quinta-feira, 3 de setembro de 2015

SUPREMA VERGONHA


O Gilmar contesta contas que ele mesmo aprovou …

Com e sem jato

De Janio de Freitas
,

Cada dia do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, vale quase um mês e 
meio do ministro Gilmar Mendes.
Em 11 dias, Fachin informou o tribunal de que concluíra o seu voto sobre descriminalização do porte 
de drogas, para o qual pedira vista no julgamento em 19 de agosto. A votação já pode ser retomada.
Gilmar Mendes pediu vista e sustou a decisão sobre financiamento eleitoral por empresas em abril de 
2014. Ainda não foi capaz de ter o voto para continuidade do julgamento. Apesar de sua opinião ser 
conhecida –e já estar derrotada no tribunal, com a companhia dos empresários que financiam 
campanhas para manipular políticos.
No Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes tem outra atitude típica. Quer uma investigação da 
Procuradoria Geral da República nas contas da campanha de Dilma Rousseff, suspeitando de 
recursos provenientes dos truques que a Lava Jato investiga. A defesa argumenta que as contas 
foram examinadas pelo tribunal e “aprovadas com ressalva”. O relator da aprovação: Gilmar Mendes. Mas, acima disso, lembra a defesa, em abril deu-se o “trânsito em julgado” do processo das contas, o 
que encerrou o prazo para qualquer recurso contrário à sua aprovação. 
Por coincidência, ou não, a iniciativa de Gilmar Mendes corresponde, inversamente, a uma não 
destacada ou mesmo silenciada na imprensa. Como relatora, a ministra Maria Thereza Moura 
apontou 15 problemas encontrados pelos técnicos do tribunal nas contas da campanha de Aécio 
Neves. Pediu esclarecimentos, se possíveis. Na segunda-feira passada, Aécio disse que “já foram 
apresentadas todas as justificativas, coisas eminentemente formais”.
Não. Algumas estão definidas como graves. Nada mais adequado, tratando-se de pessoa sempre 
afinada com a moda, que ao menos um dos problemas refira-se a uma doação da Odebrecht: R$ 2 
milhões com registro de recebimento e sem a comprovação do destino alegado (o próprio partido). 
Também há declaração de menos de um terço da doação feita pela Construbase, alguns milhões cuja 
entrada os técnicos do TSE perceberam, mas não encontraram na contabilidade –enfim, não apenas 
“coisas eminentemente formais”.
(…)
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