segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA DISPUTA ENTRE O ALMOFADINHA JOÃO DÓRIA E O SERRISTA ANDRÉA MATARAZZO DO PSDB.


Doria e Matarazzo

por : Jose Cassio

O que o publicitário João Dória Junior e o vereador Andrea Matarazzo têm em comum?
Ambos pertencem a famílias tradicionais de São Paulo, são ricos, bonitos, frequentam os Jardins e
têm uma trajetória de vida ligada ao PSDB. Pleiteiam a vaga de candidato a prefeito pelo partido na 
eleição de outubro. Se tudo correr como combinado, no domingo, 28 de fevereiro, quase duas 
dezenas de milhares de filiados de 58 diretórios zonais se apresentam para escolher um dos dois. Ao 
vitorioso caberá a tarefa de comandar a campanha visando retomar o controle da maior cidade do 
país e com isso fortalecer o partido para a disputa do poder central na eleição de 2018 – quando 
provavelmente terá de enfrentar Lula.
O PSDB sabe que vencer em São Paulo é um passo importante para recuperar a cadeira hoje ocupada 
por Dilma Rousseff. Mas as divergências internas, o jogo de interesses e o total descompromisso dos 
líderes tucanos com princípios elementares de ideologia e organização coletiva podem por tudo a 
perder. A ponto de que até as previas estão ameaçadas.
A se levar em conta o histórico do partido, João Dória e Andrea correm o risco gastar lábia e sola de 
mocassim italiano à toa. Mesmo cultuadas, previas para escolha de candidatos a cargos majoritários 
em São Paulo são “lenda”, para usar uma expressão consagrada pela militância. Os embates iniciam, 
o jogo é jogado, os apoios pedidos, mas na hora h, para ser exato na madrugada de sábado para 
domingo antes da abertura do processo, a votação é “melada” e os escolhidos são anunciados 
conforme conveniências particulares de um pequeno grupo de caciques, à revelia da maioria e no 
melhor estilo quem pode mais chora menos.
Mas não se deve rotular de ingênuo quem acredita que o jogo de cartas marcadas desta vez vai ter 
um desfecho diferente. O desgaste da fórmula, aliado à incapacidade de manter uma unidade 
mínima, levou o partido a um nível de fragilidade tal que alguns julgam improvável a repetição do 
conchavo.
Os líderes do PSDB abusaram da estratégia de usar seus militantes para fazer jogo de cena, 
“vendendo” a ideia de um partido que tem um pé no movimento popular quando na verdade conta 
mesmo é com setores de classe média que dizem odiar a política e na hora de votar escolhem os que 
costumam chamar de “menos piores”.
Tudo era fácil até a eclosão dos movimentos de massa surgidos em junho de 2013 e que se 
intensificaram nos anos seguintes. Esses movimentos levaram a ascensão de centenas de milhares à 
militância política, a tal ponto que o PSDB hoje tem de dividir os antigos apoios com grupos novos 
que melhor catalisaram o sentimento de mudança e trazem o partido à reboque das suas articulações.
Para ficar num único exemplo, apenas o Movimento Brasil Livre (MBL), do jovem Kim Kataguiri, 
pretende lançar 123 candidatos em 23 estados, distribuídos por PSDB, Partido Novo, DEM, PSD, 
PSC e PPS. Os demais movimentos que se notabilizaram pedindo o impeachment de Dilma seguem 
pelo mesmo caminho. Resultado: apoios antes garantidos agora estão espalhados por dezenas de 
outras correntes.
Conscientes ou não dessa realidade, João Doria Júnior e Andrea Matarazzo se transformaram no que 
se pode chamar de mal necessário. A dupla virou instrumento para o partido tentar algo diferente – e 
a partir disso recuperar o espírito de grupo e potencializar o exército de militantes espalhados por 
todas as regiões da cidade. Bater chapa é, na opinião de muitos, a melhor opção nesta altura do 
campeonato.
Na disputa pelos votos, por contar com o apoio do governador Geraldo Alckmin, João Dória larga na 
frente. No seu estilo mascate de interior, Geraldo adora circular pelos bairros, tomar café em padaria 
e jogar conversa fora. Nessas andanças, arrasta centenas, milhares de seguidores. E aproveita para 
mandar os seus recados. Se de fato assoprar que o publicitário é o seu preferido, a chance de vitória é 
uma quase certeza.
Andrea tem respaldo da dupla FHC-Serra e apoios importantes na Câmara de vereadores. A favor 
dele, um considerável conhecimento da cidade e a boa presença como líder da oposição ao prefeito 
Fernando Haddad. Se João Dória paga o preço por ser um neófito nos meandros da política, Andrea 
se ressente de mais apoios no andar de baixo, dado que simpatia e ele não costumam conviver numa 
boa.
A sorte tucana em 2016 está lançada. Pela motivação dos dois grupos e pelo que garante o comando 
da executiva municipal, o partido vai escolher por meio do voto direto o seu candidato a prefeito. 
Seria sem dúvida uma quebra de paradigma e uma demonstração de maturidade.
A dúvida é saber o que pode ocorrer caso, novamente, os interesses particulares prevaleçam e os 
nomes sejam conhecidos na hora que os filiados aparecerem para votar na manhã de domingo.
O deputado federal Ricardo Trípoli também se diz candidato. De forma discreta, talvez tentando se 
beneficiar de um possível acordo de bastidores, com seu nome aparecendo como opção de terceira 
via.
Há outros que gostariam de representar esse papel. Por enquanto, porém, por mais que se possa 
criticá-los, quem está no páreo são Andrea Matarazzo e João Doria Júnior. A despeito do perfil quase 
idêntico, estão agindo de forma nunca antes vista na história do PSDB: dando a cara à tapa, correndo 
atrás. E isso não deixa de ser um mérito.
______________________________________________

Nenhum comentário: