segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sem resposta política, novo governo Dilma não resistirá


Manifestação pelo impeachment de Dilma, em Vitória (ES), realizada neste sábado. Foto G1.

Por: Miguel do Rosário

As reações dos internautas à manifestação de ontem em São Paulo alternam-se entre riso, horror, nojo e
incredulidade.
Afinal, o que é o pior? Um bando de malucos…

1) empunhando cartazes pelo impeachment de uma presidenta eleita há uma semana.
2) protestando contra fraude sem apresentar um mísero indício, apenas com base em mentiras 
veiculadas na internet.
3) pedindo intervenção militar porque perderam eleição, num país ainda traumatizado com um regime 
militar que durou 21 anos, torturou, matou, acabou com a educação e a saúde públicas, não investiu, 
censurou imprensa e liberdade de expressão.

Aliás, é interessante notar que a mídia, até hoje, defende a ditadura. Sim, defende, porque se não o 
fizesse não haveria tantos retardados nas ruas, pedindo ao mesmo tempo mais liberdade de expressão e 
ditadura militar; reclamando de corrupção e pedindo golpe de Estado.
Se houvesse jornalismo de verdade no país, teria informado a estes débeis mentais que a ditadura, 
justamente por implantar a censura, impediu a criação de mecanismos de transparência e combate à 
corrupção, tanto no governo quanto na sociedade. E, portanto, a ditadura contribuiu, mais que nenhum 
outro governo, para o crescimento da corrupção no país.
Para não ser injusto, devo mencionar o vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, que declarou à
Folha que nada “justifica um pedido de impeachment”, e que “não há indício de fraude” nas eleições.
Não é suficiente, porém.
O PSDB deveria, por meio de nota oficial, repudiar totalmente qualquer associação com manifestações 
que pedem intervenção militar no país.
Enquanto não o fizer, será chamado de “golpista”, juntamente com setores da imprensa brasileira, que 
cobrem esse tipo de manifestação fascista sem fazer uma mísera crítica editorial.
Os jornais fazem mil editoriais contra um “bolivarianismo” que só existe na cabeça deles, e não fazem 
nenhum contra manifestações reais pedindo a volta da ditadura?
Ambos, PSDB e mídia, prestam um grande desserviço à democracia ao não se esforçarem em cortar 
esse mal pela raiz.
O governo, por sua vez, também comete um erro terrível ao permanecer calado.
Esperamos que não repita os erros da primeira gestão, de apanhar em silêncio por quatro anos de 
mandato.
Será um erro fatal.
A mídia e a oposição, como se vê, já estão convocando as ruas, e mobilizando o setor mais truculento e 
golpista delas.
Não demorará e a oposição estará patrocinando, clandestinamente, o quebra-quebra e a instabilidade 
política; os quais, se não houver uma nova política de comunicação por parte do governo, contará com 
apoio de amplos setores da juventude, da ultra esquerda e dos black blocs.
Quando falamos de comunicação, estamos falando de política, que não se resume aos apupos 
palacianos entre Executivo e parlamentares recalcitrantes, mas no diálogo em duas vias (falar e ouvir) 
com as ruas, com a sociedade, com os brasileiros.
Não adianta ministro dar entrevista às páginas amarelas da Veja.
Nem a presidenta quebrar omeletes no programa de Ana Maria Braga.
É preciso criar canais inovadores para falar à população brasileira. Falar e ouvir. Comunicar o que está 
fazendo, quais as dificuldades enfrentadas, e, ao mesmo tempo, ouvir quais as prioridades e quais as 
angústias maiores da população.
Responder às acusações diárias e sistemáticas da grande mídia.
O noticiário já vem preparando o “clima” de revolta. Sem resposta, na forma de uma comunicação 
direta e corajosa com o povo brasileiro, o governo não resistirá.
A paz, se quiser ser alcançada, terá de passar pela guerra da comunicação.
Confira as fotos abaixo, da manifestação em São Paulo, e vejam que fofura de propostas.







Agora vejam como o senador Cristóvão Buarque reage aos protestos de internautas contra 
manifestações de intervenção militar.
Acrescentei a resposta irônica do Wandinho, que é para encerrarmos o post com um pouco de humor.

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