sexta-feira, 13 de maio de 2016

O QUE ESTÁ VINDO AÍ ...



Do Sul 21 Brigada Militar encerra com bombas de gás manifestação pacífica contra o PMDB

Um protesto organizado pelo Levante Popular da Juventude que iniciou em frente à sede do PMDB 
em Porto Alegre terminou em correria na Cidade Baixa, após a Brigada Militar arremessar bombas 
de gás lacrimogêneo e de efeito moral pelo menos cinco vezes em direção a centenas de 
manifestantes. Eles realizavam ato contra a posse de Michel Temer, que assumiu interinamente a 
presidência do país nesta quinta-feira (12), e também contra o presidente afastado da Câmara dos 
Deputados, Eduardo Cunha, réu na Lava Jato, em manifestação que começou na sede do partido, na 
avenida João Pessoa, e seguiu em direção ao Largo Zumbi dos Palmares.
O ato foi acompanhado pela Brigada Militar desde o princípio, inicialmente com cerca de 20 
policiais, a maioria do batalhão de choque, mas ao começarem os arremessos esse número já havia 
aumentado. A mobilização seguia pacificamente e os manifestantes trancavam por alguns minutos a 
rua Loureiro da Silva quando foi disparada a primeira bomba de gás lacrimogêneo, para “destrancar 
a via”.
Enquanto os ativistas corriam em direção à rua José do Patrocínio para escapar das bombas, 
comerciantes começaram a fechar as portas de estabelecimentos na Cidade Baixa. Na sequência, o 
grupo se reuniu na rua Sarmento Leite com a José do Patrocínio e os policiais novamente jogaram 
bomba. Depois de se dispersarem, os manifestantes chegaram na Rua da República com José do 
Patrocínio, quando a Brigada Militar apareceu e lançou mais bomba de gás lacrimogênio. Foi o 
momento mais tenso, já que o ataque foi próximo a duas escolas de Educação Infantil, que ficam na 
rua da República. Era o horário em que as mães e crianças saíam das instituições. Assustadas, muitas 
correram com os filhos no colo.



Cerca de meia hora após o início dos ataques, mais bombas foram jogadas, dessa vez de efeito moral, 
na esquina das ruas da República com Lima e Silva. Um grupo bem menor de manifestantes se 
concentrou no local, quando integrantes do Batalhão de Choque os dispersaram, novamente usando a 
mesma tática. Toda vez que os manifestantes fechavam as ruas, a Brigada Militar desobstruía de 
forma truculenta. Na Lima e Silva, uma mulher que passava pelo local e tentou atravessar a rua foi 
impedida por um brigadiano, que chegou a apontar uma arma para ela, que se identificou como 
policial civil. Um outro policial interveio e liberou a mulher para passar.
Depois da dispersão, manifestantes voltaram à Lima e Silva com a República e protestaram contra a 
truculência da Brigada Militar: “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar.” 
Pessoas que estavam em bares foram para as calçadas e muitas delas criticaram a postura dos 
policiais. Os manifestantes sentaram no chão, interrompendo o trânsito. Os policiais que tinham se 
afastado do local retornaram e a cavalaria avançou contra o grupo. Do outro lado, apareceu o 
Batalhão de Choque que avançou contra algumas pessoas que estavam na calçada e teriam 
protestado contra a agressividade da Brigada, jogando spray de pimenta. Por volta das 20h, a policia 
permanecia na esquina das duas ruas. Na calçada da Lima e Silva, policiais do Batalhão de Choque 
se enfileiravam. Já na República, brigadianos a cavalo permaneciam também na calçada, além de 
viaturas nos arredores. Os poucos manifestantes que ainda não tinham se dispersado permaneciam 
em outro lado da calçada, gritando palavras de ordem contra a polícia: “Golpistas, fascistas não 
passarão!”


A ação dos policiais assustou quem passava pela Cidade Baixa, que estava cheia de gente 
transitando pelas ruas|Foto: Guilherme Santos/Sul21

Manifestação na sede do PMDB
A exemplo do que aconteceu em outros Estados, o ato na Capital contra Temer e Cunha ocorreu em 
frente à sede do PMDB. Por menos de meia hora, os manifestantes permaneceram na calçada em 
frente ao local e protestaram contra o presidente interino da República. “Temer nunca será 
presidente, será sempre um golpista”, gritaram em coro os militantes. Na calçada, os ativistas 
pintaram as frases “Fora, Temer” e “Cunha na cadeia.” Os manifestantes encenaram uma esquete 
com Cunha e Temer rasgando a Constituição.
“O que aconteceu hoje foi a efetivação do golpe”, afirmou Rafael Coelho, representante do Levante 
Popular da Juventude, sobre a aprovação no Senado, na quinta, da abertura de processo de 
impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) e seu consequente afastamento. Para ele, o 
impeachment não tem base legal e o projeto político para o qual Temer foi eleito vice-presidente não 
é o que ele irá implantar no país. “É um golpe duplo, o impeachment tem duas cartas”, afirmou 
Coelho. De lá, os militantes partiram em direção ao Largo Zumbi dos Palmares, onde seria a 
dispersão, entoando cantos como: “Não me engana mais, fora Michel Temer, o povo não aguenta 
mais.” Até a chegada ao largo, os policiais do choque e a cavalo acompanhavam a manifestação a 
uma certa distância.

















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