segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O prêmio concedido a Levy por destruir a economia brasileira


Levy será diretor financeiro do Banco Mundial

por J. Carlos de Assis, no Desenvolvimentistas

Joaquim Levy levou o prêmio grande de uma sinecura no Banco Mundial. É o legado por ter tornado 
o Brasil uma terra arrasada pelo neoliberalismo e submetida ao total descrédito perante a opinião 
pública e ao conjunto da cidadania. A contração da economia no ano passado terá sido de quase 5%, 
e a taxa de desemprego deve ter superado os 10%. Nunca antes na história deste país um tecnocrata 
filiado ao sistema bancário privado ousou fazer um estrago tão grade no nosso sistema público, 
debaixo das graças presidenciais.
A única justificativa para o prêmio no exterior seria evitar que levasse os segredos do Ministério da 
Fazenda imediatamente para o Bradesco, de onde saiu para salvar o país das infames “pedaladas” 
fiscais – um artifício contábil que só a má fé de Veja e de O Globo, e a imbecilidade de alguns 
comentaristas econômicos tornaram um crime de lesa pátria. Sim, porque “pedalada” fiscal é o 
Governo tomando emprestado do próprio Governo para cobrir despesas imediatas e pagar depois, 
sem qualquer efeito real nas finanças públicas!
Como Inês é morta, não vale a pena perder tempo com Levy, mesmo que os milhões de 
desempregados que ele provocou possam se sentir indignados com a cadeira que ganhou lá fora com 
altíssima remuneração. Temos trabalhos à frente. O principal deles é convencer Nelson Barbosa a 
indicar à Presidenta um caminho alternativo para a economia que rompa o deletério roteiro 
neoliberal. Com um grupo de dirigentes sindicais estive na semana passada com o governador Pezão, 
discutindo saídas para o Rio e para o Brasil. Eis minhas sugestões.
Em primeiro lugar, temos que tomar consciência de que, independentemente do estrago feito na 
governança da Petrobrás por um grupo de cinco bandidos, não é possível promover a recuperação da 
economia sem a retomada dos investimentos na cadeia do petróleo, nos níveis de 2014. O 
Governador concordou com isso e ficou de levar à Presidenta as sugestões para viabilização dos 
investimentos da Petrobrás a partir de três alternativas: recursos do Tesouro, empréstimo do Banco 
dos BRICS e pré-venda de petróleo à China.
Nada, a não ser preconceitos ideológicos, impede a utilização de uma ou de três dessas alternativas 
combinadas. Por exemplo, o repasse de recursos do Tesouro ao BNDES para que ele os repasse à 
Petrobrás, que por sua vez ofereça debêntures como garantia, é um expediente usado com grande 
eficácia no passado. Em 2009 e 2010, em plena crise mundial, o Tesouro repassou 180 bilhões ao 
BNDES para que ele irrigasse a economia. Isso foi feito, e o resultado foi um crescimento fantástico 
da economia em 2010.
A corja neoliberal que quer ver a Petrobrás destruída, a fim de facilitar sua privatização, diz que não 
pode haver empréstimo do Tesouro porque isso aumentaria a dívida pública. É puro preconceito. A 
dívida pública bruta cresce, enquanto a dívida líquida fica no mesmo lugar: o aumento do passivo do 
Tesouro é contrabalançado pelo aumento do ativo do BNDES, propriedade integral do Tesouro, e 
tudo fica na mesma. Ademais, a consequência do processo será a redução da relação dívida/PIB, pela 
escalada do investimento, como aconteceu em 2010.
Estou descendo a esses detalhes técnicos para deixar claro que há saída para a Petrobrás, e portanto 
saída para o país, conforme vem defendendo a Aliança pelo Brasil. Claro, sou a favor de uma faxina 
em regra na governança da Petrobrás, tendo em vista a bandidagem que a acometeu nos últimos 
anos. 
Mas ela precisa ser resgatada, e logo. Sem isso, como sua participação na economia é mais de 13%, e 
mais de 20% considerando as cadeias produtivas que lhe estão associadas, não haverá recuperação da 
economia brasileira, e do emprego. Enfim, não é preciso apenas uma solução. É preciso uma solução 
com urgência.
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