segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Livro sobre Mujica guerrilheiro vira sucesso no Uruguai



Deu na Falha:

Quando a polícia gritou “documentos!” ao entrar no bar La Vía, numa tarde de outono de 1970, o
guerrilheiro tupamaro José Mujica, 35, agarrou-se à única coisa que carregava consigo, um revólver 
Colt 45.
Os policiais caíram para cima dele e dispararam seis vezes. Preso, escaparia no ano seguinte do 
presídio de Punta Carretas (atualmente um shopping no centro de Montevidéu) por um túnel cavado 
junto a outros 110 “tupas”.
Seria recapturado em 1972. Só veria novamente a luz do sol em liberdade em 1985.
As peripécias do atual presidente do Uruguai como guerrilheiro, os tempos na prisão e as contradições 
de sua personalidade são o eixo do livro “La Revolución Tranquila” (a revolução tranquila), ensaio 
biográfico recém-lançado no país vizinho que lidera listas de mais vendidos e será lançado nas 
próximas semanas em outros 11 países (no Brasil, ainda não há previsão).
“Queria entender por que Mujica transformou-se em fenômeno internacional, ao mesmo tempo em que 
é visto com certo criticismo no Uruguai”, diz o jornalista Mauricio Rabuffetti, 39, autor da obra, em 
entrevista à Folha.
“Em assuntos como a maconha, a defesa do meio ambiente, a maneira de fazer política, há 
controvérsias sobre seu modo de atuar”, afirma.
Ele destaca que, por outro lado, no Japão, foi lançado um livro para crianças com ilustrações dos 
discursos de Mujica sobre a defesa da natureza, e que, nos últimos anos, jornalistas do mundo todo 
foram ao Uruguai para ouvi-lo.
Através de entrevistas com companheiros de guerrilha, Rabuffetti reconstrói seu período atrás das 
grades, quando chegou a ter alucinações e se calou por vários meses.
Também conta ações cinematográficas dos “tupas”, como quando entraram na cidade de Pando, em 
1969, forjando um cortejo fúnebre. No caixão, havia um saco de batatas. Ao redor dele, um grupo de 
guerrilheiros. No local, cometeram assaltos a bancos para financiar suas ações.
O caso mais controverso é o do camponês Pascasio Báez, assassinado pelos “tupas” por ter revelado o 
local de um esconderijo. Até hoje, Mujica diz que foi um erro da guerrilha.
Rabuffetti não encontrou provas de que Mujica tenha sido responsável direto por alguma morte. “Pela 
lógica da guerrilha, não faz sentido dizer quem apertou o gatilho, todos assumem os crimes e Mujica 
não se abstém disso.”
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