele mesmo ou de sobras de 
campanha.
A Primeira Leitura continuou mesmo assim, com Reinaldo Azevedo no timão.
A vida pós-Mendonça não foi nada fácil no quesito financeiro. Virou notícia uma mãozinha dada 
pelo governo Alckmin por meio de publicidade da Nossa Caixa.
Alckmin é sempre generoso, com o dinheiro público, quando se trata de mídia amiga, por mais 
irrelevante que seja. Soube-se também, há não muito tempo, que um site chamado Implicante, 
dedicado a atacar o PT, era bancado por Alckmin.
Mas nem assim a revista sobreviveu.
Numa entrevista de 2006 ao Observatório da Imprensa, Reinaldo Azevedo tentou explicar os 
anúncios da Nossa Caixa. Eles eram no mínimo estranhos. Que a Nossa Caixa estava fazendo numa 
revista supostamente sofisticada, lida por pessoas que hoje seriam classificadas como coxinhas?
Azevedo tergiversou. Disse que os números justificavam. Falou em 2 milhões de acessos do site da 
Primeira Leitura. Ora, apenas como referência, o DCM tem dez vezes mais que isso.
Na entrevista, ele teceu elogios entusiasmados à Veja. “Eu gosto muito da Veja. Se fizesse uma 
revista semanal, gostaria que ela fosse como a Veja”, afirmou. Disse que não se tratava de pedido de 
emprego, mas o fato é que os elogios funcionaram exatamente como isso.
Ele acabaria inaugurando na Veja, ao lado de Diogo Mainardi, o colunismo de famulagem: a defesa 
estrepitosa é intransigente dos interesses dos patrões. Uma carreira medíocre alçou vôo assim.
Acabaram-se, na Veja, seus problemas de dinheiro. Até porque a Abril tinha notável domínio na arte 
de mamar em dinheiro público — de anúncios a financiamentos do BNDES, da venda de livros e 
assinaturas a isenções fiscais como o papel imune.
Fica agora por esclarecer o dinheiro que sustentou a Primeira Leitura de Mendonça de Barros e 
Reinaldo Azevedo.
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