quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

EM BERLIN, LULA DENUNCIA “GOLPE EXPLÍCITO” CONTRA DILMA


Em Berlim, onde participou da Conferência Internacional do Congresso do Partido Social-
Democrata Alemã (SPD), nesta quarta-feira 9, o ex-presidente afirmou em seu discurso que a 
oposição no Brasil "não desceu do palanque" desde as eleições de 2014 e que o presidente da 
Câmara, Eduardo Cunha, "num gesto de vingança" contra o PT aceitou na semana passada 
um dos pedidos de impeachment apresentados contra a presidente Dilma Rousseff; Lula 
chamou a votação de ontem, secreta e com chapa alternativa para a formação da comissão de 
impeachment, de "afronta jamais vista no País"; "O que está em jogo não é o julgamento da 
presidenta Dilma, é o estado democrático de direito. Na verdade é uma tentativa de golpe 
explícito contra o Brasil e contra a presidenta Dilma Rousseff", disse

247 – O ex-presidente Lula denunciou nesta quarta-feira 9, de Berlim, na Alemanha, uma "tentativa 
de golpe explícito" contra a presidente Dilma Rousseff no Brasil e chamou a votação de ontem para 
a formação da comissão do impeachment – cheia de manobras do presidente da Câmara, Eduardo 
Cunha (PMDB-RJ), de "afronta jamais vista no País".
Para explicar a crise política no Brasil, Lula resgatou o fato de que o PT será o partido que mais 
governo o Brasil em 500 anos quando Dilma completar seu mandato, em 2018. "E me parece que 
alguns setores da sociedade brasileira, que perderam a quarta eleição no Brasil, não querem permitir 
que a presidenta Dilma complete o seu mandato", comentou.
Segundo ele, "depois que terminamos as eleições [de 2014], a oposição não conseguiu descer do 
palanque, ela continua fazendo campanha, e nós estamos passando por um momento político 
bastante delicado. Nós temos uma crise política, uma crise econômica e agora uma crise de denúncia 
de corrupção que já faz um ano que está permeando o noticiário da imprensa brasileira."
Em seu discurso, o ex-presidente disse que Cunha "conseguiu a construção de um apoio muito 
grande" em torno do impeachment, mesmo que não haja "uma acusação contra a presidenta Dilma". 
"Entretanto, o presidente da Câmara aceitou um pedido de impeachment, num gesto de vingança", 
criticou Lula, em referência ao anúncio feito pelo PT de que votaria contra o deputado no Conselho 
de Ética.
"O que está em jogo na verdade não é o julgamento da presidenta Dilma, é o estado democrático de 
direito, é a grande conquista que nós fizemos", reforçou Lula. "E é bom lembrar que o Brasil vive 
hoje o período mais longo da democracia da nossa história", completou. Segundo ele, o que ocorre 
por aqui "é uma tentativa de golpe explícito contra o Brasil e contra a presidenta Dilma Rousseff".
Lula também comentou a votação ocorrida ontem no plenário da Câmara, depois de muito tumulto, 
xingamentos e urnas quebradas. Por meio de manobras promovidas por Cunha, os deputados 
votaram, secretamente, para a formação da comissão especial que discutirá o pedido de 
impeachment. Para isso, foi criada, porém, uma chapa alternativa, gesto que resultou em recurso 
apresentado pelo PCdoB ao STF.
"Ontem seria votada uma comissão que analisaria o impeachment... 62 nomes foram indicados pelos 
partidos. E o presidente da Câmara, numa afronta jamais vista no País, não aceitou a lista 
apresentada pelos partidos e apresentou a lista dele para concorrer. E resolveu que a votação seria 
secreta. Houve muita confusão, e a votação foi secreta, e ele ganhou", contou Lula.
"Mas ele ainda não conseguiu voto suficiente para a decisão do impeachment", continuou o ex-
presidente, lembrando que "ainda ontem a Suprema Corte revogou todas as decisões do Congresso 
Nacional e nós vamos agora esperar uma semana, quando haverá o julgamento do plenário da 
Suprema Corte". "Em contrapartida, nós vamos para a rua para defender o mandato legitimamente 
eleito da nossa presidenta", anunciou o petista.
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