quarta-feira, 9 de março de 2016

Por que o dono ‘real’ da Paraty House não aparece?


Uma possível resposta é que o proprietário é aquele mesmo que você está pensando: Irmãos 
Metralhas Marinho

por Paulo Nogueira  

“Hoje a praia é sua, hoje a praia é nossa”: ativistas fazem festa em frente da Paraty House
Já faz algumas semanas que a Paraty House é um dos assuntos mais quentes nas redes sociais.
Mais precisamente, desde que o DCM foi a Parati investigar a casa, que se consagrou na internet 
como o “Triplex dos Marinhos”.
Temos, agora, uma situação bizarra.
Contra todas as evidências, os Marinhos afirmam não ser donos do casarão. O DCM recebeu mais de 
uma notificação judicial da Globo com ameaças caso não disséssemos que os Marinhos nada têm a 
ver com a Paraty House.
É uma espécie de casa maldita, porque é criminosa desde antes de ser erguida. Um espaço público 
foi virtualmente tornado particular, e a legislação ambiental foi simplesmente ignorada. 
Considere nossa situação.
Uma paisagista que trabalhou no projeto nos procurou, na condição de anonimato, para contar 
detalhes de sua rotina na obra. “Atendi a Paula Marinho na casa”, disse ela.
Paula Marinho é filha de João Roberto e neta, portanto, de Roberto Marinho. O arquiteto que 
desenhou a Paraty House batizou o projeto de PM. Um funcionário da empresa que fornecia internet 
à propriedade nos procurou para narrar, também sob a condição de anonimato, os serviços prestados 
à casa. “Todas as questões eram encaminhadas, por telefone, por uma secretária da família 
Marinho”, ele nos disse. 
O anonimato não é gratuito.
As pessoas têm pavor de retaliação. Uma funcionária de um instituto ambiental que investigava o 
caso enfrentou um pesadelo. Sua casa foi atacada e seu carro queimado.
O pânico é justificado. Se presidentes da República não conseguem encarar a Globo, que dirá 
humildes brasileiros residentes em Parati?
A despeito das negativas da família, a Paraty House entrou na mente dos brasileiros, por justificadas 
razões, como o “Triplex dos Marinhos”.
Foi assim que Lula se referiu à casa na entrevista que concedeu depois da condução coercitiva que 
lhe foi imposta por Moro. Foi assim também que ativistas a chamaram depois de, neste domingo, 
ocupar a praia tomada pela Paraty House. Eles cantavam: “Hoje a praia é sua, hoje a praia é nossa, é 
de quem quiser, quem vier.”
Trata-se, hoje, de um caso de enorme interesse nacional.
E é aí que entra a situação bizarra citada acima. Por que, se os Marinhos não são os donos, não 
aparece o verdadeiro proprietário?
Fernando Brito, do Tijolaço, também ele notificado, fez uma excelente sugestão à Globo. Com tantos 
recursos e tantos jornalistas em suas múltiplas redações, por que a Globo não esclarece o caso?
Acrescento aqui: por que as demais empresas jornalísticas ignoram um assunto de tamanha 
relevância? A suspeita – pesada – de que a família mais rica do país tenha erguido uma casa 
desconsiderando a lei é notícia, e notícia de primeira página.
Seja para confirmar, seja para desmentir, um jornal ou uma revista decente haveria de investigar o 
caso.
Mas por que ninguém se mexe para elucidar um mistério? E por que o verdadeiro dono não diz que a 
casa é dele?
Imagino que ele não vá gostar de ver, dia sim, dia não, pessoas se aglomerando em frente de sua 
casa. 
A privacidade comprada a preço tão alto, e com ação criminosa, estaria perdida. 
Minha hipótese para tudo isso é a seguinte: o real dono não se apresenta porque ele não existe.
Por trás de uma barragem burocrática e legal que só o dinheiro e o poder conseguem comprar, está – 
repito, é minha hipótese – sabemos muito bem quem.
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