quarta-feira, 2 de março de 2016

PESQUISADORA DA FIOCRUZ DÁ UM PASSA-MOLEQUE NA GLOBO


Ligia Giovanella, pesquisadora da Fiocruz, rebate manchete do jornal que diz que o "Rio tem 
maior taxa de mortalidade no SUS em três décadas"; segundo a professora, a reportagem, 
assinada por Eduardo Barretto, é "bastante tendenciosa em suas manchetes e erros de 
transcrição e interpretação de dados".

247 – A professora e pesquisadora titular da Fiocruz Ligia Giovanella rebateu, em uma carta ao 
repórter Eduardo Barretto, do Globo,reportagem que afirma, na manchete, que o "Rio tem a maior 
taxa de mortalidade no SUS em três décadas".
Lígia responde ponto a ponto os dados utilizados na matéria e conclui que ela é "bastante 
tendenciosa em suas manchetes e erros de transcrição e interpretação de dados".
"A informação jornalística clara e transparente é um elemento crucial para a democracia. Todos nós 
estamos preocupados em melhorar a qualidade de serviços do SUS para que se torne efetivamente 
um serviço nacional de saúde público, universal de qualidade garantindo o direito cidadão de acesso 
aos serviços de saúde de qualidade. Boas reportagens podem contribuir para isto", diz a pesquisadora 
na carta.
Leia aqui a íntegra do texto de Lígia rebatendo os dados da reportagem do Globo e, abaixo, um novo 
texto publicado em sua página no Facebook, depois que o jornalista entrou em contato com ela.
Ainda sobre a reportagem do Jornal OGlobo bastante tendenciosa em suas manchetes e erros de 
transcricao e interpretacao de dados:
O repórter posteriormente me informou tratar-se de taxa de mortalidade hospitalar.
A taxa de mortalidade hospitalar disponibilizada pelo tabnet do Datasus a partir de dados do Sistema 
de Informação Hospitalar do SUS (SIH SUS) refere-se à proporção de internações com alta por 
óbito. Trata-se da " Razão entre a quantidade de óbitos e o número de AIH aprovadas, computadas 
como internações, no período, multiplicada por 100."
A matéria no jornal o Globo impresso apresenta uma tabela e repete diversas vezes tratar-se de uma 
taxa de mortalidade por cem mil habitantes. Não refere que seriam mortes hospitalares ademais de 
equivocar-se na reprodução do indicador que de fato se refere a uma porcentagem das internações e 
não a uma razão por cem mil habitantes como descrito na tabela.
A taxa de mortalidade hospitalar está relacionada à gravidade dos casos internados e à complexidade 
da estrutura hospitalar. Assim um hospital que realiza principalmente internações por cirurgias 
eletivas ou para partos terá uma taxa de mortalidade hospitalar muito mais baixa do que um hospital 
que interna pacientes graves e complexos. Somente é possível comparar hospitais com perfil de 
internações similares e para tal existem diversos métodos de padronização das taxas.Somente as 
taxas de mortalidade hospitalar padronizadas podem assim ser usadas como indicador de 
desempenho hospitalar.
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