“Nós temos que plantar coisas boas para colher bons frutos, mas no atual governo isto não está acontecendo”, foi o que disse Rosane Malta, vestida com uma camisa amarela com os dizeres “Fora Dilma”. A ex-primeira-dama do governo de Fernando Collor (PTB) se camuflou bem na multidão que protestava contra a corrupção e pela moralidade e a legalidade no poder público.
Mas quem conhece a história bem sabe como a então Rosane Collor se comportou quando teve a oportunidade de semear o dinheiro público para produzir frutos que alimentariam a população pobre do Brasil.
Alvo da CPI da Fome, de 1993, a polêmica ex de Collor foi condenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a devolver quase R$ 2 milhões aos cofres públicos, fruto de irregularidades cometidas na compra de alimentos, quando esteve à frente da extinta Fundação Legião Brasileira de Assistência (LBA).
A decisão do TCU, de 3 de março de 2010, concluiu pela condenação de Rosane ao pagamento de R$ 1,8 milhão por “omissão em ato antieconômico”. O Blog não conseguiu apurar se os valores já foram pagos. Mas o processo dá conta da deterioração de 53,5 toneladas de alimentos adquiridos pela fundação para serem distribuídos às populações carentes dos estados de Goiás e do Maranhão. E o TCU entendeu que Rosane tinha deixado de aplicar sanções a empresas que venderam os alimentos, dos quais 25% estavam deteriorados pouco mais de dois meses do recebimento e a quatro meses do prazo de validade.

Ana Eliza Setubal, mulher do banqueiro Paulo Setubal dona do Itaú
'Nossa bandeira jamais será vermelha', diz grupo de Ana Setubal na Paulista
"Tem até mulher de banqueiro aqui!", informava à coluna a educadora Ligia Carvalho no estacionamento da rua Augusta em que vários amigos combinaram de se encontrar para ir à passeata de domingo na avenida Paulista.
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"Ela poderia estar em casa, descansando. Mas pensa nos mais humildes", segue Ligia, referindo-se a Ana Eliza Setubal, mulher de Paulo Setubal, da família que controla o Itaú Unibanco. "Nós temos que pensar neles. A minha empregada me disse que é atendida por enfermeiros nos postos de saúde. Eles não têm escola, saúde, nada."

Camarote Vip e passeata na TV
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Ana Eliza diz que o protesto "não é contra um governo específico" e afirma que "o povo tem que acordar, se mexer. Tem que mostrar aos governantes, todos eles, a insatisfação com essa corrupção que está arraigada no país".

Os ricos no camarote vip da Avenida Paulista
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Ao lado da empresária Rosângela Lyra, ( a sogra do jogador Kaka. dona da marca marca francesa Dior, no Brasil) ela logo assume a liderança do grupo, que sobe a rua Augusta cantando: "A nossa bandeira jamais será vermelha!".

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A arquiteta Brunete Fraccaroli carrega um banco de plástico verde. Ela vai se submeter em breve a uma cirurgia de coluna e precisa sentar-se de tempos em tempos. "Estou perdendo clientes. Muitos deles estão saindo do Brasil, estão indo para Miami. É triste. Estou muito preocupada", diz.
Em frente ao Masp, outro grupo se reunia numa varanda. "Queria estar era lá embaixo", dizia a empresária Tatianna Oliva, apontando para a avenida. "Já fomos lá, mas tivemos que voltar por causa das crianças", explicava, com as duas filhas ao lado.
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Acompanhada do marido, José Victor Oliva, ela assistia de camarote ao protesto, a convite de uma amiga que abriu o escritório de sua empresa a cerca de 40 convidados. Para recebê-los, mesa de aperitivos e doces decorada com bandeirinhas do Brasil, refrigerantes, cervejas e drinques. A anfitriã pediu para não ter o nome divulgado ("Senão baixam 50 fiscais da Receita aqui! Sou do bem").
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"A Déia, que trabalha lá em casa, disse que queria vir. Eu não forcei ela a nada", contava Tatianna. Ao lado da patroa, Andrea Carneiro dizia: "A gasolina tá muito cara, o ônibus, o supermercado também. Tá muito ruim".
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Irmã do playboy Chiquinho Scarpa, Renata Scarpa ia do parapeito do prédio para a TV, que transmitia o ato ao vivo. "Graças a Deus", repetia. "E é todo mundo! As mulheres [vieram] mesmo com chuva no cabelo." Ali perto, o marido dela, Marcelo Palhares, fumava um charuto.
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Renata dizia: "Não interessa se é PT, PSDB, PMDB. Acho que todos os políticos e suas famílias teriam que ser obrigados a usar hospital e escola públicos. Já mudaria tudo". E lembrava o fato de Miami estar "lotada" de brasileiros. "Temos que ter todo mundo aqui para ajudar. Se os ricos forem embora, o que que sobra? Só os que não interessam para crescer o país."
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"Sou elite sim!", dizia José Victor Oliva. "E acho que eu deveria ser homenageado pelo governo, porque invisto, dou empregos, pago impostos, faço tudo certo." Mostrando a avenida, concluía: "Acho que eu não sou o único que penso assim".
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No prédio ao lado, alguém agitava na janela uma bandeira vermelha. Adultos e crianças na sacada vaiavam: "Ei, petista, vai tomar no c...". Um dos convidados passa com um saquinho distribuindo cornetas de plástico.
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Com a bandeira do Brasil estampada nos brincos –e uma de verdade amarrada nos ombros–, a empresária Norma Kherlakian brincava que iria "tirar todas as peças vermelhas do armário". "Eu sempre soube que o PT, quando chegasse lá, ia roubar", afirmava a prima de Reinaldo Kherlakian, herdeiro da galeria Pagé e cantor.
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Nadia Locanto, consulesa de São Cristovão e Nevis (ilhas no Caribe), dizia: "Tem que sair o PT. E parar a corrupção. Não é possível que não haja gente honesta no Brasil, né?", dizia, com a bolsa Louis Vuitton a tiracolo.
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Já no fim da tarde, o empresário Paulo Velloso chegava. "Já andei duas vezes a Paulista. Subi para vir ao banheiro." Dizendo-se emocionado, afirmava, com um copo de margarita na mão: "Falam que SP é um reduto do PSDB. Não é isso! É que aqui as pessoas têm mais conhecimento, informação. Sabem que do jeito que está não dá pra continuar". As informações são da colunista Monica Bergamo
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