CPMF e IR de ganho financeiro pegam o lombo dos ricos. Já era a hora.
O governo decidiu cortar R$ 26 bilhões em seus gastos. Por ordem da presidente Dilma Rousseff,
o número está sendo anunciado em entrevista coletiva pelos ministros Joaquim Levy (Fazenda) e
Nelson Barbosa (Planejamento). O governo quer a criação da CPMF como forma de aumentar as
receitas e tentar minimizar o aumento de impostos cobrados diretamente dos contribuintes. A
alíquota proposta, de 0,2%, deve gerar R$ 32 bilhões para os cofres do governo, dinheiro que irá
abastecer a Previdência Social. Segundo Levy, o objetivo é que "não dure mais do que quatro
anos".
Em jantar na noite desta segunda-feira com ministros da área econômica e da articulação política, o
Em jantar na noite desta segunda-feira com ministros da área econômica e da articulação política, o
governo conseguiu convencer os 19 governadores presentes a assumir a linha de frente para
negociar, no Congresso, o aumento da alíquota de 0.20% para 0.38% para qdente Dilma nos disse:
vamos fazer isso — contou Flávio Dino.ue a nova CPMF seja compartilhada com estados e
municípios. Mais cedo, líderes da base no Congresso já tinham revelado a estratégia do governo de
anunciar uma alíquota mais baixa, sem compartilhamento, para trazer governadores e prefeitos para
dentro do Congresso para pressionar pela aprovação do novo imposto, com alíquota maior. A
primeira reunião dos 27 governadores já foi marcada para a quarta-feira da semana que vem na
Câmara, com lideranças de todos os partidos. O GLOBO mostrou na edição desta terça-feira que a
CPMF poderá ser maior para atender os estados.
Mostrando que era uma estratégia previamente combinada com os ministros Joaquim Levy
(Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) , no jantar, diante da grita dos governadores contra a não
inclusão de estados e municípios na partilha do bolo de R$ 32 bilhões da nova CPMF, coube ao
ministro da Defesa, Jaques Wagner, mostrar o caminho para resolver o problema da exclusão:
— Olha, tem um caminho. Se vocês negociarem com o Congresso esse plus na alíquota, subindo
para 0.38%, aí sim é possível o compartilhamento com estados e municípios — instruiu Jaques
Wagner, que tem funcionado como um dos principais articuladores políticos da presidente Dilma
Rousseff.
(...)
Um dos que mais reclamou da exclusão de estados e municípios do bolo de arrecadação pela União,
caso a CPMF seja aprovada, o governador do Rio de Janeiro, Luis Fernando Pezão, lembrou sua luta
pela inclusão de estados e municípios na partilha da CPMF, desde os tempos do governo Fernando
Henrique Cardoso. Pela proposta anunciada nesta segunda-feira por Levy e Barbosa, ao invés de
custear a saúde, o novo imposto vai financiar o rombo da Previdência.
— Eu acho que precisa haver, sim, esse compartilhamento com estados e municípios. Vou defender
— Eu acho que precisa haver, sim, esse compartilhamento com estados e municípios. Vou defender
que a proposta seja alterada. Os estados também tem um déficit de Previdência. Aliás, o grande
gargalo do meu governo é a Previdência — reclamou Pezão.
(...)
Além das medidas discutidas, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), pediu apoio da
presidente Dilma e da equipe econômica para articular junto à cúpula do Judiciário para apertar o
cumprimento de medidas de combate à sonegação e liberação das dívidas ativas.
— Temos cerca de 1 trilhão ajuizado. O CNJ poderia fazer um mutirão para arrecadação desse
dinheiro sonegado. A presidente Dilma nos disse: vamos fazer isso — contou Flávio Dino.
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