Tem início nesta terça-feira (19) primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central (BC). A expectativa é que a taxa básica de juros volte a subir, após
três reuniões consecutivas estável em 14,25%. As instituições financeiras ouvidas para o
boletim Focus, pesquisa semanal do BC, apostam em uma alta de 0,5 ponto percentual, para
14,75% ao ano. A primeira decisão sobre a Selic em 2016 será anunciada amanhã (20) à noite,
já que a reunião do Copom dura dois dias. Hoje, chefes de departamentos do BC apresentam
uma análise da conjuntura doméstica, com dados sobre a inflação, o nível de atividade
econômica, as finanças públicas, a economia internacional, o câmbio, as reservas
internacionais e o mercado monetário, entre outros assuntos.
O mercado já fez chegar aos seus cronistas que, se depois das previsões ruins para a economia
mundial e piores para as brasileiras, o Banco Central não conceder um aumento generoso nas taxas
de juros, isso terá sido porque o seu presidente, Alexandre Tombini, terá ‘cedido às pressões do
de juros, isso terá sido porque o seu presidente, Alexandre Tombini, terá ‘cedido às pressões do
petismo’.
A coluna de Fábio Alves, no Estadão, diante de uma manifestação de Tombini onde diz que serão
levadas em consideração na reunião do Conselho de Política Monetária as avaliações divulgadas
horas atrás pelo FMI (ué, não deveriam ser levada em conta?) descreve, quase desenhando, o
discurso chantagista do mercado:
A surpresa com a nota divulgada hoje, comentando as projeções do FMI, levanta suspeitas de que o
BC sofre ingerência política, de que interesses contrários à alta de juros – necessária para controlar
expectativas ainda elevadas – exerceram pressões de última hora sobre ele, Tombini.
Depois de guiar as apostas de investidores para uma elevação da Selic de 0,50 ponto – como era até
Depois de guiar as apostas de investidores para uma elevação da Selic de 0,50 ponto – como era até
ontem -, essa reviravolta com um comentário que abre espaço para não subir juros ou, se subir, num
ritmo mais brando, vai solapar ainda mais a credibilidade das palavras de Tombini ou de outros
diretores do BC sobre os próximos passos da política monetária.
Não é preciso um discurso de esquerda para responder a isso, basta o equilíbrio do insuspeito e
Não é preciso um discurso de esquerda para responder a isso, basta o equilíbrio do insuspeito e
experiente George Vidor, ontem, em O Globo, usando as conclusões de uma instituição nada
“bolivariana, a Standard&Poors:
A tentativa de segurar a inflação por meio de taxas de juros excessivamente altas é admissível por
A tentativa de segurar a inflação por meio de taxas de juros excessivamente altas é admissível por
um breve período de tempo. Se tal política se estende por meses a fio, efeitos colaterais negativos
passam a comprometer esse esforço. Equivale a um tiro no pé. Mas esse fenômeno não costuma ser
levado em conta pela cartilha da maioria dos analistas financeiros e geralmente é associada a uma
visão de economistas complacentes com a inflação e que desprezam a política monetária. Mas, desta
vez, a crítica partiu nada menos de uma instituição respeitada pelos mercados financeiros: a agência
internacional de classificação de risco Standard&Poor’s.
Feroz em toda parte do mundo, no Brasil o mercado financeiro é ainda mais, é sanguinário.
Exige superávits – que são necessários – mas não tem o menor pudor em esconder que os encargos
Exige superávits – que são necessários – mas não tem o menor pudor em esconder que os encargos
financeiros (leia-se, taxa de juros) representam quase quatro vezes o déficit na conta receita/despesa
não financeira. E tem que ser coberto da mesma maneira, com a emissão de dívida.
Tivemos anos e anos sob Fernando Henrique Cardoso com as despesas estatais sufocadas,
Tivemos anos e anos sob Fernando Henrique Cardoso com as despesas estatais sufocadas,
investimento perto de zero e a entrada, afinal dilapidada, dos recursos de uma privatização sem
freios. No entanto, nossa dívida subiu como nunca por conta de juros estratosféricos, muito mais até
do que os que temos hoje.
Não serão juros altos – e isso se provou ao longo do final de 2014 e de todo 2015 – que vão segurar a
inflação brasileira. Não existe inflação de demanda no Brasil, nem mesmo de demanda por crédito
que poderia ser contida por isso.
Se não podemos controlar fatores externos, como a queda acentuada no preço das commodities, há
Se não podemos controlar fatores externos, como a queda acentuada no preço das commodities, há
fatores internos que podem ser amenizados no curto prazo: o retorno ao um mínimo de estabilidade
politica – e por isso trabalham tanto contra ela – o alívio na pressão de custos sobre a energia
provocada pela seca de dois anos que parece estar sendo encerrada, além da absorção do impacto da
variação cambial, praticamente concluída.
O Governo precisa, sim, focar no destravamento dos setores que possam replicar rapidamente no
O Governo precisa, sim, focar no destravamento dos setores que possam replicar rapidamente no
nível de atividade econômica, como a infraestrutura e a construção civil. Geram emprego e renda que
se refletem em outros setores da economia.
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