segunda-feira, 11 de maio de 2015

AS EXPECTATIVAS PARA O MILAGRE CUBANO


Enquanto o 'vai pra Cuba' se transformou num mote pejorativo da direita brasileira, países 
ocidentais se aproximam da ilha para tentar estreitar laços econômicos com o governo de Raúl 
Castro; visita de François Hollande, a primeira em 55 anos de um chefe de estado francês, é 
considerada histórica pela imprensa francesa; ontem, Raúl Castro agradeceu ao papa 
Francisco seu apoio na reaproximação com os Estados Unidos, de Barack Obama; perspectiva 
de abertura econômica demonstra acerto da estratégia brasileira incentivada pelo ex-
presidente Lula de fazer investimentos em Cuba, como no porto de Mariel.

O Ocidente redescobriu Cuba. A visita do presidente da França, François Hollande, que chegou 
nesse domingo, 10, a Havana para uma visita oficial à ilha está sendo comemorada pela imprensa 
francesa com um dia histórico. Há 55 anos um chefe de estado francês não aparecia por lá. 
Hollande se reúne nesta segunda-feira, 11, com o presidente Raúl Castro. A viagem também tem 
caráter econômico. A França quer fomentar o comércio com Cuba, com quem teve no ano passado 
negócios no valor de US$ 200 milhões, número inferior ao de 2013 e longe dos fluxos que Cuba 
mantém com outros parceiros europeus como Espanha, Holanda e Itália.
O presidente encerrará um fórum no qual participarão diretores da extensa delegação empresarial 
que o acompanha, integrada por companhias como a de bebidas Pernod Ricard, a hoteleira Accor, a 
companhia aérea Air France, o grupo de distribuição Carrefour, o de telecomunicações Orange, e 
vários bancos.
A visita de um líder de um país europeu a Cuba acontece cinco meses depois da investida do 
presidente Barack Obama contra o fim do isolamento da ilha, quando anunciou o restabelecimento 
de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos. O país de Barack Obama também está de 
olho nas relações comerciais com o país.

O protagonista Francisco

O Papa Francisco é um personagem importante nos avanços obtidos por Cuba com os Estados 
Unidos. A intervenção do Vaticano foi fundamental para a retomada histórica em dezembro das 
relações diplomáticas entre os ex-adversários depois de mais de meio século de antagonismo.
O presidente Raúl Castro esteve nesse domingo com Francisco e agradeceu ao papa pela sua atuação 
na reaproximação entre Havana e Washington. Ele disse ter ficado tão impressionado com o 
pontífice que poderia voltar à Igreja, apesar de ser comunista.
Francisco, que deve visitar Cuba e os Estados Unidos em setembro, é membro da ordem religiosa 
jesuíta. Castro brincou dizendo que "até mesmo eu sou um jesuíta, em certo sentido", já que ele foi 
educado por jesuítas antes da revolução. "Quando o papa for a Cuba em setembro, eu prometo ir a 
todas as suas missas e ficarei feliz em fazê-lo", disse.

Brasil apostou antes no fim do isolamento

A movimentação de potências econômicas do Ocidente em direção a Cuba, de olho no potencial 
comercial do país caribenho, demonstra a vanguarda do governo brasileiro em antever o fim do 
isolamento econômico.
O exemplo mais sintomático é o Porto de Mariel, intensamente criticado pela direita brasileira. 
Inaugurado em 27 de janeiro de 2014 com participação da presidente Dilma Rousseff, o porto foi 
construído pela empreiteira Odebrecht, e recebeu financiamento de US$ 800 milhões do Banco 
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além do Brasil, o empreendimento 
recebeu capital de chineses e outros países asiáticos. Situado a menos de 200 quilômetros da Flórida, 
Mariel é atualmente o porto mais próximo do território norte-americano.
O empreendimento, alvo de mote pejorativo da direita brasileira, estimulou a ida de uma cadeia de 
indústrias brasileiras que devem aumentar as relações comerciais entre os dois países. Na última 
década, as exportações brasileiras para a ilha quadruplicaram a US$ 450 milhões, elevando o Brasil 
ao terceiro lugar na lista de parceiros da ilha, atrás apenas de Venezuela e China.
O Brasil também pretende aumentar as exportações de alimentos para Cuba, que importa mais de 
80% dos alimentos que consome a um custo de de cerca de US$ 2 bilhões por ano.
O "milagre econômico de Cuba" já desperta claramente o interesse do mundo ocidental. Por ter visto 
e acreditado antes, o Brasil saiu na frente e deve colher seus frutos, apesar da torcida contrária da 
direita brasileira.
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