
Balaio do Kotscho
"A situação está ficando psico escalafobética", constata o filósofo José Simão, mais sério analista
político do país. Está ficando, não, já ficou, meu caro Simão, como você pode constatar ao ver as
imagens desta quarta-feira na Câmara, com as cenas dos bate-paus do deputado Paulinho da Força,
um dos generais da banda do presidente Eduardo Cunha, baixando as calças diante das excelências
que votavam mais um pedaço do ajuste fiscal.
Peço até desculpas aos nobres profissionais do picadeiro, por chamar de circo este espetáculo
Peço até desculpas aos nobres profissionais do picadeiro, por chamar de circo este espetáculo
deprimente montado em Brasília, que está atingindo um nível inédito de degradação dos nossos
costumes políticos.
As votações de ontem mostraram que não temos mais partidos políticos, situação e oposição,
esquerda e direita, virou tudo uma mixórdia só. De um lado, importantes líderes do PT, como o
deputado Vicentinho, votaram contra o governo; de outro, o PSDB votou em bloco a favor de
mudanças no fator previdenciário das aposentadorias, criado no governo de Fernando Henrique
Cardoso. Pairando acima de tudo, pontifica a bancada suprapartidária do baixo clero comandado por
Eduardo Cunha.
Nada tem de engraçado este circo, apesar das cenas de pastelão protagonizadas por parlamentares e a
Nada tem de engraçado este circo, apesar das cenas de pastelão protagonizadas por parlamentares e a
tropa de choque da Força Sindical, cada vez mais ousada e inimputável na sua tarefa de desmoralizar
de vez o Congresso Nacional, diante da atitude passiva de quem deveria zelar pelo respeito às
instituições.
O pacote do ajuste fiscal amarrado pelo ministro Joaquim Levy está sendo retalhado a cada nova
O pacote do ajuste fiscal amarrado pelo ministro Joaquim Levy está sendo retalhado a cada nova
sessão de votação, diante da total ausência de articulação política do governo, agora entregue ao vice
Michel Temer. A esta altura do campeonato, já nem sei o que está valendo ou não, mas é certo que o
que sobrar do pacote não será suficiente para tirar o país do buraco das contas públicas.
O pior, no entanto, ainda está por vir. Sempre dá para piorar, como demonstram as últimas
O pior, no entanto, ainda está por vir. Sempre dá para piorar, como demonstram as últimas
iniciativas de Eduardo Cunha, a começar pelo monstrengo de projeto de reforma política cevada por
uma comissão especial montada à sua imagem e semelhança, que obedece unicamente ao seu
comando.
Trata-se de uma reforma de fancaria para deixar tudo como está, mantendo o que o sistema político
brasileiro tem de pior, como o financiamento privado de campanhas, e introduzindo algumas
jabuticabas novas apenas para eternizar o poder dos grupos de interesse que já mandam na Câmara.
Vai tudo ser aprovado, claro, sem emendas.
Só isso não basta. Aliado ao presidente do Senado, Renan Calheiros, também ele investigado pela
Operação Lava Jato, Cunha quer aprovar emendas que permitam a reeleição da dupla na presidência
das duas Casas do Congresso, na mesma legislatura, o que atualmente é vedado e, ao mesmo tempo,
impedir a recondução ao cargo do procurador geral da República, Rodrigo Janot, já decidida pela
presidente Dilma Rousseff.
Pensando bem, meu caro colega José Simão, isto está ficando mais para casa dos horrores do que
circo de cavalinhos, com engolidores de fogo ameaçando queimar a lona da democracia.
E vamos que vamos. Para onde?"
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