quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ESPECULADORES FURIOSOS COM O BRASIL. É O ATAQUE A SENSATEZ DE NÂO SUBIR OS JUROS


O dólar subiu quase 1,5% em relação ao real e fechou no maior valor nominal da história nesta 
quinta-feira, após o Banco Central manter os juros básicos em 14,25%; analistas de mercado 
criticaram a decisão do Comitê de Política Monetária; "Foi um baque na credibilidade do BC. 
É o pior dos mundos: o mercado questiona a autonomia do BC e as expectativas de inflação 
pioram", disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia 
Correa; Tombini justificou sua posição a partir de dados que mostram uma recessão mais 
aguda do que se previa

POR FERNANDO BRITO

O que explica a “revolta” do mercado à decisão do Banco Central de não elevar (mais) a taxa de 
juros?
Não é, sequer, a primeira vez que faz isso.
É o mesmo que faz desde que a Selic chegou aos mesmos 14,25% ao mês, o que quer dizer que não 
se trata de qualquer heterodoxia.
Em novembro, ainda com Joaquim Levy na Fazenda, tomou-se a mesmíssima decisão, pelos mesmos 
seis votos a dois e com os votos contrários dos mesmos conselheiros (Tony Volpon e Sidnei Corrêa 
Marques, diretores do BC) qwue votaram, outa vez, contra, na reunião de ontem.
(Parêntesis quase ao vivo. Comentário desonesto de Míriam Leitão, que sabe muito bem disso, cita o 
fato de dois votos contrários como fonte de “suspeita” de politicagem na decisão do BC)
Alguém terá a cara-de-pau de negar que o quadro de ameaça inflacionária não era o mesmo, então?
O que mudou, então, a ponto de alguns energúmenos dizerem que “O BC perdeu credibilidade” e 
que a a insensata escalada ao céu (céu dos especuladores, inferno dos empreendedores e 
consumidores) dos juros chegou ao seu limite, por ser, nas palavras do Prêmio Nobel de Economia 
Joseph Stiglitz, o que “está matando a economia brasileira”, ao lado da crise mundial?
Mudou aquilo que significava a presença de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda: o fato de que o 
país não vai seguir apostando num arrocho cada vez maior como forma (que se provou suicida) 
como forma de sanear o déficit público, pela única razão de que ela não funciona.
Não se vai curar uma inflação que é feita de custos (mercado menor, custo maior; energia e, 
sobretudo, o custo do dinheiro, que são os juros) e de pessimismo econômico com mais custo e mais 
pessimismo.
O gráfico dos juros reais, que publico no alto do post, dá – até visualmente – o tamanho da 
insensatez de fazer-se nova elevação dos juros reais.
E como isso se fará, na prática?
O primeiro passo, quase que com toda a certeza, será naquilo que tem condições mais rápidas de se 
espalhar no tecido econômico: a construção civil, que tem um número imenso de obras paralisadas 
ou se arrastando a passos de cágado.
Reflexo imediato no emprego, pois foi o setor que mais contribuiu, com o corte de 600 mil vagas, 
para o aumento do do desemprego.
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