quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Em Plena Crise Hidrica, Alckmin recebe prêmio por gestão de recursos hídricos


Prêmio a Alckmin por gestão da água é comparado a Nobel da Paz a Bolsonaro

Em meio a maior crise hídrica do estado, governador paulista será premiado pela Câmara dos 
Deputados, em virtude de trabalho desenvolvido à frente da Sabesp. Notícia rendeu piadas nas 
redes.

Rede Brasil Atual

São Paulo – A informação veiculada hoje (22) de que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) é um 
dos vencedores do Prêmio Lúcio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação, oferecido pela 
Câmara dos Deputados, revoltou o coordenador do Coletivo de Luta pela Água, Edson Aparecido: 
"Isso é mais absurdo que a própria crise. Ela é resultado justamente da incapacidade de gestão e 
planejamento do próprio governador Alckmin, que não deu ouvido a avisos, não investiu, não 
cumpriu promessas que ele mesmo fez na crise de 2003. Esse tipo de premiação é incentivo à má 
gestão, não tem o menor cabimento".
O tucano será premiado dia 13 de outubro "em virtude do trabalho desenvolvido à frente da Sabesp e 
da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo" justamente em um ano 
que o estado enfrenta sua pior crise hídrica. 
A informação do prêmio foi motivo de piadas nesta terça-feira nas redes sociais, como: "Casal 
Nardoni vai receber o prêmio Infância Protegida","Inacreditável, 
deve ser coisa do Sensacionalista", "Aguardo ansiosamente o Bolsonaro receber o Nobel da Paz".
O líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, Geraldo Cruz, demonstrou indignação. "O 
deputado que propôs esse prêmio a Alckmin, que por omissão e má utilização dos recursos públicos, 
é responsável pela maior crise hídrica do estado de São Paulo, poderia aproveitar e dar o nome de 
'mandacaru' ao prêmio, a planta da terra onde nasci, a Paraíba, que tem a maior resistência à seca. 
Assim como o mandacaru, o povo paulista resiste à seca e à falta de planejamento para enfrentar a 
escassez de chuvas. Isso sem falar das denúncias feitas pela Observadora da ONU sobre a 
responsabilidade de Alckmin na crise e as denúncias do Ministério Público sobre corrupção em obras 
importantes da Sabesp", disse Geraldo Cruz.
Nesta terça-feira, o nível do Sistema Cantareira, principal reservatório da Região Metropolitana de 
São Paulo, voltou a cair após período de oito dias sem chuvas. Segundo a Sabesp, levando em conta 
a reserva técnica, conhecida popularmente como “volume morto”, o volume de água passou de 
-12,9% (ontem) para -13% hoje.
No último mês, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo apontou que a falta de água é resultado 
da falta de planejamento do governo paulista. O órgão afirmou que a Secretaria Estadual de Recursos 
Hídricos recebeu diversos alertas sobre a necessidade de um plano de contingência contra a escassez 
de água. A pasta negou as alegações e afirmou que era impossível prever a estiagem de 2014.
Além disso, dados de 2013 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento relativizam a 
liderança de São Paulo no processo de universalização do saneamento básico. Apesar de estarem à 
frente de todos os demais estados brasileiros no quesito de rede de abastecimento de água (95,85%) e 
coleta de esgoto (87,36%), os paulistas ainda apresentam um índice baixo de tratamento de esgoto, 
de apenas 53,34%. Tratado ou não, o esgoto acaba lançado em corpos d’água e rios que servem de 
abastecimento posteriormente.
O governador paulista foi indicado à premiação por seu colega de partido, o deputado federal João 
Papa (PSDB-SP). Segundo o parlamentar, Alckmin lidera um processo de gestão e de 
implementação de políticas públicas nas áreas de saneamento e de recursos hídricos que fazem de 
São Paulo o estado brasileiro mais próximo da universalização dos serviços de saneamento básico. A 
escolha pelo nome do governador foi feita pelos membros da CDU no último dia 9.
Alckmin foi escolhido para o prêmio na categoria Personalidades, ao lado de Jaime Lerner (ex-
prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná), indicado pelo deputado Toninho Wandscheer (PT-
PR) pelo modelo de mobilidade urbana, de preservação de áreas verdes e de reciclagem implantado 
na capital paranaense; e de Eduardo Paes (PMDB-RJ), prefeito do Rio de Janeiro indicado pelo 
deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), por conta da revitalização da Região Portuária da cidade. 
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