terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Copom inicia primeira reunião de 2016 e o mercado mete pé no pescoço do BC: “se não der mais juros, é petista!”


Tem início nesta terça-feira (19) primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária 
(Copom) do Banco Central (BC). A expectativa é que a taxa básica de juros volte a subir, após 
três reuniões consecutivas estável em 14,25%. As instituições financeiras ouvidas para o 
boletim Focus, pesquisa semanal do BC, apostam em uma alta de 0,5 ponto percentual, para 
14,75% ao ano. A primeira decisão sobre a Selic em 2016 será anunciada amanhã (20) à noite, 
já que a reunião do Copom dura dois dias. Hoje, chefes de departamentos do BC apresentam 
uma análise da conjuntura doméstica, com dados sobre a inflação, o nível de atividade 
econômica, as finanças públicas, a economia internacional, o câmbio, as reservas 
internacionais e o mercado monetário, entre outros assuntos.

O mercado já fez chegar aos seus cronistas que, se depois das previsões ruins para a economia 
mundial e piores para as brasileiras, o Banco Central não conceder um aumento generoso nas taxas
de juros, isso terá sido porque o seu presidente, Alexandre Tombini, terá ‘cedido às pressões do 
petismo’.
A coluna de Fábio Alves, no Estadão, diante de uma manifestação de Tombini onde diz que serão 
levadas em consideração na reunião do Conselho de Política Monetária as avaliações divulgadas 
horas atrás pelo FMI (ué, não deveriam ser levada em conta?) descreve, quase desenhando, o 
discurso chantagista do mercado:
A surpresa com a nota divulgada hoje, comentando as projeções do FMI, levanta suspeitas de que o 
BC sofre ingerência política, de que interesses contrários à alta de juros – necessária para controlar 
expectativas ainda elevadas – exerceram pressões de última hora sobre ele, Tombini.
Depois de guiar as apostas de investidores para uma elevação da Selic de 0,50 ponto – como era até 
ontem -, essa reviravolta com um comentário que abre espaço para não subir juros ou, se subir, num 
ritmo mais brando, vai solapar ainda mais a credibilidade das palavras de Tombini ou de outros 
diretores do BC sobre os próximos passos da política monetária.
Não é preciso um discurso de esquerda para responder a isso, basta o equilíbrio do insuspeito e 
experiente George Vidor, ontem, em O Globo, usando as conclusões de uma instituição nada 
“bolivariana, a Standard&Poors:
A tentativa de segurar a inflação por meio de taxas de juros excessivamente altas é admissível por 
um breve período de tempo. Se tal política se estende por meses a fio, efeitos colaterais negativos 
passam a comprometer esse esforço. Equivale a um tiro no pé. Mas esse fenômeno não costuma ser 
levado em conta pela cartilha da maioria dos analistas financeiros e geralmente é associada a uma 
visão de economistas complacentes com a inflação e que desprezam a política monetária. Mas, desta 
vez, a crítica partiu nada menos de uma instituição respeitada pelos mercados financeiros: a agência 
internacional de classificação de risco Standard&Poor’s.
Feroz em toda parte do mundo, no Brasil o mercado financeiro é ainda mais, é sanguinário.
Exige superávits – que são necessários – mas não tem o menor pudor em esconder que os encargos 
financeiros (leia-se, taxa de juros) representam quase quatro vezes o déficit na conta receita/despesa 
não financeira. E tem que ser coberto da mesma maneira, com a emissão de dívida.
Tivemos anos e anos sob Fernando Henrique Cardoso com as despesas estatais sufocadas, 
investimento perto de zero e a entrada, afinal dilapidada, dos recursos de uma privatização sem 
freios. No entanto, nossa dívida subiu como nunca por conta de juros estratosféricos, muito mais até 
do que os que temos hoje.
Não serão juros altos – e isso se provou ao longo do final de 2014 e de todo 2015 – que vão segurar a 
inflação brasileira. Não existe inflação de demanda no Brasil, nem mesmo de demanda por crédito 
que poderia ser contida por isso.
Se não podemos controlar fatores externos, como a queda acentuada no preço das commodities, há 
fatores internos que podem ser amenizados no curto prazo: o retorno ao um mínimo de estabilidade 
politica – e por isso trabalham tanto contra ela – o alívio na pressão de custos sobre a energia 
provocada pela seca de dois anos que parece estar sendo encerrada, além da absorção do impacto da 
variação cambial, praticamente concluída.
O Governo precisa, sim, focar no destravamento dos setores que possam replicar rapidamente no 
nível de atividade econômica, como a infraestrutura e a construção civil. Geram emprego e renda que 
se refletem em outros setores da economia.
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