quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A freada de arrumação do STF no processo de impeachment



A decisão do Ministro Edson Fachin, suspendendo a tramitação do processo de impeachment da 
presidente Dilma Rousseff, até que o STF (Supremo Tribunal Federal) se manifeste, põe um freio em 
um abuso reiterado da democracia.
***
Tem-se de um lado uma presidente impopular, “trapalhona”, como disse certa vez Delfim Netto e 
personalista. Mas de uma idoneidade acima de qualquer suspeita e acima inclusive de todas as 
suspeitas nascidas da Lava Jato.
Dentro do presidencialismo de coalizão, loteou parte do Estado, é verdade. Mas segurou áreas 
críticas, a ponto de quase se inviabilizar politicamente.
Na outra ponta tem-se uma Câmara comandada por um dos piores políticos da história, em contagem 
regressiva para, possivelmente, amargar alguns anos na prisão. E, pior, pairando sobre dezenas de 
parlamentares as ameaças da Lava Jato.
O enfraquecimento de Dilma abriu espaço para um loteamento maior do governo. Mas ela ainda é 
um ponto de resistência.
Imagine-se o que seria um Executivo comandado por Michel Temer e seus dois escudeiros, Moreira 
Franco e Eliseu Padilha, com as capitanias sendo divididas por outros próceres do PMDB, 
contemplando até o batalhão do indizível Eduardo Cunha.
***
Ontem, no Palácio do Planalto, Dilma Rousseff recebeu 30 juristas hipotecando solidariedade. Em 
vários pontos do país, personalidades, artistas, movimentos sociais movimentam-se, em uma 
atividade incomum, pelo histórico dos últimos anos. Depois, um manifesto assinado por 18 
governadores, condenando as manobras pró-impeachment. Eles sentem na pele o que significaria 
para a economia a paralisia adicional provocada pelo ritual do impeachment.
Na se trata de solidariedade à pessoa física de Dilma Rousseff, mas à democracia brasileira.
***
No mesmo momento em que isso ocorria, Eduardo Cunha atropelava o regimento da casa para impor 
as regras do jogo na indicação da comissão que analisará o impeachment. E, um dia antes, o vice-
presidente Michel Temer tornava pública uma carta com tantos queixumes de Dilma que despertou 
fundadas dúvidas nos seus próprios companheiros de partido: se era tão ruim assim, porque aceitou 
continuar vice na reeleição?
Temer conseguiu, com apenas uma carta, romper uma blindagem de ano para sua atividade política, 
tornando-se o alvo maior do humor das redes sociais.
***
O país vive um momento único de oportunismo casado com hipocrisia. É possível até que se consiga 
o impeachment de Dilma. Afinal, a presidente tem uma capacidade única de criar problemas para si 
mesma.
Mas será um atestado definitivo de subdesenvolvimento político, um salto no escuro que não terá, 
para legitimá-lo, nem argumentos jurídicos, nem salvacionistas. E será um corte na estabilidade 
democrática duramente conquistada depois do período militar. Aliás, uma das poucas diferenças 
positivas do país em relação aos demais BRICs é seu amadurecimento democrático.
***
Nesse burburinho informacional trazido pela falta de critérios da Internet e dos jornais, se abusam 
das palavras.
Ex-jurista, há 40 anos afastado do metier, tendo, agora, como companheiros intelectuais Moreira 
Franco e Eliseu Padilha, Temer se permitiu esnobar o grupo de juristas, composto por professores 
das principais universidades do país, parte deles dona de currículo dos mais expressivos.
Depois de se oferecer para Temer, o senador José Serra avisou a nação de que sua posse acabará com 
o fisiologismo na política, graças à competência de Moreira Franco e Padilha – os dois campeões de 
fisiologismo no Congresso. Aliás, na carta lamuriosa que enviou a Dilma, as maiores queixas de 
Temer foram contra o não atendimento de suas demandas fisiológicas.
***
No próximo dia 16, o STF (Supremo Tribunal Federal) analisará os abusos cometidos por Cunha no 
encaminhamento do pedido de impeachment,
Espera-se que seja uma âncora de bom senso, impondo limites à ação tresloucada da pior geração de 
deputados que o país já conheceu.
______________________________________________

Nenhum comentário: