No restante do mundo, 86 cidades, de 24 países, já aboliram a cobrança pelo transporte
público. Coordenador do Projeto Cidades Sustentáveis conta como foi possível implementar a
gratuidade.
São Paulo – Nestas primeiras semanas de 2016, algumas cidades brasileiras têm sido palco de
Em todo o mundo, são 86 cidades, em 24 países, que não cobram tarifa para que a população acesse
São Paulo – Nestas primeiras semanas de 2016, algumas cidades brasileiras têm sido palco de
protestos contra o aumento das tarifas de ônibus trens e Metrô, e em defesa do transporte público
gratuito. Em São Paulo, após as manifestações marcadas por intensa repressão policial na semana
passada, o Movimento Passe Livre convoca mais uma mobilização amanhã (19), no cruzamento das
avenida Faria Lima Rebouças Rebouças, na zona sul da capital.
Em meio aos protestos, a pergunta que fica é se realmente é possível uma cidade oferecer transporte
Em meio aos protestos, a pergunta que fica é se realmente é possível uma cidade oferecer transporte
de graça para toda a população ou trata-se de uma utopia, afinal o dinheiro tem que sair de algum
lugar para manter a estrutura e os serviços.
Reportagem de Vanessa Nakasato, do Seu Jornal, da TVT, mostra exemplos de cidades em que a
tarifa zero é possível. Sobre o assunto, a jornalista conversa com o coordenador da Rede Nossa São
Paulo e do projeto Cidades Sustentáveis, Oded Grajew. Ele aponta caminhos na busca de uma
solução para os problemas do transporte público, sobretudo na capital paulista.
Em todo o mundo, são 86 cidades, em 24 países, que não cobram tarifa para que a população acesse
o transporte público. No Brasil, 12 cidades também já adotam o modelo. Maricá, no litoral do Rio é
uma delas. Desde dezembro de 2013 os habitantes podem andar de ônibus gratuitamente na rede
municipal.
"É uma cidade de 150 mil habitantes e tem transporte gratuito para a população. O governo aloca
recursos no orçamento para viabilizar o transporte público de graça para toda a população", assinala
Grajew sobre a experiência maricaense.
Outra cidade que também caminha no mesmo sentido é Agudos, no interior de São Paulo. Os 40 mil
Outra cidade que também caminha no mesmo sentido é Agudos, no interior de São Paulo. Os 40 mil
habitantes, desde 2003, não pagam tarifa para acessar o transporte coletivo. Os ônibus são operados
pela prefeitura e os motoristas são funcionários concursados.
Para que o transporte coletivo pudesse ser gratuito, cada uma das cidades recorreu a uma solução
diferente, aponta o coordenador da Rede Nossa São Paulo. O mais comum e viável, segundo ele, é
elevar o imposto territorial que atinja as pessoas de maior renda. "Outras cidades cobram uma taxa
de todos os habitantes. Nos EUA, por exemplo, é por volta de 5 dólares por ano para cada habitante",
comenta Grajew. "É uma decisão política que envolve uma decisão econômica, sobre o que vai se
priorizar no orçamento e de onde que se vai buscar recursos para viabilizar o serviço para a
população."
Gratuidade em SP
Na capital paulista, 2,2 milhões de pessoas, dentre aposentados, pessoas com mais de 60 anos,
Na capital paulista, 2,2 milhões de pessoas, dentre aposentados, pessoas com mais de 60 anos,
deficientes, estudantes de baixa renda e trabalhadores desempregados já contam com a isenção da
tarifa – juntos, eles representam 22% dos passageiros.
O coordenador da Rede Nossa São Paulo afirma que os primeiros passos a serem dados é tratar o
tema com transparência e discutir alternativas com a sociedade. "O que pode se fazer, de imediato, é
abrir a discussão. Abrir as contas para a população, olhar todos os números, o quanto que a prefeitura
gasta em cada coisa, quanto é o lucro das empresas, os impostos que são cobrados, e envolver a
sociedade na discussão."
Sobre os impactos de uma eventual tarifa zero na cidade, Oded Grajew afirma que vão muito além
Sobre os impactos de uma eventual tarifa zero na cidade, Oded Grajew afirma que vão muito além
da simples isenção da tarifa. "Melhora a qualidade de vida. As pessoas podem ter acesso à cultura, ao
lazer, porque podem se deslocar. Melhora a saúde da população, porque há menos poluição causada
pelo transporte individual."
Ele cita ainda que as cidades que acabaram com a cobrança de tarifa conseguem atrair empresas, que
se livram assim de arcar com os custos do vale-transporte, e lembra que, por tudo isso, a questão dos
transportes é também uma questão de direitos.
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