segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Espanha: Podemos alcança 20% dos votos e Rajoy perde maioria


Pleito foi marcado pelo fim do bipartidarismo e entrada de novos atores políticos no país; 
PSOE e Podemos ficaram em 2º e 3º lugar, respectivamente

O PP (Partido Popular), do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, venceu as eleições gerais deste 
domingo (20/12) na Espanha. Contudo, não obteve a maioria parlamentar para formar governo no 
país.
Com mais de 96% das urnas apuradas, o partido governista conquistou 28,71% dos votos e 122 
assentos no Congresso — longe das 176 vagas necessárias para conseguir maioria absoluta.
Em segundo lugar, está o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), com 22,08% e 91 cadeiras. 
A terceira força parlamentar está nas mãos da novata coalizão de esquerda Podemos, que conquistou 
20,61% dos votos e 69 assentos.
Além de Podemos, outra sigla recente na história política espanhola é o partido liberal Ciudadanos, 
que se consolidou no quarto lugar, com 13,88% dos votos e 40 cadeiras.
As duas legendas foram criadas recentemente como reação à crise financeira que o país passou nos 
últimos anos, bem como o desgaste político com denúncias de corrupção dentro do governo.
De acordo com El Pais, a coligação Unidade Popular-Izquierda Unida obteve menos de 4% dos 
votos e apenas dois deputados, tendo dificuldades para formar um grupo parlamentário próprio, dado 
que as regras do Congresso exigem um mínimo de cinco parlamentares.


Rodeado de jornalistas e fotógrafos, o líder do Podemos, Pablo Iglesias, votou neste domingo 
em Madri 
Ao longo do dia, 36,5 milhões de pessoas foram convocadas para escolher todos os 350 deputados 
do Congresso e 208 senadores. Segundo dados do governo, cerca de 58,4% da população apta a votar 
compareceram às urnas.
Essas eleições são consideradas as mais acirradas desde 1982 e marca o fim do bipartidarismo entre 
PP e e o PSOE, característica presente nos últimos pleitos do país.
Embora não haja uma agenda definida para a formação do próximo governo, os próximos dias 
devem ser marcados por uma série de negociações para a composição de gabinete, incluindo 
reuniões com o rei Felipe VI.
A expectativa é que o PP vá tentar se aproximar do Ciudadanos, cuja linha política de direita é mais 
semelhante ao seu projeto de governo.
Conforme as normas do país, o próximo primeiro-ministro deverá ser aprovado e designado pelo 
monarca.
Oficialmente, o novo Parlamento da Espanha deve iniciar seus trabalhos no dia 13 de janeiro, 
aproximadamente 20 dias após o resultado do pleito.
Caso português
O resultado espanhol lembra o pleito que ocorreu em Portugal há dois meses. No caso luso, a 
coalizão de centro-direita Portugal à Frente (PàF), liderada pelo então primeiro-ministro, Pedro 
Passos Coelho, vencera as eleições legislativas no início de outubro.
Apesar de conquistar 37% dos votos, a aliança não obteve a maioria absoluta dos assentos da 
Assembleia da República, de Portugal com 107 das 230 cadeiras.
Então, o PS (Partido Socialista), de centro-esquerda que ficou em segundo lugar no pleito, articulou 
uma aliança com partidos de esquerda.
Junto ao PCP (Partido Comunista Português), ao BE (Bloco de Esquerda) e ao PEV (Partido 
Ecologista “Os Verdes”), o grupo liderado pelos socialistas somou 122 cadeiras no Parlamento e 
derrubou o governo de Passos Coelho no dia 10 de novembro.
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