terça-feira, 9 de junho de 2015

CUZÂO DÓRIA E BLABLARINA FELDMAN


Feldman e Doria

por : Kiko Nogueira

O presidente-até-o-momento da CBF, Marco Polo Del Nero, se afundou mais um pouco em seu 
pântano com uma nova história segundo a qual seria o “homem forte” das negociações da entidade 
desde a época de vice de Marin.
De acordo com o Estadão, ele recebeu empresários para tratar de contratos com um executivo que 
está sendo interrogado na Suíça pelo Ministério Público.
Para os puxa sacos e desavisados de sempre, a gestão Del Nero era vendida como “renovação”. Duas 
contratações viraram símbolo disso. Walter Feldman, secretário-geral, veio com o mesmo papo 
magro que usou na campanha de Marina Silva, em que trabalhou como coordenador. Era preciso 
esquecer o passado, daqui pra frente tudo vai ser diferente etc.
Feldman teve um trajetória triste no PSDB antes de desembarcar na Rede. A ambição nunca se 
igualou à capacidade de ganhar votos. Foi serrista quando isso existia, saiu do partido atirando em 
Alckmin, voltou para a medicina — agradecendo a mamãe, naturalmente — e encontrou abrigo com 
Marina, tornando-se especialista automático em “sustentabilidade”.
Apanhado no tiroteio, pensou que retirar o nome de José Maria Marin da sede no Rio de Janeiro 
resolveria os problemas. Sua página no Facebook sumiu do ar na semana passada.
A situação de Feldman talvez só não seja tão complicada quanto a do chefe e a de outro personagem 
cuja nomeação causou surpresa até mesmo em Galvão Bueno: o lobista João Doria Jr..
Doria é velho amigo de Del Nero e uma indicação de Aécio Neves. Assumiu como chefe de 
delegação misteriosamente, sem qualquer tipo de serviço prestado ao futebol (como se se tratasse 
disso, na verdade).
Indagado sobre o cargo do chegança, Del Nero saiu-se com uma tirada em seu agora falecido estilo 
cesarista. “Não quero mais ouvir falar em caixa-preta, quero mostrar o que mais podemos fazer. 
Trouxemos um homem como o João Dória, que é jornalista e torce pelo Brasil.” Caixa preta?
Convenhamos que é um currículo pobre para a função, seja ela qual for. Doria é o autor, entre outras 
coisas, do inesquecível movimento Cansei, uma espécie de pré-MBL de bacanas entediados no 
governo Lula. Doria, na época um Kim Kataguiri de gumex e banho tomado, tentou provocar 
passeatas anticorrupção e acabou ridicularizado inclusive por Fernando Henrique Cardoso.
Nos últimos meses, em seu programa traço de tv ou em seus encontros com empresários em resorts, 
virou uma voz insistente pelo impeachment (sua obsessão pelo tema fez com que passasse vergonha 
num Roda Viva com Eduardo Cunha). “A corrupção, como metástase, propaga-se e a sociedade 
clama por uma cirurgia rápida. Antes que seja tarde”, escreveu na Folha de S.Paulo.
Esse tipo de indignação não inclui, obviamente, os amigos. A roubalheira na Fifa e na CBF foi 
escancarada e Doria nunca mais foi visto. “Destruir um patrimônio como o futebol não faz bem para 
o Brasil”, disse Feldman, queixando-se das críticas. Mostrar o caminho de casa a gente como esses 
três é uma maneira de proteger o esporte.
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