Porque a “batida” na casa de Collor atinge me cheio Renan e Cunha
Por: Fernando Brito
A esta altura, creio que ninguém com um mínimo de lucidez espera encontrar provas materiais de corrupção dos casos apurados pela Operação Lava Jato dormindo nas gavetas das casas ou escritório dos acusados.
Pode até haver alguma exceção, de algum político ou empresário que habite o mundo da Lua e tenha deixados guardados bilhetes, planilhas, e-mails ou qualquer coisa do gênero que os possa comprometer.
A pistas e provas, se existirem, só podem ser reunidas por movimentações bancárias, saques, recebimentos, remessas ao exterior e outras operações do tipo, que não vão ter comprovantes guardados tal como eu e o distinto leitor guardamos recibos de pagamento das contas de luz, telefone, água…
Mesmo os computadores, qualquer guri sabe, ficam à mercê de um mero HD externo, que guarda numa embalagem do tamanho de um maço de cigarros milhares de documentos que não se queira deixar em um disco rígido local.
O que levou, então, o MP a requerer e o Supremo a autorizar as “batidas” de hoje?
A interpretação que se deve dar a essa movimentação espalhafatosa não está nos autos dos processos, mas na construção de um suporte político para operações mais agudas.
Collor e o exibicionismo de sua coleção de carros certamente são uma “benção” para esta “ação de marketing judicial”, melhor não haveria.
Ninguém duvide que se vai “medir” a reação do Senado e da Câmara e preparar outros movimentos.
Porque não é só na Câmara Alta que Paulo Roberto Costa despejava suas benesses. Na Câmara, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras também abastecia muita gente…
Outras escaramuças virão, de preferência durante o recesso parlamentar que começa ao final desta semana.
Nenhuma simpatia por Fernando Collor, Fernando Bezerra Coelho ou Ciro Nogueira, cujas casas foram hoje alvo de operações de apreensão da Polícia Federal.
Aliás, é irrelevante gostar ou não deles ou acreditar que estejam ou não estejam metidos em falcatrua.
O fato é que a ação – desta vez não dos promotores do Paraná ou do juiz Sérgio Moro, mas do procurador Rodrigo Janot e dos Ministros Teori Zavascki, Celso de Mello e Ricardo Levandowski – tem implicações institucionais gravíssimas e põe o já complicado quadro institucional do país em estado de fervura.
Foram planejadas meticulosamente para produzir espalhafato e reforço de posições políticas.
De outra maneira, como pensar que o desfile de carros de luxo pelos portões da Casa da Dinda não pudesse ser substituído por um prosaico bloqueio de bens?
Bloqueio não dá imagem no Jornal Nacional, com algo bem mais suculento que um Fiat Elba, não é?
Está evidente que Janot aquece os músculos para ações mais fortes e contra contra nomes mais poderosos:
Renan Calheiros e Eduardo Cunha.
A política foi transformada em assunto policial e o Ministério Público e a Polícia Federal são hoje seus mais importantes atores, e o Supremo voi atirado para o centro da investigação policial, à medida em que é, agora, quem autoriza buscas residenciais, ao menos publicamente sem explicações mais detalhadas ou evidentes.
Com todos os arrepios que o personagens envolvidos possam nos causar, a mim, ao menos, causa mais arrepios ver formar-se um conflito institucional desta magnitude, onde as instituições de poder político e policial-judicial entram em conflito e o país se paralisa.
Estamos a pouco tempo, talvez menos que semanas, de ver a ação policial-judicial atingir o núcleo do Poder Legislativo e provocar um embate institucional sobre o qual é difícil fazer qualquer previsão.
Não é pela figura dos três de hoje e dos dois de amanhã ou depois. Mas porque um dos poderes da República está tão corroído pelos alinhamentos corporativos e ambições, pela falta de pudores e de líderes que não se pode deixar de sentir no ar a suspeita cada vez mais forte de que vai se formando no Brasil um caldeirão de cheiro extremamente desagradável.
A pistas e provas, se existirem, só podem ser reunidas por movimentações bancárias, saques, recebimentos, remessas ao exterior e outras operações do tipo, que não vão ter comprovantes guardados tal como eu e o distinto leitor guardamos recibos de pagamento das contas de luz, telefone, água…
Mesmo os computadores, qualquer guri sabe, ficam à mercê de um mero HD externo, que guarda numa embalagem do tamanho de um maço de cigarros milhares de documentos que não se queira deixar em um disco rígido local.
O que levou, então, o MP a requerer e o Supremo a autorizar as “batidas” de hoje?
A interpretação que se deve dar a essa movimentação espalhafatosa não está nos autos dos processos, mas na construção de um suporte político para operações mais agudas.
Collor e o exibicionismo de sua coleção de carros certamente são uma “benção” para esta “ação de marketing judicial”, melhor não haveria.
Ninguém duvide que se vai “medir” a reação do Senado e da Câmara e preparar outros movimentos.
Porque não é só na Câmara Alta que Paulo Roberto Costa despejava suas benesses. Na Câmara, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras também abastecia muita gente…
Outras escaramuças virão, de preferência durante o recesso parlamentar que começa ao final desta semana.
Nenhuma simpatia por Fernando Collor, Fernando Bezerra Coelho ou Ciro Nogueira, cujas casas foram hoje alvo de operações de apreensão da Polícia Federal.
Aliás, é irrelevante gostar ou não deles ou acreditar que estejam ou não estejam metidos em falcatrua.
O fato é que a ação – desta vez não dos promotores do Paraná ou do juiz Sérgio Moro, mas do procurador Rodrigo Janot e dos Ministros Teori Zavascki, Celso de Mello e Ricardo Levandowski – tem implicações institucionais gravíssimas e põe o já complicado quadro institucional do país em estado de fervura.
Foram planejadas meticulosamente para produzir espalhafato e reforço de posições políticas.
De outra maneira, como pensar que o desfile de carros de luxo pelos portões da Casa da Dinda não pudesse ser substituído por um prosaico bloqueio de bens?
Bloqueio não dá imagem no Jornal Nacional, com algo bem mais suculento que um Fiat Elba, não é?
Está evidente que Janot aquece os músculos para ações mais fortes e contra contra nomes mais poderosos:
Renan Calheiros e Eduardo Cunha.
A política foi transformada em assunto policial e o Ministério Público e a Polícia Federal são hoje seus mais importantes atores, e o Supremo voi atirado para o centro da investigação policial, à medida em que é, agora, quem autoriza buscas residenciais, ao menos publicamente sem explicações mais detalhadas ou evidentes.
Com todos os arrepios que o personagens envolvidos possam nos causar, a mim, ao menos, causa mais arrepios ver formar-se um conflito institucional desta magnitude, onde as instituições de poder político e policial-judicial entram em conflito e o país se paralisa.
Estamos a pouco tempo, talvez menos que semanas, de ver a ação policial-judicial atingir o núcleo do Poder Legislativo e provocar um embate institucional sobre o qual é difícil fazer qualquer previsão.
Não é pela figura dos três de hoje e dos dois de amanhã ou depois. Mas porque um dos poderes da República está tão corroído pelos alinhamentos corporativos e ambições, pela falta de pudores e de líderes que não se pode deixar de sentir no ar a suspeita cada vez mais forte de que vai se formando no Brasil um caldeirão de cheiro extremamente desagradável.
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