sábado, 18 de junho de 2016

A CONFISSÃO DE JOÂO PLENÁRIO


Não importa se Dilma pedalou ou não

por : Paulo Nogueira

Foi divertido ver um vídeo de Gilmar Mendes na Suécia, feito pelo Cafezinho.
O que ele foi fazer lá é irrelevante.
O que importa foi o que ele disse a um jornalista contratado pelo Cafezinho, Wellington Calasans. 
Disse gaguejando, aliás. Como notou Miguel do Rosário, editor do site, Gilmar estava longe de sua 
zona de conforto. Não estava dando entrevista por seus amigos da Globo, da Folha, da Veja, aquele 
tipo de coisa em que está tudo combinado.
A Toga Falante, como ele está sendo chamado nas redes sociais, vacilou.
Mas o realmente extraordinário foi a admissão do seguinte: o processo de impeachment é uma farsa. 
Um circo. Uma palhaçada.
Ele não usou exatamente estas palavras, claro, mas foi isso o que gaguejou.
Se Dilma cometeu ou não o crime de que é acusada — as pedaladas — não quer dizer nada, 
confessou Gilmar. O que vale, unicamente, é que ela não teve os votos necessários na Câmara para 
deter a ação do sindicado de ladrões montado por Eduardo Cunha.
Ora, ora, ora.
O ministro Luís Barroso dissera algo parecido alguns dias antes. Parece ser algo ensaiado no STF 
para justificar a indecente omissão no golpe. Os juízes deliberam sobre pipoca no cinema, mas se 
acoelham e silenciam diante de um golpe de Estado. E o infame Toffoli tem a petulância de dizer 
que falar em golpe é ofender as instituições brasileiras.
O parecer pelo impeachment pelo qual Janaína recebeu 45 mil reais do PSDB não é nada. Todos os 
debates em torno das pedaladas são nada. Todas as sessões na Câmara e no Senado são nada. Todas 
as declarações de corruptos como Aécio e FHC são nada.
É um julgamento de mentirinha, portanto. É o avesso da real justiça. É como os julgamentos de 
Stálin na década de 1930 em que o veredito era conhecido assim que o processo era aberto.
É um julgamento paraguaio, numa palavra.
54 milhões de votos foram triturados numa encenação criminosa que se arrasta há meses.
Qual o custo disso para o país? Quem vai pagar por ele?
Talvez o próprio Gilmar possa responder a essa questão numa próxima ocasião — caso não esteja 
falando com amigos da Globo.

Abaixo, a entrevista exclusiva com Gilmar Mendes, feita por Wellington Calasans, filmada por 
Pedro Gomes, especialmente para o Cafezinho.
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