Por: Fernando Brito
O Operador Nacional do Sistema (Elétrico” divulgou nota chamando de “inverídica” (uma palavra
gentil para mentirosa) a manchete da Folha de hoje.
Não é inverídica, é estúpida como um ato terrorista.
Porque parte de uma aparente “obviedade” para chegar a uma estupidez alarmista.
“Se não chover” é vago o suficiente para não dizer coisa alguma.
“Se não chover” hoje, não acontece coisa alguma. Se não chover por três meses, é um desastre.
Mas como assim “se não chover”, em pleno início de uma estação chuvosa e as chuvas não apenas
começaram quanto têm previsão de continuar, com uma ou outra interrupção, até pelo menos a metade
do mês?
E se os meteorologistas são unânimes em prever novembro, dezembro e janeiro com precipitações até
acima da média histórica?
Não é possível continuar confundindo desejo político com a administração de bens essenciais à
coletividade, como água e energia.
Ou achar que o mundo acabou com três dias sem chuva ou que tudo está resolvido (ou teria de estar)
se os mesmos três dias fossem chuvosos.
Se a Folha quer aplicar este tipo de premonição, já vão aí, na ilustração, as sugestões de “copidesque”
em sua manchete.
Porque, “se não chover”, mesmo a lama da segunda cota de “volume morto” que abastece metade dos
paulistanos secaria até o final do ano
.
aqui se tratou com absoluta
severidade da crise hídrica em São
Paulo, mas isso não impediu que se
registrasse que, no curto prazo, as
chuvas vão aliviar – sem resolver –
a situação.
Não por “chute” nem por otimismo
– porque otimismo, além de certo
ponto, é tolice.
Mas porque o tempo, embora não
seja previsível em termos absolutos,
é hoje previsível cientificamente, com dados de observação e modelos de alta
confiabilidade.
Como o que mostra, aí ao lado, a previsão de chuva acumulada no Brasil, produzida
pela Climatempo, uma empresa privada.
Um jornalista não pode escrever sobre apenas “alguém disse”, embora esteja na moda
transformar em verdade absoluta até o que uma pústula moral como Alberto Youssef
“teria dito”.
Se for assim, fechemos os jornais e deixemos tudo por conta do Facebook.
catastrofismo poderia ser feito em
relação a São Paulo, com muito
mais base na realidade.
A poderosa redação da Folha,
estupidamente, apresenta um gráfico
escandalosamente errado.
Segundo ele, 47% é menor que
40%. E 15,8 é muito mais perto de
10% que de 20%.
Poderia ter feito o mesmo quanto ao
cantareira.
Se não fez, este blog,
modestamente, o faz.
Em vermelho, seus índices de armazenamento.
É preciso dizer algo sobre como cuidar da possibilidade de incêndio na sala enquanto
o fogo arde na cozinha?
O grave é que o repórter que produziu a matéria, por iniciante ou por ignorar o
assunto, até poderia ter errado.
Jamais seu editor, muito menos o editor de primeira página que a escolheu como
manchete.
A menos que estejam se candidando a alguma vaga na Veja.
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