segunda-feira, 20 de junho de 2016

CIRO: BRASIL TEM QUADRILHA DE LADRÕES NO PODER


Pré-candidato à sucessão presidencial em 2018, Ciro Gomes rechaça a proposta de eleições 
antecipadas – o que considera um "marinismo" – e diz que, hoje, o Brasil tem apenas duas 
opções: a legalidade, com a volta de Dilma, ou o golpe, com Temer; "Será que as pessoas não 
estão vendo que estão afastando uma presidente decente, contra a qual inventam um pretexto 
injurídico, que é a tal pedalada fiscal, para colocar no poder, sem voto, uma quadrilha de 
ladrões, de bandidos orgânicos da vida republicana contemporânea brasileira?", questiona; 
Ciro diz que foi uma irresponsabilidade do ex-presidente Lula colocar o PMDB na linha de 
sucessão da República e bate duro nos candidatos tucanos; segundo ele, Aécio Neves "vai se 
acabar" na Lava Jato e Serra é um "mau-caráter"

247 – Em entrevista ao jornalista Fernando Taquari, do Valor, o ex-ministro Ciro Gomes, pré-
candidato à sucessão presidencial, criticou a proposta de eleições antecipadas e também a política de 
alianças do PT nos últimos anos, que teria provocado a crise atual. Segundo ele, sua pré-candidatura 
pelo PDT é uma "obrigação moral" com o país. "Me sentiria um covarde se, com a experiência e a 
vida limpa que tenho, com a compreensão e as conexões que tenho com o mundo acadêmico 
nacional e internacional, se me omitisse por qualquer razão ou conveniência", afirma.
Na entrevista, Ciro explicou por que defende a volta de Dilma, sem que ela convoque eleições 
antecipadas. "Antes de mais nada, não interessa se é a volta da Dilma, do Lula ou do PT. A gente 
precisa perceber o valor intrínseco da legalidade, da estabilidade das regras, para que o elemento 
maravilhoso que produz milagres ciclicamente, que é a presença do povo no processo político, 
aconteça, rompendo com a plutocracia escravocrata alienada que há no Brasil", diz ele.
Para Ciro, o impeachment colocou uma verdadeira quadrilha no poder. "Será que as pessoas não 
estão vendo que estão afastando uma presidente decente, contra a qual inventam um pretexto 
injurídico, que é a tal pedalada fiscal, para colocar no poder, sem voto, uma quadrilha de ladrões, de 
bandidos orgânicos da vida republicana contemporânea brasileira? Não tem nenhum exagero no que 
estou falando. Conheço eles todos. Fomos contemporâneos nas diversas tarefas que tive, em 
antagonismo ou junto, porque o Lula me obrigou a ser parceiro desses calhordas. Isso eu não perdoo. 
Aliás, colocar o lado quadrilha do PMDB na linha de sucessão é uma responsabilidade do senhor 
Luiz Inácio Lula da Silva."
Temer como trambolho
Ciro diz, ainda, que Temer é uma espécie de "trambolho" no meio do caminho das forças golpistas. 
"O conjunto de forças que determinou o golpe não se reuniu em favor de Temer nem em prol de uma 
alternativa de neoliberalismo mofado. Foi uma coisa contra Dilma. Temer é um trambolho no 
caminho, a quem se dá um crédito, que está se esvaindo muito rapidamente, para que ele cumpra 
tarefas que só são conciliáveis em antagonismo", diz ele. "O sindicato dos políticos quer o fim da 
Lava-Jato por razões óbvias. Isso não será entregue porque há um problema aí. O camarada faz uma 
delação premiada para se defender e atenuar sua pena e compromete os demais. A segunda tarefa, 
que também não será entregue, é ditada pelos rentistas, que querem gerar excedentes a qualquer 
preço, a qualquer custo, qualquer que seja a contradição. Só que Temer pensa o oposto. Ele é 
fisiológico e clientelista. Haja visto o aplauso que ele pede, quando o Congresso, na contramão desse 
ambiente, cria 14 mil cargos numa madrugada e dá reajuste para as grandes corporações."
Ciro também bateu duro nos pré-candidatos tucanos. "O PSDB vai para autoimolação. O Napoleão 
Bonaparte dizia que os maiores erros estratégicos que cometeu foram porque supunha que um 
adversário conhecia seus próprios interesses. Assim está o Aécio no PSDB. Vai se acabar nessa 
brincadeira. O Serra, que é um grande mau caráter, aposta todas as fichas nesta eleição, porque é um 
velho, de 77 anos, obcecado por jogar a última cartada. Quer ser o Fernando Henrique do Itamar 
Franco, o que é uma ilusão grosseira. Nem ele é o FHC, nem Michel Temer é o Itamar."
No campo econômico, Ciro defendeu uma agenda desenvolvimentista e a volta da CPMF. "Ela 
deveria voltar, não porque é um tributo bom. É porque subtraíram do orçamento público a CPMF e 
15 dias úteis depois a quadrilha que hoje comanda o Congresso votou a regulamentação da emenda 
29, que define percentuais mínimos de investimento em saúde por União, aumentando em R$ 70 
bilhões o gasto com a área."
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