quinta-feira, 6 de agosto de 2015

“A prisão de Lula é o trofeu que Moro deseja”, diz decano dos criminalistas de SP



por : Kiko Nogueira

Paulo Sérgio Leite Fernandes, decano dos criminalistas de São Paulo aos 79 anos, é um crítico do 
juiz Sergio Moro e das delações premiadas na Lava Jato.
Para ele, essa prática “foi importada da América do Norte e, na linguagem de beira de cais, é 
cagüetagem. Delata-se por vários motivos: satisfação econômica, castigo menor, sadismo, ódio, 
culpas, vingança”
Na ativa desde 1960, Fernandes foi professor de Processo Penal e conselheiro federal da Ordem dos 
Advogados do Brasil.
Ele deu um depoimento ao DCM em que explica por quê, em sua opinião, o objetivo final de Moro é 
Lula:
O Moro não é original na posição em que se põe. Na Antiguidade, você teve centenas de arautos 
desse estilo, que se colocam como heróis no conflito entre o bem e o mal.
É o chefe da tribo, o pajé, o rei viking que conduz os guerreiros pelos mares revoltos.
Nem sempre acaba bem. O bispo Savonarola, em Florença, fazia essa pregação da imaculabilidade. 
Quando perdeu o poder, foi-lhe perguntado se queria morrer pela espada ou pela forca. Morreu 
enforcado e depois seu corpo foi incinerado numa fogueira em praça pública.
Sergio Moro é necessário neste momento. Não digo que isso é bom ou mal. Ele é um personagem da 
hora. 
Aí temos outro elemento: o povo. O povo, ou parte dele, quer sangue, quer vítimas, como as harpias 
na Revolução Francesa.
Moro acha que tem de oferecer o sangue que esse povo quer.
A diferença dos tempos antigos é que, hoje, o negócio é mais sofisticado. A Lava Jato, por exemplo, 
faz algo inominável: algema as pessoas com as mãos para trás.
Qual a finalidade disso?
Para que elas não possam cobrir o rosto, o sinal mais instintivo da vergonha. Trata-se apenas de 
filhadaputice. 
O objetivo final dele é prender Lula. É o seu trofeu de caça. O juiz se tornou um ícone da política 
judiciária do Brasil. Foi transformado num símbolo da impecabilidade. Tem, ou acha que tem, esse 
papel a cumprir.
Ele vai medir os riscos da prisão, obviamente. Precisa das provas adequadas. Um problema, para 
Moro, seria a revogação da prisão preventiva por falhas processuais.
Se chegar a prender Lula, mesmo com estrutura probatória adequada, há a possibilidade de uma 
reação enorme da sociedade civil. 
Em sua motivação psicológica de vencer o mal, ou o que acredita ser o mal, ele vai levar tudo isso 
em consideração. Moro é um obsessivo compulsivo e Lula é o alvo. E qualquer coisa é possível em 
se tratando de um personagem como este.
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