segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O PIOR JORNALISTA DO ANO


Merval foi o pior entre os piores. Vários atributos levaram Merval ao prêmio

por : Paulo Nogueira

O pior jornalista de 2015 foi Merval Pereira. Merval bateu concorrentes fortes, a maior parte dos 
quais na sua própria empresa, a Globo.
Ali Kamel, diretor de telejornalismo da Globo, foi um dos derrotados por Merval. Kamel, num ano 
marcado por tantas manifestações de racismo, tem sido lembrado por um livro que lançou em 2008. 
O título é: “Não somos Racistas.”
Kamel dedicou o livro – na verdade uma coleção de artigos – a seus patrões, e eis aí uma 
característica que o une ao vencedor Merval: eles são mais Marinhos que os próprios Marinhos.
Para ganhar o prêmio de Pior Jornalista de 2015, Merval fez coisas como afirmar, categórico, que 
imperaria o voto de Fachin na sessão decisiva do STF sobre o roteiro do processo de impeachment.
Fachin, relator do caso, deu um voto, como se lembram todos, mata-Dilma. Se ele fosse seguido, 
Dilma estaria virtualmente liquidada.
Merval afirmou que Fachin teria uma quase unanimidade entre seus colegas no STF, e deu a seu 
texto o sugestivo título de “Caminho Livre”. (Caminho livre para o golpe, naturalmente.)
O voto de Fachin foi destroçado graças ao brilho da divergência do ministro Luís Roberto Barroso, 
num dos momentos capitais dos destinos da República em 2015.
Como um jornalista experiente como Merval comete um disparate de principiante ao afirmar, na 
véspera, o resultado de algo tão incerto?
É sabido que um erro leva a outro. O equívoco inicial foi Merval infringir a regra básica do 
jornalismo, criada pelo grande editor Joseph Pulitzer: “Jornalista não tem amigo.”
Mas Merval tem. Um deles é Gilmar Mendes, provavelmente o juiz mais partidário da história do 
STF. Tudo sugere que Gilmar passou a Merval sua visão sobre o que decidiria o STF.
E Merval a comprou. A suspeita é reforçada pelo comportamento de Gilmar na sessão que definiu o 
caminho do impeachment. Ao ver ir para o lixo o voto de Fachin, e com ele o seu próprio, Gilmar 
levantou-se abruptamente e deixou o plenário.
Merval jamais trabalharia com Pulitzer, mas é o ideal para os Marinhos. É a voz dos donos. Para usar 
uma clássica imagem bíblica, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que 
encontrar um texto de Merval que vá contra as opiniões dos Marinhos.
Em 2015, além de profeta fracassado, Merval foi também um torcedor apaixonado, outra agressão ao 
bom jornalismo.
Ele torceu sempre pelo impeachment, pela crise política e pela catástrofe econômica. Jamais se 
comportou como jornalista. É como se estivesse numa arquibancada do Maracanã, embrulhado a 
uma bandeira com inflamadas palavras reprovatórias contra o petismo, o lulopetismo e qualquer 
coisa ligada ao PT.
Merval hoje é o símbolo do jornalismo patronal, em que o papel dos jornalistas é, simplesmente, 
defender os interesses dos donos.
Num passado não tão distante, jornalistas eram majoritariamente progressistas, e disso resultava um 
certo equilíbrio nas publicações. Os donos, previsivelmente conservadores, puxavam para um lado e 
os editores progressistas para o outro, e a síntese era frequentemente um conteúdo rico e plural.
Dois exemplos notáveis foram a Folha sob Claudio Abramo e a Veja sob Mino Carta.
Hoje, o estilo Merval se espalhou. Espécie de decano do jornalismo patronal, Merval é uma triste 
referência para jornalistas jovens.
Todas essas coisas somadas, é dele, merecidamente, o título de Pior Jornalista do Ano.
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