quarta-feira, 20 de abril de 2016

BOFF DENUNCIA A AÇÃO DOS EUA NO GOLPE


'Seria errôneo pensar a crise do Brasil apenas a partir do Brasil. Este está inserido no 
equilíbrio de forças mundiais do âmbito na assim chamada nova guerra fria que envolve 
principalmente os EUA e a China. A espionagem norte-americana, como revelou Snowden 
atingiu a Petrobrás e as reservas do pre-sal e não poupou até a presidenta Dilma. Isto é parte 
da estratégia do Pentágono de cobrir todos os espaços sob o lema:”um só mundo e um só 
império”', diz o teólogo Leonardo Boff

A crise brasileira e a geopolítica mundial

Seria errôneo pensar a crise do Brasil apenas a partir do Brasil. Este está inserido no equilíbrio de 
forças mundiais do âmbito na assim chamada nova guerra fria que envolve principalmente os EUA e 
a China. A espionagem norte-americana, como revelou Snowden atingiu a Petrobrás e as reservas do 
pre-sal e não poupou até a presidenta Dilma. Isto é parte da estratégia do Pentágono de cobrir todos 
os espaços sob o lema:”um só mundo e um só império”. Eis alguns pontos que nos fazem refletir.
No contexto global há um ascensão visível da direita no mundo inteiro, a partir dos próprios EUA e 
da Europa. Na América Latina está se fechando um ciclo de governos progressistas que elevaram o 
nível social dos mais pobres e firmaram a democracia. Agora estão sendo assolados por uma onda 
direitista que já triunfou na Argentina e está se pressionando todos os países sul-americanos. Falam, 
como entre nós, de democracia mas, na verdade, querem torná-la insignificante para dar lugar ao 
mercado e à internacionalização da economia.
O Brasil é o principal atingido e o impedimento da presidenta Dilma é apenas um capítulo de uma 
estratégia global, especialmente das grandes corporações e pelo sistema financeiro articulado com os 
governos centrais. Os grandes empresários nacionais querem voltar ao nível de ganho que tinham 
sob as políticas neo-liberais, anteriores a Lula. A oposição à Dilma e o apoio ao seu impedimento 
possui um viés patronal. A Fiesp com o Skaf, a Firjan, as Federações do Comércio de São Paulo, a 
Associação Brasileira da Indústria Eletrônica e Eletrodomésticos (Abinee), entidades empresariais do 
Paraná, Espírito Santo, Pará e muitas redes empresariais estão já em campanha aberta pelo 
impedimento e pelo fim do tipo de democracia social implantada por Lula-Dilma.
A estratégia ensaiada contra a “primavera árabe” e aplicada no Oriente Médio e agora no Brasil e na 
América Latina em geral consiste em desestabilizar os governos progressitas e alinhá-los às 
estratégias globais como sócios agregados. É sintomático que em março de 2014 Emy Shayo, 
analista do JB Morgan coordenou uma mesa redonda com publicitários brasileiros ligados à 
macroeconomia neoliberal com o tema:”como desestabilizar o governo Dilma”. Armínio Fraga, 
provável ministro da fazenda num eventual governo pós-Dilma vem do JB Morgan (cf.blog de 
Juarez Guimarães,”Por que os patrões querem o golpe”).
Noam Chomski, Moniz Bandeira e outros advertiram que os EUA não toleram uma potência como o 
Brasil no Atlântico Sul que tenha um projeto de autonomia, vinculado aos BRICS. Causa grande a 
preocupação à política externa norte-americana a presença crescente da China, seu principal 
contendor, pelos vários países da América Latina, especialmente e no Brasil. Fazer frente a outro 
anti-poder que significam os BRICS implica atacar e enfraquecer o Brasil, um de seus membros com 
uma riqueza ecológica sem igual.
Talvez o nosso melhor analista da política internacional. Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor de “A 
segunda Guerra Fria – geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos” (Civilização 
Brasileira 2013) e o deste ano “A desordem internacional”(da mesma editor) nos ajude a entender os 
fatos. Ele trouxe detalhes de como agem os EUA: ”Não é só a CIA… especialmente as ONGs 
financiadas pelo dinheiro oficial e semi-oficial como a USAID, a National Endwoment for 
Democracy, atuam comprando jornalistas e treinando ativistas”. O “The Pentagon´s New Map for 
War & Peace” enuncia as formas de desestabilização econômica e social através dos meios de 
comunicação, jornais, redes sociais, empresários e infiltração de ativistas Moniz Bandeira chega a 
afirmar que “não tenho dúvida de que no Brasil os jornais estão sendo subsidiados…e que jornalistas 
estão na lista de pagamento dos órgãos citados acima e muitos policiais e comissários recebem 
dinheiro da CIA diretamente em suas contas”(cf. Jornal GGN de Luis Nassif de 09/03/2016). 
Podemos até imaginar quais seriam esses jornais e os nomes de alguns jornalistas, totalmente 
alinhados à ideologia desestabilizadora de seus patrões. 
Especialmente o pré-sal, a segunda maior jazida de gás e de petroleo do mundo, está na mira dos 
interesses globais. O sociólogo Adalberto Cardoso da UERJ numa entrevista à Folha de São Paulo 
(26/04/2015) foi explícito“Seria ingenuidade imaginar que não há interesses internacionais e 
geopolíticos de norte-americanos, russos, venezuelanos, árabes. Só haveria mudança na Petrobras se 
houvesse nova eleição e o PSDB ganhasse de novo. Nesse caso, se acabaria o monopólio de 
exploração, as regras mudariam. O empeachment interessa às forças que querem mudanças na 
Petrobrás: grandes companhias de petróleo, agentes internacionais que têm a ganhar com a saída da 
Petrobrás da exploração de Petróleo. Parte desses agentes quer tirar Dilma “.
Não estamos diante de um pensamento conspiratóro, pois já sabemos como agiram os norte-
americanos no golpe militar em 1964, infiltrados nos movimentos sociais e politicos. Não é sem 
razão que a quarta frota norte-americana do Atlântico Sul está perto de nossas águas. Devemos nos 
conscientizar de nossa importância no cenário mundial, resistir e buscar o fortalecimento de nossa 
democracia que represente menos os interesses das empresas e maiss as demandas tão olvidadas de 
nosso povo e na construção de nosso própro caminho rumo ao futuro.
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