quinta-feira, 12 de maio de 2016

ZÉ RUELA CARDOZO NA AGU BATEU TODOS SEUS RECORDES LEVOU 7 a 1 TODO DIA


As últimas palavras da defesa no Senado

por : Kiko Nogueira

Consumado o golpe, não mais se ouvirá como antes a voz de José Eduardo Martins Cardozo. No
Senado, em suas últimas palavras, reiterou que o impedimento transforma Brasil na “maior república 
das bananas do planeta”.
“No presidencialismo se exigem pressupostos jurídicos que permitam que um governo 
legitimamente eleito tenha seu mandato extinto. Somente quando os pressupostos se configuram é 
que se pode afirmar o juízo político acerca da conveniência e ou da inconveniência da permanência 
do chefe do Executivo”, disse.
Nada disso é culpe dele, obviamente. Mas Cardozo foi uma nulidade. Ele é daqueles casos 
inexplicáveis em que um sujeito tem um desempenho medíocre numa função e, ao invés de ser 
demitido, é promovido a outra tão importante quanto.
Como ministro da Justiça, presidiu a era do republicanismo lelé. Em cinco anos, pouca gente 
descobriu o que ele fazia, inclusive o próprio. A Polícia Federal deitou e rolou. Ele foi desafiado, 
desmoralizado, desautorizado. Sequer reclamou publicamente, como fez seu substituto Aragão. 
Quando a coisa apertava, dava entrevista para a Veja sobre outros assuntos.
Homem de confiança absoluta de Dilma, foi premiado com a Advocacia Geral da União. Eu mesmo 
confesso que, num primeiro momento, me impressionei com a eloquência, o suposto preparo etc. 
Podia ser a redenção dele. Encontrara seu lugar.
Mas cheguei, numa conversa com meu sobrinho Jônatas, à conclusão óbvia: advogado bom é 
advogado que ganha. É mais ou menos como os atacantes “tecnicamente excelentes” do Casagrande. 
Batem com a direita e a esquerda, cabeceiam, preparo físico invejável, inteligentes ainda por cima — 
e não fazem um mísero gol.
Tudo estava contra. A orquestra do STF estava afinada. Etc etc. Cardozo, porém, não emplacou uma. 
7 a 1 todo dia.
E, se no ministério não deu, o que se poderia esperar dele como articulador político? Juntamente com 
Flávio Dino, governador do Maranhão, ele municiou Waldir Maranhão de argumentos para que ele 
anulasse a sessão do impeachment na Câmara. Absolutamente legítimo, aliás.
Maranhão anulou a votação — e acabou recuando em menos de 12 horas. “Ele sofreu ameaça de 
expulsão do partido e de cassação sumária apenas porque tomou uma decisão compatível com as 
prerrogativas do cargo que exerce”, reclamou Cardozo a posteriori.
Ora, que surpresa. Então Cardozo convenceu Waldir Maranhão, mas esqueceu de avisar o que 
poderia acontecer? Ou prometeu que tudo seria beleza pura? Ou, ainda, prometeu o que não podia 
dar?
O que vai ser do Brasil de Temer daqui para a frente é uma incógnita feia. Mas desejo fortemente 
que você e os seus, em necessidade, não dependam dos serviços de José Eduardo Cardozo.
Na ótima série “Better Call Saul”, o protagonista conta uma série de piadas para irritar o irmão, um 
famoso causídico. Uma delas é muito boa.
— Se você vê um advogado numa bicicleta, por que não deve atropelá-lo?
— Porque pode ser a sua bicicleta.
_____________________________________________________

Nenhum comentário: