quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

NASSIF SABE QUEM É O VOVÔ GARNERO


O neto só podia dar nisso

A história do avô do rapaz que ofendeu Chico 

Por Luis Nassif

O primeiro instante de celebridade do neto foi fotografar-se aos beijos com o ex-jogador Ronaldo.
O rapaz que ofendeu Chico Buarque é pouco informado sobre as aventuras de seu avô, Mário 
Garnero com o PT.
Garnero foi uma liderança estudantil importante. Depois, casou-se com uma herdeira do grupo 
Monteiro Aranha e passou a representar o sogro no capital da Volkswagen. Lá, como diretor de 
Recursos Humanos, conheceu e aproximou-se de Lula e dos sindicalistas do ABC.
Mas toda sua carreira foi pavimentada no regime militar.
Foi responsável por um seminário internacional em Salzburg, visando vender o país aos investidores 
externos no momento em que os ecos do Brasil Grande projetava a imagem do país no mundo.
Do seminário nasceu o Brasilinvest, um dos primeiros bancos de investimento do país tendo como 
acionistas diversos grupos internacionais. Garnero arrebentou com o banco desviando recursos para 
holdings fantasmas, como forma de se capitalizar para conquistar o controle absoluto da instituição. 
Quando terminou a operação, viu-se dono de um banco quebrado.
Antes disso, era o menino de ouro dos militares. Tornou-se num anfitrião de primeiríssima 
acolhendo em sua casa, ou em um almoço anual nas reuniões do FMI, a fina nata do capitalismo 
mundial. Tornou-se, de fato, um dos brasileiros mais bem relacionados do planeta. Mas jamais 
conseguiu transformar o relacionamento em negócios legítimos. Não tinha a visão do verdadeiro 
empreendedor. Terminou cercado por parceiros de negócio algo nebulosos.
Acabou se convertendo na bomba relógio que João Batista Figueiredo deixou para Tancredo Neves. 
A desmoralização final dos militares foram os escândalos da Capemi, brilhantemente cobertos para a 
Folha pelo nosso José Carlos de Assis.
Figueiredo impediu Delfim Netto de ajudar Garnero, vaticinando: o Brasilinvest será a Capemi do 
Tancredo. A razão maior era a presença, no Conselho de Administração, de Aécio Cunha, pai de 
Aécio e genro de Tancredo. E também de personagens de peso na vida nacional da época, como o 
presidente da Volskwagen Wolfgang Sauer, Helio Smidt, da Varig e o publicitário Mauro Salles.
Colhi depoimento de Sauer sobre o episódio e testemunhei o alemão de ferro chorar na minha frente 
pela traição do amigo Garnero.
Percebendo a armadilha, Tancredo incumbiu seu Ministro da Fazenda, Francisco Dornelles, de não 
facilitar em nada a vida da Brasilinvest. Da derrocada de Garnero, valeu-se Roberto Marinho para 
tomar-lhe o controle da NEC Telecomunicações.
Depois disso, continuou a vida tornando-se uma espécie de João Dória Junior internacional. Aos 
encontros anuais da Brasilinvest comparecia a fina flor do capitalismo - e modelos belíssimas. Aliás, 
a capacidade de selecionar mulheres era uma das especialidades de Garnero, que conseguiu um 
encontro de Gina Lolobrigida para seu sogro.
No início do governo Lula, Garnero valeu-se da familiaridade dos tempos de ABC para se aproximar 
de José Dirceu, ainda poderoso Ministro da Casa Civil. A aproximação lhe rendeu prestígio e bons 
negócios.
Graças a ela, conseguiu levar o Instituto do Coração para Brasília, em um episódio controvertido que 
estourou tempos depois, com boa dose de escândalo. Aliás, até hoje respondo a um processo maluco 
do Mário Gorla, o sócio de Garnero no empreendimento. Esteve também por trás dos problemas do 
Instituto do Coração em São Paulo.
Quando os chineses começaram a desembarcar no Brasil, fui procurado por analistas da embaixada 
da China interessados em informações sobre o país. E me contaram que estavam conversando com 
um BNDES privado. Indaguei que história era essa. Era o Brasilinvest – na ocasião um mero banco 
desativado, localizado em uma das torres do conjunto Brasilinvest na Avenida Faria Lima. Não 
sabiam que Garnero já se desfizera totalmente do patrimônio representado pelas torres. E tinha um 
banco de fachada.
Garnero ajudou na aproximação de Dirceu com parte dos empresários norte-americanos. Na véspera 
do estouro do "mensalão" Dirceu já tinha uma viagem agendada para Nova York organizada por ele.
Sem conseguir se enganchar no governo Lula, Garnero acabou se dedicando ao setor imobiliário. Os 
filhos não seguiram sua carreira, internacionalmente brilhante, apesar dos tropeços. Ficaram mais 
conhecidos pelas conquistas e pela vida vazia.
Já o neto consegue seu segundo instante de celebridade. O primeiro foi em um vídeo polêmico, 
simulando um agarra com o ex-jogador Ronaldo.


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