terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Bancada de Cunha é o retrato da falência dos partidos



No balaio do Kotscho

Para que servem, afinal, os partidos políticos, que nos custam tão caro (verbas do fundo partidário, 
tempo de televisão, etc.) e não param de se multiplicar?
Se alguém ainda tinha alguma dúvida da inutilidade dos partidos políticos brasileiros, e de que jogamos 
dinheiro fora para sustenta-los, um evento solene marcado para as 18 horas desta quinta-feira, no
Congresso Nacional, em Brasília, é emblemático da falência desta miríade de siglas, que hoje não 
querem dizer absolutamente nada.
Trata-se do lançamento oficial da candidatura do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual líder do 
partido, à presidência da Câmara Federal. Embora o PMDB seja o principal aliado do PT e tenha o 
vice-presidente da República, Michel Temer, reeleito na chapa de Dilma Rousseff, Cunha notabilizou-
se na atual legislatura como o mais combativo e agressivo adversário do governo federal.
Contra a vontade de Dilma e de Temer, este controvertido deputado carioca, que está indo para seu 
quarto mandato e começou na vida pública como integrante da tropa de choque de Fernando Collor, 
levado pelas mãos de PC Farias, nos anos 1990, lançou sua campanha já faz tempo, quebrando um 
acordo de revezamento na presidência celebrado pelos dois partidos em 2010. Agora, era a vez do PT, 
que tem a maior bancada, indicar o candidato, mas Cunha não liga muito para estas coisas de acordos e 
programas partidários.
Afinal, ele tem a sua própria bancada, suprapartidária e independente. Dinheiro nunca foi problema 
para ele, desde que Collor o nomeou para a presidência da Telerj, a antiga empresa de 
telecomunicações do Rio de Janeiro.
Eduardo Cunha não esconde os métodos empregados para montar sua bancada particular, que reúne 
mais de 50 parlamentares fiéis, de diferentes partidos, um número que não para de crescer nestes dias 
de campanha pela presidência. "Este ano não tive dificuldade para captar. Até sobrou dinheiro na 
minha campanha", disse candidamente aos repórteres David Friedlander e Catia Seabra, da Folha de S. 
Paulo, após a campanha eleitoral de 2014. "Na maioria das vezes, são as empresas que me procuram. 
Até porque, tenho a mesma visão delas".
E não são empresas pequenas: Bradesco, BTG Pactual, Safra, Santander, Vale, Ambev e Coca-Cola 
estão na lista dos doadores que deram ao peemedebista um total declarado de R$ 6,8 milhões. Se 
sobrou dinheiro, como ele afirma, não é difícil imaginar como Cunha fez para ajudar nas campanhas de 
sua base suprapartidária, além de dar conselhos, é claro.
Enquanto isso, o ministro Gilmar Mendes continua dando vistas e não devolve o processo já aprovado 
pelo Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 1, que acaba com o financiamento privado de 
campanhas.
Sem estas doações desinteressadas, como Eduardo Cunha poderia montar sua bancada particular e 
surgir como franco favorito para assumir a presidência da Câmara nos próximos dois anos, contra a 
vontade dos caciques do seu próprio partido? O deputado Gastão Vieira, do Maranhão, que já foi seu 
rival e recebeu a módica ajuda de R$ 300 mil para fazer campanha, só tem elogios a fazer à 
generosidade de Cunha: "Ele ajudou todo mundo", admitiu aos repórteres da Folha. Um dos doadores, 
executivo de grande empresa, revelou que Cunha lhe pediu doações para um grupo de 20 a 30 
candidatos a deputado, em sua maioria do Nordeste, de Minas Gerais e do Rio.
Claro que esta turma toda de eleitores cativos de Cunha não pode nem ouvir falar em reforma política. 
Se está bom demais assim, para que mudar as regras do jogo?
Vamos que vamos.
____________________________________________

Nenhum comentário: