quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Como Os Fanfarrões da Lava Jato alteraram a data do empréstimo do BNDES a Bumlai para pegar Lula


A força tarefa da Lava Jato

por : Kiko Nogueira

A cruzada da Lava Jato para apanhar Lula ganhou mais um capítulo no vale tudo empenhado por 
Sergio Moro e sua equipe. O pedido do Ministério Público Federal na operação que resultou na 
prisão do pecuarista José Carlos Bumlai declara, textualmente, o seguinte:
“Em 3/02/2005, pouco tempo depois de BUMLAI auxiliar na obtenção de empréstimo em favor do 
Partido dos Trabalhadores, quando ainda estava inativa, a SÃO FERNANDO AÇUCAR E 
ALCOOL LTDA (CNPJ Nº 05.894.060/0001-19) recebeu R$ 64.664.000,00 de crédito do BNDES . 
A empresa voltaria a obter créditos do BNDES em 12/12/2008, quando recebeu investimentos de 
aproximadamente R$ 388.079.767.”
Trocando em miúdos, fala-se de um empréstimo em 2005, pouco tempo depois de Bumlai dar 
dinheiro ao PT.
Acontece que não houve nada naquele ano. Os 64 milhões são de 2009. Por que 2005? Para fazer 
caber na narrativa de que o “Barba”, o “Brahma”, sabia de tudo.
Os dados estão disponíveis no site do BNDES, neste link. Por que ninguém checou?
Na sanha de estabelecer conexão de qualquer coisa com qualquer coisa, a realidade vai sendo 
atropelada. No circo das coletivas, o procurador Diogo Castor de Mattos, da força tarefa, brilhou 
com frases de efeito.
“A Receita constatou que a empresa estava inativa na época, não tinha empregado, nem receita 
operacional quando ocorreu o primeiro empréstimo”, disse, baseado numa data fantasma. Uma nota do BNDES esclarecendo a questão está sendo completamente ignorada em nome da manipulação da 
histeria coletiva.
“Com relação ao contrato de R$101,5 milhões, celebrado em 23/07/2012 com os agentes 
financeiros Banco do Brasil e BTG, para repasse de recursos a São Fernando Energia, trata-se da 
implantação do segundo sistema de cogeração, também acoplado aos demais processos produtivos 
da unidade São Fernando Açúcar e Álcool”, afirma o comunicado. “Portanto, não faz sentido a 
afirmação de que o financiamento teria sido direcionado a uma empresa que possuía menos de 
uma dezena de funcionários.”
Como ninguém apura nada quando o assunto são os eternos suspeitos, Eliane Cantanhêde já fala, em 
sua coluna no Estadão, na “prisão do amigão do Lula que recebeu milhões do BNDES para uma 
empresa inativa”. Não haverá correção porque, em casos assim, o erro é permitido e estimulado.
Depois de decretar a prisão de Bumlai, Moro enviou um ofício à CPI do BNDES pedindo desculpas 
por inviabilizar o depoimento dele aos parlamentares. O banco entrou de carona na Lava Jato. Qual a 
justificativa para um juiz do Paraná colocar o BNDES nessa história?
A resposta está na caçada a Lula.
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