quarta-feira, 2 de março de 2016

ANDRADE É TUCANA, MAS DELATA PT E PMDB. POR QUÊ SERÁ ?


Maior doadora da campanha de Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência da República, a 
Andrade Gutierrez é a bola da vez do mercado de delações premiadas, com acusações 
relacionadas à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010; capitaneada por Otávio 
Azevedo, a Andrade se tornou controladora da Cemig, nas gestões do PSDB em Minas, mesmo 
sendo minoritária, e foi beneficiada com pagamentos excessivos de dividendos; além disso, a 
cúpula da empreiteira torceu abertamente pela eleição de Aécio; no entanto, a delação de seus 
executivos é parcial e mira apenas desvios relacionados ao PT e ao PMDB, em obras como 
Mané Garrincha, Maracanã, Arena Amazonas e Angra 3; ao que tudo indica, a empresa – que 
na gestão de Fernando Pimentel perdeu o controle abusivo na Cemig – se prepara para um 
novo ciclo político no Brasil e tenta contribuir para que ele chegue mais rapidamente.

Dividendos em excesso

No fim do ano passado, a relação carnal entre a Andrade e o PSDB de Minas começou a ser 
esmiuçada pelo Ministério Público. A partir de denúncias entregues pelos deputados Rogério Correia 
e Professor Neivaldo, ambos do PT, o promotor de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais, 
Eduardo Nepomuceno, começou a investigar os estranhos negócios entre a Cemig e a Andrade.
Segundo reportagem publicada no site Viomundo, empréstimos tomados pela estatal foram 
convertidos em lucros e dividendos repassados aos acionistas.
"Autorizado pela ALMG no final do mês de novembro de 2011, o governo de Minas Gerais fez 
empréstimos com o Banco Internacional para Reconstruções e Desenvolvimento (BIRD), com o 
Banco Crédit Suisse e Agência Francesa de Desenvolvimento (AF), destinados à reestruturação da 
dívida de responsabilidade com a Cemig. As operações de crédito foram nos valores de, 
respectivamente, US$ 450 milhões; US$ 1,270 bilhão; e de € 300 milhões. A manobra fez com que o 
empréstimo internacional fosse transformado em lucro nos balanços de 2012 e 2013, posteriormente
distribuído aos acionistas como dividendos. Somente nesta artimanha, mais de R$ 600 milhões foram 
repassados à Andrade Gutierrez", diz reportagem do jornalista Ilson Lima. "Em outras palavras: a 
Cemig pegou empréstimos no exterior sob alegação de que os juros eram menores. Só que foi uma 
manobra para gerar mais lucros e distribuir dividendos para acionistas, em especial para a Andrade 
Gutierrez."
Ele lembra ainda que, em 2011, o Conselho Deliberativo da Cemig alterou o Acordo de Acionistas, 
permitindo o repasse de dividendos aos acionistas de no mínimo de 50%, quando era de no máximo 
25% na época do governo Itamar Franco (1994/1998).
Coincidência ou não, na campanha presidencial de 2014, a cúpula da Andrade torceu abertamente 
pela eleição de Aécio Neves, depois de ter doado mais de R$ 20 milhões à sua campanha. Hoje, seus 
executivos negociam um acordo de delação parcial, aparentemente interessados em estar bem 
posicionados para um novo ciclo político no País.

(Em tempo: no governo de Fernando Pimentel, a Andrade perdeu o controle abusivo que exercia na Cemig)

Cúpula da Andrade Gutierrez era “torcida organizada” de Aécio Neves

POR FERNANDO BRITO


Depois da matéria de Fausto Macedo, no Estadão, mostrando a intensa e desbocada torcida do alto 
escalão da empreiteira Andrade Gutierrez por Aécio Neves, só o cinismo nacional imperante pode 
dizer que havia alguma preferência da empresa pelos petistas.
“Gorda”, “sapa”, “vaca velha”, “mulher medíocre”, “poste” e outras pérolas deste jaez eram os 
nomes pelos quais os homens de confiança da empresa, sua alta cúpula, a chamavam.
E Aécio? “Tá demais”, “Taca-le pau!”
As campanhas de ambos receberam dinheiro da empreiteira e, muito.
Mas, pela torcida, dá perfeitamente para ver quem eles desejavam ver vitorioso.
Porque, se com Dilma e Lula a empreiteira fazia o que queria, como insistem os jornais? Qual a 
razão, se o governo petista é uma imoralidade só e os tucanos mais virgem que freira carmelita?
Aliás, a Andrade Gutierrez deu dinheiro para praticamente todos os partidos do país, do PV ao PSB.
Você pode ver aí ao lado o quanto foi, em 10 anos, para cada partido, numa compilação da agência 
de jornalismo Publica
Claro que tanto dinheiro por boa intenção não é, mas é essa a realidade da política. Ou era, antes de o 
Supremo proibir a doação de empresas a candidatos e a partidos.
E antes do cinismo nacional decidir que só são criminosas as feita para o partido da “gorda”, da 
“sapa”, da “vaca velha”, da “mulher medíocre”.
O dinheiro para Aécio? Ah, “taca-le pau”, menino, que é por gosto.
Não chega a ser nenhuma surpresa de que tipo de sujeito estes caras achem que deva ser o presidente 
do Brasil.
Nem que estes senhores de linguagem de bordel de quinta categoria quando estão no seu grupinho de 
“bacanas”, em público e com suas gravatinhas chiques, deitem regras sobre como deve ser o governo 
do país.
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