quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O “terrorismo” da Folha do Tucanistão não tem torneira em casa



Por: Fernando Brito


O Operador Nacional do Sistema (Elétrico” divulgou nota chamando de “inverídica” (uma palavra
gentil para mentirosa) a manchete da Folha de hoje.
Não é inverídica, é estúpida como um ato terrorista.
Porque parte de uma aparente “obviedade” para chegar a uma estupidez alarmista.
“Se não chover” é vago o suficiente para não dizer coisa alguma.
“Se não chover” hoje, não acontece coisa alguma. Se não chover por três meses, é um desastre.
Mas como assim “se não chover”, em pleno início de uma estação chuvosa e as chuvas não apenas
começaram quanto têm previsão de continuar, com uma ou outra interrupção, até pelo menos a metade
do mês?
E se os meteorologistas são unânimes em prever novembro, dezembro e janeiro com precipitações até
acima da média histórica?
Não é possível continuar confundindo desejo político com a administração de bens essenciais à
coletividade, como água e energia.
Ou achar que o mundo acabou com três dias sem chuva ou que tudo está resolvido (ou teria de estar)
se os mesmos três dias fossem chuvosos.
Se a Folha quer aplicar este tipo de premonição, já vão aí, na ilustração, as sugestões de “copidesque”
em sua manchete.
Porque, “se não chover”, mesmo a lama da segunda cota de “volume morto” que abastece metade dos
paulistanos secaria até o final do ano
.
climatempoOs leitores são testemunhas de que
aqui se tratou com absoluta
severidade da crise hídrica em São
Paulo, mas isso não impediu que se
registrasse que, no curto prazo, as
chuvas vão aliviar – sem resolver –
a situação.
Não por “chute” nem por otimismo
– porque otimismo, além de certo
ponto, é tolice.
Mas porque o tempo, embora não
seja previsível em termos absolutos,
é hoje previsível cientificamente, com dados de observação e modelos de alta
confiabilidade.
Como o que mostra, aí ao lado, a previsão de chuva acumulada no Brasil, produzida
pela Climatempo, uma empresa privada.
Um jornalista não pode escrever sobre apenas “alguém disse”, embora esteja na moda
transformar em verdade absoluta até o que uma pústula moral como Alberto Youssef
“teria dito”.
Se for assim, fechemos os jornais e deixemos tudo por conta do Facebook.
grafolhaCurioso é que o mesmo exercício de
catastrofismo poderia ser feito em
relação a São Paulo, com muito
mais base na realidade.
A poderosa redação da Folha,
estupidamente, apresenta um gráfico
escandalosamente errado.
Segundo ele, 47% é menor que
40%. E 15,8 é muito mais perto de
10% que de 20%.
Poderia ter feito o mesmo quanto ao
cantareira.
Se não fez, este blog,
modestamente, o faz.
Em vermelho, seus índices de armazenamento.
É preciso dizer algo sobre como cuidar da possibilidade de incêndio na sala enquanto
o fogo arde na cozinha?
O grave é que o repórter que produziu a matéria, por iniciante ou por ignorar o
assunto, até poderia ter errado.
Jamais seu editor, muito menos o editor de primeira página que a escolheu como
manchete.
A menos que estejam se candidando a alguma vaga na Veja.
_____________________________________________________

Nenhum comentário: