quarta-feira, 18 de maio de 2016

Líder do governo Temer é alvo da Lava Jato, suspeito de tentativa de assassinato e réu em três ações no STF


O deputado André Moura (PSC-SE), líder do governo Temer na Câmara 

Barrado pela Ficha Limpa em 2014, André Moura é réu em três ações penais no Supremo 
Tribunal Federal por desvio de recursos públicos. Um inquérito apura participação dele em 
atentado contra um ex-aliado que virou seu inimigo político

Suspeita de tentativa de homicídio, de empregar de funcionários fantasmas e comprar alimentos e 
bebidas ilegalmente com dinheiro público e réu no Supremo Tribunal Federal (STF). Suspeita, ainda, 
de receber recursos do esquema de corrupção na Petrobras. Este é o currículo mais recente do 
deputado André Moura (PSC-SE), escolhido pelo presidente interino Michel Temer para ser o novo 
líder do governo na Câmara. Ele também teve que recorrer à Justiça para concorrer nas últimas 
eleições porque tinha sido barrado pela Lei da Ficha Limpa. Moura é o deputado com maior 
intimidade política e pessoal com o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Em 2014 André Moura teve candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do seu estado 
porque teve problemas com sua atuação como gestor público. A Ficha Limpa veda candidaturas de 
candidatos com as contas rejeitadas ou condenados judicialmente por órgãos colegiados. Os 71 mil 
votos recebidos por Moura em outubro daquele ano só foram validados dois meses depois, quando o 
deputado conseguiu anular o indeferimento de sua candidatura graças à decisão do Superior Tribunal 
de Justiça (STJ) que suspendeu a condenação inicial por improbidade administrativa. Ele teve as 
contas rejeitadas quando era prefeito de Pirambu (SE).
Sua gestão à frente do município sergipano deixou um rastro de complicações para o provável novo 
líder do governo. André Moura é réu em três ações penais e investigado em três inquéritos no 
Supremo Tribunal Federal (STF), dois deles relacionados à Operação Lava Jato. As acusações contra 
o parlamentar vão de desvio ou utilização de bens públicos, improbidade administrativa, apropriação 
indébita e crime de responsabilidade. Na Lava Jato, é suspeito de atuar em conjunto com aliados de 
Cunha para chantagear empresas na Câmara.
Em junho do ano passado, o Supremo aceitou de uma só vez a abertura de três processos contra 
André Moura por crimes conexos. Ele é acusado de se apropriar ou desviar bens públicos do 
município de Pirambu na gestão do então prefeito Juarez Batista dos Santos, entre 2005 e 2007. 
Então aliado, Juarez deu continuidade à gestão de André Moura, que foi prefeito do município por 
oito anos até o fim de 2004.
Segundo a acusação, após deixar a prefeitura, Moura continuou usufruindo de bens e serviços 
custeados pela administração municipal. Entre os itens citados, gêneros alimentícios, telefones 
celulares e veículos da frota municipal. A denúncia sustenta que alimentos comprados pela prefeitura 
no comércio de Pirambu eram entregues na casa do deputado.
Após o rompimento político entre os dois, Juarez confessou ter cometido irregularidades e revelou 
que André Moura indicou funcionários fantasmas, entre eles, sua mulher Lara Adriana Moura, para 
trabalhar na prefeitura. O ex-prefeito também confessou que o líder do PSC recebia uma mesada de 
R$ 30 mil a R$ 50 mil.

André Luiz Dantas Ferreira é o novo de batismo de André Moura. Caso ainda envolve 
outras sete pessoas

O ex-prefeito ainda disse que Moura aumentou as exigências nas eleições de 2006 quando foi
candidato a deputado estadual. Segundo ele, seu antecessor lhe pediu o repasse de R$ 1 milhão
entre abril e setembro daquele ano. Ele afirmou que, sem conseguir atender às demandas do ex-
prefeito, passou a receber ameaças que resultaram em uma troca de tiros que feriram o vigilante
de sua casa. Quatro homens encapuzados foram apontados como autores dos disparos. Moura é
o suspeito de ser o mandante.
O inquérito por tentativa de homicídio do vigia chegou há dois anos no Supremo, mas ainda
não houve apresentação de denúncia para a abertura de ação penal. Em 12 de abril, dias antes
da votação do impeachment na Câmara, o ministro Gilmar Mendes, que relata o inquérito,
prorrogou por mais 60 dias o prazo para a conclusão das investigações.
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