quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O QUE É A FRENTE BRASIL POPULAR


 
por Breno Altman


No último dia 5 de setembro, em Belo Horizonte, 2,5 mil delegados vindos de 21 estados e do
Distrito Federal lançaram uma nova coalizão, agrupando movimentos sociais, sindicatos, partidos 
políticos e personalidades.
Estavam presentes entidades tradicionais, como a CUT, o MST e a UNE, ao lado de PT e PCdoB, 
entre outras legendas.
Inúmeras outras organizações se somaram a este evento multicolorido que aglutinou os mais 
importantes destacamentos da mobilização popular por direitos sociais e civis.
Lideranças oriundas de agremiações centristas, como Roberto Amaral (ex-PSB) e o senador Roberto 
Requião (PMDB-PR), ajudaram a afirmar o caráter amplo e plural da empreitada.
O nome de batismo da iniciativa: Frente Brasil Popular.
Mas do que se trata, afinal, este projeto desenhado por tantas mãos?
Representa, acima de tudo, uma tentativa da esquerda em responder, da forma mais unitária possível, 
à ofensiva conservadora em curso.
Não se define, porém, como aliança de apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff, ainda que 
um de seus compromissos centrais seja a defesa da legalidade democrática e do mandato 
constitucional sacramentado pelas urnas.
O outro pé programático da FBP, associado à salvaguarda da democracia, é o combate à política 
econômica adotada pelo governo depois da reeleição, centralizada pelo chamado ajuste fiscal.
A Frente, portanto, luta simultaneamente contra o golpismo, representado pelo setores mais 
conservadores, e o sequestro da agenda governamental pelos interesses do capital financeiro.
A dupla batalha constitui, aliás, o elemento mais esquizofrênico da situação política. Retrata, no 
entanto, a realidade pós-eleitoral, forjada pela opção presidencial por soluções opostas ao consenso 
progressista que levou ao quarto triunfo petista.
A bandeira da democracia, assim, é essencial para resistir às tentativas de desestabilização e 
derrubada da presidente, impulsionadas por forças que desejam recuperar a direção do Estado para o 
bloco oligárquico-rentista.
O golpismo não resume, contudo, os perigos que ameaçam o processo de mudanças iniciado em 
2003.
Também o transformismo do governo, submetido a programa e composição ministerial derivados de 
concessões profundas ao conservadorismo, coloca em alto risco as conquistas pós-Lula e o futuro de 
uma alternativa sob a batuta da classe trabalhadora.
A FBP, ao se propor a soldar coalizão pela democracia com mudança da política econômica, busca 
igualmente alterar a função caudatária que foi reservada aos movimentos sociais e mesmo aos 
partidos de esquerda em boa parte do período posterior à vitória de 2002.
A paulatina perda do papel dirigente exercido pelo PT na coligação governista, por outro lado, 
tornou mais clara a necessidade do campo progressista disputar publicamente, de fora para dentro 
das instituições, os rumos da administração federal.
Sem propósitos eleitorais, a Frente se apresenta como instrumento de mobilização popular e 
programática, aberta a todas as correntes democráticas e de esquerda.
Ainda que seus objetivos fundamentais sejam imediatos, ajudar a derrotar as forças reacionárias e 
libertar o governo das amarras conservadoras nas quais se emaranhou desde as eleições, a Frente 
Brasil Popular também expressa esforço de renovação militante.
Sua fundação carrega o desafio de desbravar, das ruas às instituições, um novo protagonismo para o 
mundo do trabalho e da cultura, para mulheres e jovens, para a afirmação da diversidade sexual e a 
luta contra o racismo.
Ao menos são essas as intenções declaradas e publicadas dos milhares de ativistas que foram a Belo 
Horizonte com a esperança de fabricar saídas autônomas para a crise.
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